Capítulo 239 — Bem-vindo à Selva
José Alves
O solavanco do ônibus blindado do Departamento de Correções parou, e o som das correntes batendo no chão de metal foi o único aviso de que tínhamos chegado. Olhei para o Atlas, sentado ao meu lado no banco de aço. Ele estava pálido, mas mantinha o maxilar travado, tentando esconder o pavor. Ele não sabia o cheiro que aquele lugar tinha. Eu sabia. Cheiro de mofo, de medo suado e de violência contida.
— Chegamos. — murmurei, o som abafado pela grade que nos separava dos motoristas.
As portas traseiras se abriram, e a luz forte dos holofotes do pátio nos cegou momentaneamente. Guardas armados com fuzis gritavam comandos. Descemos, arrastando as correntes nos tornozelos.
Vi o carro do Dominic estacionado perto da entrada administrativa. Ele e Coletti já estavam lá fora, conversando com um homem grisalho de uniforme impecável.
Fomos guiados para a área de processamento. A humilhação padrão começou. Tirar a roupa. Ficar nu na frente de estranhos. Tossir. Abrir a boca. Vi o Atlas fechar os olhos por um segundo quando o guarda revistou suas roupas de grife e as jogou num saco plástico, entregando em troca o macacão laranja berrante e sapatos de lona baratos. Aquilo não era só segurança. Era para tirar sua identidade. Ali dentro, você não é um CEO. Você é um número.
Depois de vestidos, ainda algemados, fomos levados para uma sala lateral antes de sermos jogados na Ala C. Dominic estava lá, junto com o homem grisalho.
— Allan. — Dominic chamou o homem, a tensão visível nos ombros. — Esses são os rapazes.
O homem, Diretor Allan Dixon, nos analisou com frieza, mas sem maldade.
— Eu conheci o pai desse aqui. — Dixon apontou para o Dom. — Um homem honrado. Se você diz que o caso está com a Corregedoria e que o garoto aqui — ele apontou para mim — é informante federal, eu acredito.
— Preciso que fique de olho neles, Dixon. — Dom pediu, a voz baixa. — Tem gente lá dentro querendo a cabeça do Wilson.
Dixon suspirou, cruzando os braços.
— Vou fazer o que posso, Costello. Meus guardas na Ala C são de confiança, mas você sabe como isso aqui funciona. Eu mando nas muralhas e nos corredores. Mas dentro das celas... — Ele balançou a cabeça. — Ali é uma selva. E na selva, a lei é outra.
Ele olhou no relógio.
— Vocês têm cinco minutos. Depois, meus homens levam eles.
Dixon e Coletti se afastaram um pouco, nos dando privacidade. Dom nos olhou, e eu vi a dor nos olhos dele. Ele odiava nos deixar ali.
— O plano está em andamento. — Dom sussurrou rápido. — Snake já mexeu os pauzinhos lá dentro. Procurem pelo "Gigante" no pátio. Ele é o contato.
— Entendido. — respondi.
Dom segurou o ombro do Atlas.
— Fica vivo. Eu volto pra te buscar.
— Eu sei. — Atlas respondeu, a voz firme, embora eu visse a mão dele tremer levemente.
O tempo acabou rápido demais. Os guardas voltaram. O som das grades se abrindo ecoou como um trovão. Começamos a longa caminhada pelos corredores de concreto cinza. O barulho aumentava a cada passo. Gritos, batidas em metal, risadas insanas.
Aproveitei que o guarda estava alguns passos à frente e me inclinei para o Atlas, sussurrando urgente:

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