Capítulo 258 — Fantasmas à Luz do Dia
Noah Blake
Desliguei o telefone com o Chris, mas a voz dele continuava ecoando no carro silencioso. "Foi seu tio. Foi o maldito Natanael Blake."
Eu queria sentir surpresa. Queria sentir aquele choque de descrença que a maioria das pessoas sentiria ao saber que o próprio sangue encomendou a morte de aliados e amigos. Mas a única coisa que senti foi um gosto metálico de confirmação. Eu sabia. Antes mesmo de o Chris falar, no fundo, eu sabia. Natanael sempre foi um câncer na minha vida, eu só demorei tempo demais para perceber.
Acelerei e segui para o clube. Com a prisão do Atlas, nenhum de nós apareceu por lá ontem. Os problemas eram grandes, mas o negócio não podia parar. Precisávamos manter a fachada, manter o dinheiro girando, manter tudo no lugar até tirarmos ele daquele inferno, para que meu irmão pudesse voltar para onde pertence.
Estacionei na minha vaga habitual, desci do carro e segui para a porta. Assim que parei em frente ao clube, elas se abriram pra mim.
— Chefe. — Wolf cumprimentou, a mandíbula trincada. Ele parecia pronto para socar alguém. — Que porra de trairagem fizeram com o Wilson, hein?
— Estamos resolvendo, Wolf. — Respondi enquanto entrava. — Mas até lá, precisamos segurar as pontas aqui.
Wolf assentiu e seguimos para o salão. Assim que entrei, encontrei Caio.
— Bom dia, Senhor Blake.
— Bom dia, Caio. Wolf já deve ter te contado sobre o Atlas.
— Contou sim, senhor. Sinto muito por ele. A Sammy deve estar arrasada. — ele disse com pesar.
— Está, mas logo o tiramos de lá.
— Soubemos da menina Athena também, espero que ela esteja bem.
— Ela está se recuperando no hospital.
— Pobre garotinha, não merecia sofrer assim. — Wolf disse, com sinceridade.
— Conte comigo para o que precisar, Senhor Blake. — Caio disse prontamente. O garoto era leal até os ossos, sempre prestativo.
— Comigo também, Blake. Sabe que estaremos sempre aqui. — Wolf garantiu.
Senti uma pontada de orgulho. Em meio à minha traição familiar, eram os que meu tio chamava de "estranhos" que mostravam lealdade.
— Como estamos de equipe? — perguntei, tirando o paletó e jogando numa poltrona. Precisávamos voltar o foco ao meu objetivo aqui.
Caio suspirou, passando a mão no cabelo.
— Complicado. As meninas que o Ambrose indicou decidiram sair assim que souberam da prisão do Wilson. E com as nossas garotas afastadas pela gravidez... estamos desfalcados no salão.
— Certo. — Pensei rápido. — Caio, vê se consegue alguém de confiança para ajudar. Mas como o Atlas não está, preciso que você assuma a gerência do salão. Contrate uns dois barmen freelancers para ficarem no bar e te darem suporte, mas você fica no comando do atendimento. Pode ser?
— Pode deixar, Senhor Blake. Vou resolver isso agora.
— Ótimo. Wolf, dobre a segurança na entrada. Não quero curiosos e nem repórteres enchendo o saco. Qualquer coisa fala com o Gayer e pede pra ele mandar alguém da equipe dele.
Eles assentiram e saíram para suas funções. Caminhei até meu escritório, sentei na minha cadeira e comecei a trabalhar. Pagamentos de fornecedores, planilhas, e-mails. Tentei focar nos números, mas minha mente insistia em vagar para o José ferido e para o Atlas cercado por lobos.
Peguei uma nota fiscal pendente. Bebidas importadas. O pagamento tinha sido feito há uma semana, mas a entrega não constava no sistema. Tentei ligar para o fornecedor. Caixa postal.

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