Capítulo 252 — O Preço da Traição
Juan Rivera (Snake)
— Buenos días, Diretor Dixon.
Eu estava sentado em sua cadeira, pernas cruzadas, um sorriso debochado e o ar de quem não se importava com porra nenhuma.
— Snake? — Ele gaguejou, olhando para a porta, depois para mim. — Como... O que você faz na minha sala? Saia daqui agora ou eu chamo a segurança!
— Pode chamar. — Apontei para o telefone na mesa. — Mas acho que o Comissário Gordon, seu chefe, não vai gostar de saber que eu estou aqui.
— De onde conhece o senhor Gordon?
— Digamos... — peguei uma caneta que estava ali na mesa e comecei a batucar no mogno. — Que conheci o Comissário após, por acaso, ele fazer uma dívida de quinhentos mil dólares na minha mesa de poker semana passada.
Dixon congelou. A mão dele parou no ar, a caminho do telefone.
— O quê?
— Você acha que manda aqui, Allan? — Levantei-me, caminhando calmamente até ele. — Você é só um funcionário público. O homem que te colocou nessa cadeira, o homem que assina seus cheques... ele está no meu bolso. Eu tenho as notas promissórias dele. Eu tenho a carreira dele nas mãos. E, consequentemente, tenho a sua.
Encostei na mesa ao lado do telefone.
— Mas se quiser ligar para ele... — apontei para o aparelho. — Fique à vontade.
Dixon engoliu em seco, recuando um passo até bater as costas na porta fechada. A autoridade dele evaporou.
— O que você quer, Snake?
— Respostas. — Cruzei os braços e o encarei. — Sobre Natanael Blake.
Dixon tentou disfarçar, desviando o olhar.
— Não sei do que está falando.
— Não minta para mim. — Minha voz endureceu. — O Caolho cantou como um passarinho antes de eu mandá-lo para o inferno. Ele disse que Natanael te pagou. Eu quero saber o porquê.
Dixon suspirou, derrotado. Ele caminhou até o frigobar, pegou uma garrafa de água com as mãos trêmulas.
— Eu conheci o Natanael num evento beneficente há algumas semanas. Achei que fosse coincidência. Ele foi simpático, carismático. — Dixon bebeu um gole. — Até que ele apareceu aqui, na minha sala, na semana passada. Ele sabia que o Atlas Wilson viria para cá.
— E ele encomendou a morte do melhor amigo do sobrinho?
— Ele trouxe fotos, Snake. — Dixon confessou, a voz baixa. — Na noite daquele evento, minha esposa não foi. Uma mulher jovem, linda... ela se aproximou. Eu bebi demais, acabei cedendo. Natanael tinha fotos de tudo. De nós no hotel, na cama...
Ele fechou os olhos.
— Se aquelas fotos viessem a público, minha esposa me deixaria e levaria metade de tudo. O Comissário me demitiria por conduta imoral. Minha vida acabaria.
Bufei, sentindo o nojo subir pela garganta. Aproximei-me dele num passo rápido, invadindo seu espaço.
— Então matar um inocente era o preço pela sua atitude de merda com sua esposa? Você vendeu a vida de um garoto para esconder que não consegue manter o pau dentro das calças?
— Aqui dentro morrem inocentes todos os dias, Snake! — Dixon respondeu com um deboche defensivo, tentando justificar o injustificável. — Facilitar para que mais um morresse não faria diferença nas estatísticas.
A paciência que me restava acabou ali. Agarrei Dixon pelo colarinho e o prensei contra a parede. O impacto fez os quadros tremerem.
— Pois você não só facilitou a morte do Wilson, como a do José! — Gritei na cara dele. — E você sabe o que o José é pra mim?
— Snake, calma...
— José é como um filho! É meu protegido! — Apertei mais o colarinho, cortando o ar dele. — E ele está ferido, numa maca de enfermaria neste exato momento, por sua causa!
Dixon se debatia, o rosto ficando vermelho.
— Sabe o que eu mais odeio nessa vida, depois de estupradores nojentos? — perguntei, sem afrouxar o aperto.
Ele tentou negar com a cabeça, os olhos arregalados.

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