Capítulo 257 — Nem precisa adivinhar
Christopher Lawson
O cheiro de café fresco preenchia a cozinha, mas o gosto na minha boca era amargo. Larguei a xícara na ilha de mármore e encarei a tela do celular, relendo a mensagem de Dominic pela terceira vez.
"José foi atacado, e Dixon caiu. Foi o Natanael Blake quem pagou pela cabeça do Atlas e do garoto. Snake confirmou..."
Passei a mão pelo rosto, sentindo a tensão nos ombros. José ferido. Dixon era um corrupto. E Natanael Blake... sempre ele nos causando problemas.
A cada peça que se movia nesse tabuleiro de xadrez sangrento, a figura do "Drácula" se sobrepunha à imagem do tio do Noah. A audácia de atacar dentro de um presídio federal, de comprar um diretor... isso exigia poder e dinheiro que poucos tinham.
Eu estava tão perdido traçando as rotas de como aquele maldito operava que nem percebi que não estava sozinho nos meus pensamentos.
— Você ouviu o que eu disse, Chris?
A voz da Penelope cortou o silêncio. Pisquei, voltando à realidade, e encontrei minha mulher parada do outro lado da bancada, com uma sobrancelha arqueada e aquela expressão de quem exige atenção total.
— Desculpa, amor. — Bloqueei o celular e o coloquei virado para baixo. — Estava respondendo o Dom e não ouvi direito.
Penelope suspirou, revirando os olhos daquele jeito que só ela sabia fazer. Ela contornou a ilha e veio até mim. Afastei a cadeira e ela se sentou no meu colo sem cerimônia, passando os braços pelo meu pescoço.
— Eu disse que combinei com as meninas de passarmos o dia no apartamento da Ju. — Ela começou, brincando com os cabelos da minha nuca. — E mais tarde, pensamos em ir visitar a Athena no hospital.
Minha mão, que acariciava a coxa dela, parou.
— Ok sobre estar na casa do Noah. A segurança lá é impenetrável. — Falei sério. — Agora, sobre a visita ao hospital... veremos mais tarde. Provavelmente não.
Penelope fechou a cara instantaneamente. A submissa doce dando lugar à garota teimosa que eu amava.
— Qual é, Chris? Temos seguranças pra isso. Não vamos sozinhas.
— Você está certa, Encrenca. — Segurei a cintura dela com firmeza. — Temos sim, os melhores seguranças. Porém, temos alguns psicopatas à solta só esperando uma oportunidade.
Ela cruzou os braços, irritada, e virou o rosto para o lado, bufando.
— Encrenca, por favor. — Usei meu tom de comando, baixo e rouco. — Agora não é hora pra birra. Entendo a preocupação de vocês, nós também estamos preocupados com a garota. Mas o hospital é um alvo fácil.
Segurei o queixo dela, virando seu rosto para que ela me encarasse.
— Pensa comigo, Penny. Se até nos remédios da Athena eles mexeram para mandar uma garota inocente para o hospital, imagina o que não são capazes de fazer com quatro grávidas andando por aí.
Penelope piscou várias vezes, absorvendo as palavras. O choque substituiu a birra.
— Como assim? Que história é essa? Mexeram nos remédios?
Suspirei, sabendo que precisava ser transparente para ela entender o perigo.
— Gayer acabou de me mandar uma mensagem confirmando. Alguém subornou o técnico do laboratório da farmácia de manipulação para atrasar a medicação da Athena. Fizeram ela passar mal de propósito para tirar o foco do Atlas. Espero que tenha sido por foco, e não para realmente matá-la.
Penelope levou a mão à boca, horrorizada.
— Dios mío!
A puxei para mais perto, colando nossos corpos.
— Entende agora, Encrenca, por que não posso arriscar deixar você sair por aí? Nem mesmo aqui dentro é totalmente seguro, se lembrarmos que o Cyrus conseguiu entrar no apartamento do Declan. Eu não vou perder você. Não vou perder nosso filho.
Penelope envolveu os braços no meu pescoço novamente, escondendo o rosto na curva do meu ombro. Senti o corpo dela relaxar, a teimosia se dissipando.
— Tudo bem, você tem razão. Desculpa. — Ela sussurrou. — Só queríamos vê-la, mostrar que estamos aqui e que ela não está sozinha.

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