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Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 238

Capítulo 238 — Irmãos na Trincheira

Atlas Wilson

Ainda não parecia real. Eu estava sentado na cadeira de metal frio, as mãos algemadas a uma mesa aparafusada no chão, olhando para o espelho unilateral, mas tudo parecia um pesadelo grotesco do qual eu não conseguia acordar.

Fechava os olhos e a única coisa que via era o rosto da Samantha. Vermelho, banhado em lágrimas, a boca aberta num grito mudo enquanto o carro se afastava. O desespero dela era uma faca girando no meu estômago. Eu prometi protegê-la. Prometi que seríamos felizes. E agora ela estava sozinha, grávida, vendo o homem que ama ser tratado como um animal.

E tinha a Athena. Dom tinha me contado brevemente antes de sair da sala. Ela passou mal. Não aguentou quando soube que o José viria comigo. Minha irmãzinha... a menina que eu passei a vida tentando blindar do mal, quase morreu de novo por minha causa.

A culpa pesava mais que as correntes nos meus pulsos.

A porta de ferro se abriu com um rangido pesado. Levantei a cabeça rápido.

Noah e José entraram. Tentei levantar, o instinto de ir até eles falando mais alto, mas a corrente curta da algema me puxou de volta para a cadeira com um tranco metálico.

Noah não esperou. Em três passos largos, ele cruzou a sala, contornou a mesa e me puxou para um abraço brutal, ignorando as algemas, ignorando o protocolo, ignorando tudo.

— Noah... — Minha voz quebrou.

E pela primeira vez naquele dia interminável, a represa rompeu. Eu desabei. Enterrei o rosto no ombro do meu irmão, do cara que foi meu pai, meu mentor, meu melhor amigo, e chorei. Chorei como uma criança assustada. Chorei de raiva, de medo, de impotência.

Noah segurou minha nuca com força, me mantendo firme enquanto eu tremia.

— Eu tô aqui, irmão. Eu tô aqui. — ele sussurrava, a voz grossa embargada. — Solta tudo, Atlas. Pode desabar. Eu te seguro.

Ficamos ali por um minuto eterno. Dois dos homens mais poderosos de Nova York, abraçados numa sala de interrogatório suja, unidos pela dor. Quando finalmente me afastei, envergonhado pela fraqueza, Noah segurou meu rosto com as duas mãos.

— Escuta o que eu vou te dizer. — Os olhos verdes dele estavam ferozes. — Isso é uma fase. É um inferno, mas é uma fase. Vai passar. E eu vou garantir que passe o mais rápido possível. Eu vou mover o céu e a terra, Atlas. Eu vou comprar juízes, vou derrubar leis, vou fazer o diabo. Mas você vai sair de lá.

Assenti, engolindo o choro e tentando recuperar a postura.

Olhei para o lado. José estava parado perto da porta. O rosto dele estava inchado, os olhos vermelhos denunciando que ele tinha acabado de passar pelo mesmo inferno que eu ao se despedir.

— José... — chamei.

Ele se aproximou, estendendo a mão. Apertei a mão dele, puxando-o para um meio abraço desajeitado pelas algemas.

— Me desculpa, cara. — falei, olhando nos olhos dele. — Me desculpa por estar arrastando você e a Athena para isso. Eu nunca quis causar esse sofrimento.

José negou com a cabeça, sério.

— Esquece isso, Atlas. Nós somos família agora. E família luta junto. — Ele respirou fundo. — Eu prometi à sua irmã que te traria de volta. E eu vou cumprir.

Nesse momento, o celular no bolso do José tocou. Ele olhou o visor e atendeu imediatamente, colocando no viva-voz sobre a mesa.

— Fala, Hermanito. — A voz do Snake preencheu a sala.

— Snake. — José respondeu.

— É verdade então? — O traficante perguntou, o tom incrédulo. — Meus contatos disseram que você entrou na lista de transferência. Porra, Hermanito, tá querendo morrer? Voltar para aquele lugar por vontade própria?

— Estou fazendo pela família, Snake. — José respondeu curto. — Não tinha outro jeito.

Houve um silêncio do outro lado.

— Você tem culhões, garoto. Eu respeito isso. — Snake suspirou. — Escuta. Eu vou preparar o caminho. Tenho gente minha lá dentro, na ala C e no pátio. Eles vão saber que você está chegando. Vão ficar de olho.

— Obrigado, Snake. Isso vai ajudar muito.

— Não me agradeça ainda. Lá dentro é selva. Só... se mantém vivo, mi hermanito.

A voz do Snake soava sincera; parecia que o homem realmente gostava do meu cunhado.

A ligação encerrou. O clima na sala ficou ainda mais pesado com a confirmação do que nos esperava.

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