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Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 246

Capítulo 246 — Não mata...

Atlas Wilson

Ainda estava sem acreditar na tranquilidade do José depois do que havia acontecido. E sem acreditar mais ainda no quanto eu me enganei a respeito dele. José era muito mais do que imaginei. Ele não era só um "marginal" ou um sobrevivente. Ele era... ele era algo que eu preferia nem nomear.

Eu enxergava o que esse lugar exigia e o que precisávamos nos tornar para sobreviver. Mas eu não podia aceitar que ele perdesse a alma dele desse jeito me usando como desculpa. Eu jamais me perdoaria por isso.

Estávamos discutindo sobre o ocorrido quando a porta se abriu de forma brusca, batendo contra a parede.

— Posso saber que merda você aprontou, José?! — Dom gritou, a voz ecoando pelas paredes da sala administrativa. — Eu te deixo aqui por duas horas e você já iniciou uma guerra?!

— Não foi bem assim... — José tentou justificar, mas Dom o cortou com um gesto brusco.

— Um cara na enfermaria, outro encaminhado para o hospital em estado crítico e só Deus sabe se ele volta. Uma confusão generalizada após seu grito de "El Hermanito ha vuelto!". — Dominic andava de um lado para o outro, furioso. — Gostaria de lembrá-lo que o Hermanito está de volta para fazer a segurança do Atlas, e não pra fazer fama!

— Em minha defesa, eu estava fazendo exatamente o combinado. — José respondeu irritado mas sem perder a postura. — E eu não preciso disso pra fazer fama, Dom. A fama já estava aqui quando cheguei.

Eu ainda me sentia perdido no meio dessa confusão, a dor no braço latejando, até que os olhos do Dom me encontraram. A expressão dele mudou de fúria para preocupação imediata.

— Que merda! — ele xingou ao ver o sangue no meu macacão.

— Eu tô bem, cara. É superficial.

Dom ignorou minhas palavras. Bateu na porta e Spencer entrou.

— Chame alguém da enfermaria para avaliar o Wilson. Agora.

— Agora mesmo, Agente Costello. — O homem disse, saindo rápido da sala.

Dom respirou fundo, passando a mão pelo rosto, e olhou para mim e depois para o José.

— Agora vamos aos problemas gerados aqui. — ele começou, o tom profissional assumindo o lugar do amigo preocupado. — Mesmo você sendo um informante, o Dixon precisa registrar o ocorrido. E isso vai pra sua conta, José. Você passou por isso da outra vez que esteve aqui e sabe como funciona.

— Eu sei... — José disse em derrota, encostando a cabeça na parede.

Olhei para ele confuso, depois virei para o Dom.

— Como assim? O que isso significa?

— Significa que se o cretino que ele esfaqueou morrer, o José responde por homicídio.

O chão pareceu abrir sob os meus pés.

— Homicídio? — Minha voz saiu num engasgo. — Foi legítima defesa! Eles vieram pra cima de mim!

— Seria, se tivesse sido lá fora, Atlas. — Dom disse frustrado. — Com as imagens e um bom advogado, eu limparia essa bagunça num tribunal. Mas aqui dentro a lei é outra. Vocês estão reclusos para ressocialização. Quando o preso tem uma atitude como essa...

— Ele mostra que não está apto para viver em sociedade e a pena aumenta. — Concluí antes dele, sentindo um gosto amargo na boca.

Após essa revelação, o silêncio se tornou denso, pesado, quase palpável. José foi o primeiro a quebrá-lo.

— Eu estou bem com isso. — Ele deu de ombros, com uma frieza que me assustou. — Se ele morrer... paciência. Antes ele do que o Atlas.

— José, para com isso! — Chamei sua atenção, indignado. — Estamos aqui há apenas algumas horas e já dá pra ver o inferno que é. Quer mesmo passar o resto da vida aqui por minha causa?

— Claro que não! — ele rebateu, os olhos faiscando. — Mas eu não podia deixar o cara te matar! Agora não dá pra chorar pelo leite derramado. É só torcer para o cretino sobreviver e pronto.

Neguei com a cabeça, atordoado com o sacrifício que ele estava fazendo com tanta naturalidade.

— Eu liguei para o Doutor Green. — Dom interveio. — Pedi para ele atender o maldito no hospital penitenciário.

— O médico que operou a Jen? — perguntei.

— Ele mesmo. Green é um grande amigo e é o melhor cirurgião da cidade. Se alguém pode salvar aquele desgraçado e livrar a cara do José, é ele.

Respirei um pouco mais aliviado com a notícia. José, por outro lado, parecia não se importar se o cara iria viver ou morrer. Meu cunhado simplesmente parecia aceitar seu destino, como se aqui dentro só restasse isso para ele: o inferno.

A porta abriu novamente. Entrou um enfermeiro seguido do Diretor Dixon.

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