Capítulo 243 — Refúgio e Fogo
Dominic Costello
O peso do meu distintivo no cinto parecia ter triplicado quando atravessei a porta do meu apartamento. Deixar o Atlas naquele lugar, ver as portas de aço se fecharem separando um dos meus melhores amigos da liberdade... aquilo foi como engolir vidro.
Assim que entrei na sala, a imagem que vi fez meu coração apertar e aquecer ao mesmo tempo. Minha mãe, Marina, estava sentada na poltrona perto da janela, observando o movimento da rua com um sorriso sereno. Mia, sua cuidadora, estava ao lado dela, penteando seus cabelos grisalhos.
— Olha, Mia! — Minha mãe exclamou assim que me viu, os olhos brilhando com uma alegria infantil. — O moço bonito veio visitar a gente de novo.
Engoli o nó na garganta. Era raro ela me chamar de Dominic, na verdade era raro ela lembrar de mim. Mas vê-la sorrindo, sem as crises de pânico ou agressividade, já era um presente.
Caminhei até ela, me agachando para ficar na altura dos seus olhos.
— Oi, Dona Marina. — Segurei a mão dela, sentindo a pele fina e quente. — A senhora está linda hoje.
— Viu só, Mia? Ele é muito gentil. — Ela acariciou meu rosto, e eu fechei os olhos por um segundo, absorvendo aquele toque materno, mesmo que para ela eu fosse apenas um estranho gentil. — Você está com fome, querido? A Mia pode fazer um bolo.
— Não precisa, obrigado. — Beijei a mão dela. — Só vim ver como a senhora estava.
Levantei e troquei um olhar com a Mia.
— Ela está num dia bom. — Mia sussurrou, sorrindo cansada, mas aliviada. — Calma e feliz.
— Que bom. — Suspirei. — A Taylor está por aqui?
— Não senhor Costello, ela me ligou dizendo que ficaria com a Sammy.
— Já te disse que é Dom, Mia. Nada de senhor Costello, e obrigada. Vou ir para o meu quarto tomar um banho, se ela aparecer diga que estou lá por favor.
— Tudo bem se… — olhei para ela que se corrigiu sem graça. — Dom, eu aviso.
Dei mais um beijo na minha mãe e segui para o meu quarto, tirei minha roupa, joguei celular, chaves, distintivo, carteira e a arma na cabeceira. Entrei no banheiro e fui direto para o chuveiro. Deixei a água cair como se fosse possível com ela lavar não só meu corpo, mas a minha mente.
Quando saí do banheiro fui para o closet. Taylor estava lá, separando algumas peças de roupa sobre a ilha central. Assim que me viu, ela parou. Os olhos dela, sempre tão perspicazes, varreram meu rosto e encontraram a dor que eu tentava esconder.
— Dom... — Ela largou a blusa que segurava e veio até mim. — Como você está?
Soltei um suspiro pesado, passando as mãos pelo cabelo.
— Me sentindo um inútil, amor. — confessei, a voz rouca. — A impotência de ver o Atlas naquela situação... algemado, tratado como um animal. Um cara que eu considero um irmão, sendo levado daquele jeito...
Fechei os olhos, a imagem do olhar do Atlas voltando à minha mente.
— A humilhação que eu vi nos olhos dele... ele tentando ser forte pra gente, mas eu vi o medo. Eu vi a quebra. E não poder fazer nada, ter que seguir o maldito protocolo... isso tá me matando.
Taylor não disse nada. Ela apenas se aproximou e envolveu meu pescoço com os braços, colando o corpo no meu. O calor dela foi o primeiro alívio real que senti no dia.
— Você está fazendo tudo o que pode, Dom. — ela sussurrou, beijando meu pescoço. — Você é o porto seguro deles.
Ela ficou na ponta do pé e começou a distribuir beijos pelo meu maxilar, descendo para o meu pescoço. Senti a mão dela escorregar pelo meu peito ainda molhado. Minha respiração falhou. Segurei os pulsos dela, afastando-a levemente para encará-la.
— Tay... — Olhei nos olhos dela, preocupado. — Tem certeza? Até ontem você ainda estava destruída por causa da gravidez… o Elijah disse…
Ela revirou os olhos, impaciente, aquele fogo característico voltando a brilhar neles.
— Cala a boca, grandão, e me fode logo.
Arregalei os olhos. O sangue ferveu na mesma hora, uma mistura perigosa de desejo e daquela irritação deliciosa que só ela sabia provocar.
— Você sabe o quanto eu odeio esse jeito de falar. — rosnei, apertando a cintura dela e puxando-a contra mim.
— E você sabe que eu nunca vou mudar. — Ela empinou o queixo, desafiadora, roçando os quadris nos meus. — Se não puder lidar com meu jeito, eu sempre posso ir embora.

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