Capítulo 23 – Prezo a honestidade
Juliet Pierce
Já não basta ficar presa na lembrança do meu beijo com Noah, agora estava no do Chris. O que está acontecendo? Em que momento cheguei a isso?
Avisei a Samy que Noah viria nos buscar, mas assim como pedi para Christopher não contar a ninguém o que aconteceu, também não contei a ela sobre minha tarde agitada.
Ouvi meu celular apitar, fui até o criado e vi que era ele.
“Já estou aguardando.”
Segurei o celular, dei uma última olhada no espelho e depois segui para a sala. Meus bebês já estavam prontos para ir até a Celeste, me despedi deles e encontrei Samy no corredor.
— Por que Noah veio nos buscar? — Ela me perguntou confusa.
— Tivemos um momento hoje, e depois disso ele só avisou que viria.
— Vocês estão juntos? Tipo um casal?
— Não. — respondi sem hesitar. — Sabe bem o tipo de relacionamento que Noah tem. E não quero isso para mim.
Samy somente assentiu e descemos para ir ao encontro dele. Quando chegamos até seu carro, ele estava encostado na porta, braços cruzados e aquela presença que mostra bem quem ele é.
— Boa noite, meninas. — Ele disse em um tom sério.
Noah abriu a porta traseira para que Samy entrasse, ele não estava com o mesmo carro de mais cedo, ainda era um esportivo, mas esse era de quatro lugares. Abriu a porta para mim, e me acomodei.
A viagem foi silenciosa, e quanto mais perto chegávamos do clube, mais meu coração acelerava. Minha mente ia até Chris e sua promessa de vir ao clube, depois ia até Noah, que estava bem ao meu lado e eu não fazia ideia do que ele estava pensando.
Assim que paramos em frente à Paradise, Noah se virou para falar com Samy.
— Chegamos mais cedo e não precisa iniciar seu turno antes da hora, mas gostaria que nos deixasse a sós. — Ela olhou para mim, depois virou para ele.
— Tudo bem, senhor Noah, vou entrando.
Samy bateu a porta, e eu soltei meu cinto, e assim que fiz isso, Noah me puxou para o colo dele.
— NOAH!! — gritei, mas foi inútil. Ele me beijou.
A boca dele tomou a minha com tanta urgência que me arrancou o ar. Não houve espaço para protestos. Seu beijo era quente, exigente e, ao mesmo tempo, desesperado.
Noah me puxava para mais perto como se precisasse se perder em mim para se encontrar. Sua mão firme subiu pela lateral da minha coxa, apertando com força, enquanto a outra segurava minha nuca, guiando cada movimento.
Minha respiração se desfez no meio do beijo, e tudo em mim cedeu.
Meus dedos agarraram sua camiseta, e por um instante, achei que fosse perder o controle junto com ele.
Mas então... ele começou a desacelerar.
A urgência deu lugar a um toque mais lento, mais íntimo.
Ele não estava apenas me beijando, estava me sentindo.
Era como se estivesse tentando memorizar o gosto da minha boca, o som da minha respiração, cada pequena reação do meu corpo ao dele.
E eu percebi.
Noah queria gravar aquilo em si como se temesse que fosse a última vez.
Meu peito apertou.
E, no meio de tudo isso, Chris voltou à minha mente.
Não como comparação, não como dúvida.
Mas porque agora, estando com Noah, eu conseguia entender a diferença.
Com Chris, algo havia despertado.
Mas com Noah... não era um despertar. Era um reconhecimento.
Os sentimentos não surgiam como foi com Chris. Eles já existiam. Já estavam dentro de mim. E ali, naquele instante, eles transbordavam.
Noah era mais real do que tudo.
Quando nossos lábios se separaram, ele ficou ali, a testa colada à minha, o peito subindo e descendo contra o meu, como se também tentasse recuperar o fôlego... ou o juízo.

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