Capítulo 251 — A Lei do Talião
Juan Rivera (Snake)
A única luz na cela vinha do corredor através da porta aberta e dos feixes das lanternas caídas no chão, criando sombras distorcidas nas paredes de concreto. O cheiro de medo era ácido, misturado ao cheiro metálico de sangue.
José estava inconsciente no canto, mas seguro agora. Meu foco se voltou para o lixo humano à minha frente.
Fiz um sinal para os quatro homens que acompanhavam o Caolho.
— Segurem ele. — ordenei.
Os homens recuaram, olhando para o antigo chefe, que ainda segurava as calças abaixadas, e depois para mim. Havia hesitação.
— Ok... — Murmurei, impaciente.
Fiz um gesto sutil e ouvi o clique duplo das armas de Marco e Santino sendo engatilhadas atrás de mim.
— Sabem que posso matar quatro de vocês aqui, agora mesmo, e fazer só um levar a culpa por tudo, certo? — Falei com uma calma terrível. — Daria o descanso eterno para quatro e deixaria o sobrevivente apodrecer o resto da vida nesse inferno por homicídio múltiplo.
Os homens se entreolharam. Eles sabiam quem eu era. Sabiam que eu não fazia ameaças vazias.
— Então direi mais uma vez: segurem-no.
A lealdade ao Caolho evaporou. Rapidamente, os quatro avançaram e imobilizaram Pablo no chão, segurando seus braços e pernas.
Aproximei-me dele devagar, ajustando o colarinho.
— Agora me diz, Pablo... quem te mandou fazer isso?
Caolho olhou para mim, tentando reunir algum resto de dignidade, suando frio.
— Ninguém mandou... estou no meu direito. É um acerto de contas.
Ri, balançando a cabeça.
— Direito?
Sem aviso, desferi um soco brutal no estômago dele. O ar saiu de seus pulmões com um som gorgolejante.
— Você tenta abusar de mi niño e não queria que ele revidasse? — Perguntei, antes de dar outro soco, dessa vez no rosto, abrindo o supercílio dele. — Você tem sorte de ter sido ele, Pablo. Porque se fosse eu...
Abaixei-me para ficar com o rosto a centímetros do dele.
— Eu teria arrancado o seu pau, e não seu olho.
Segurei os ombros dele com força, levantei a perna e desferi uma joelhada seca e violenta na virilha dele.
— Aaauu! — Caolho urrou, o corpo convulsionando de dor.
— Vamos tentar de novo. — Falei, limpando os nós dos dedos no meu paletó. — Quem mandou? Quem pagou? Quem facilitou a sua vida para chegar perto do meu garoto numa área de isolamento?
O homem me encarou, os olhos lacrimejando de dor.
— Snake... não foi ninguém, cara. Juro...
Suspirei.
— Qual é, Pablo? Pra cima de mim? Eu quero um nome e você vai me dar.
Estendi a mão para o lado sem olhar. Marco colocou uma das barras de ferro que os agressores usavam na minha palma. Senti o peso frio do metal. Comecei a bater a barra na minha outra mão, ritmicamente. Clang. Clang.
Olhei para os homens que o seguravam.
— Virem ele. De bruços.
Caolho começou a se debater, o pânico real tomando conta dele ao perceber minha intenção.
— Que isso, Juan?! O que vai fazer?! Pelo amor de Dios!
Os homens o viraram à força, pressionando o rosto dele contra o chão sujo. Abaixei-me perto do ouvido dele.
— Dios? — Sussurrei. — Tem coragem de chamar por Ele? Um homem que prefere abusar de garotos indefesos nesse inferno por prazer, acha que tem direito de chamar pelo nosso Todo-Poderoso?
Endireitei-me, segurando a barra com firmeza.
— Ajeitem ele. Exponham o alvo.
Encostei a ponta fria e romba da barra de ferro na pele exposta entre as nádegas dele. Caolho gritou antes mesmo de eu fazer força.
— Por el amor de Dios! NÃO!
Ignorei seus apelos e empurrei levemente. Sem força para penetrar, apenas o suficiente para violar, para mostrar que eu tinha o controle absoluto do corpo dele.
— ¡Ten piedad, Juan!
Parei por um instante e gritei, minha voz ecoando na cela:

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