Capítulo 22 – Não fujo de uma briga.
Juliet Pierce
Ainda estava presa na lembrança do meu beijo com Noah, na aparição de Chris, e na mensagem repentina do senhor Blake de que viria me buscar, quando ouvi batidas na porta. E para minha surpresa diante de mim estava ele:
Christopher.
Ele pediu para conversar, então o deixei entrar.
Ver a interação dele com meus filhos, confesso que mexeu comigo. No primeiro momento estranhei, mas depois a sensação foi diferente, era como se algo tivesse aquecido em meu coração por saber que ele gostava dos meus bebês, e eles… dele.
Só que nossa conversa não foi muito amigável. E eu já disse que depois do George, eu nunca mais me permitirei ser aquela Juliet que não responde, que aguenta tudo calada, que se anula pelo outro e perde sua verdadeira essência.
Então o enfrentei, me impus e mostrei a ele que sou eu quem mando na minha vida.
Mas para minha surpresa, e desespero também... ele me beijou.
Seu corpo colou ao meu antes que eu pudesse pensar em me afastar. E o que era para ser um selinho raivoso ou apenas um gesto impensado, transformou-se em algo muito mais intenso.
A boca de Chris esmagou a minha com vontade, com fome. Ele não pedia licença, tomava.
E, céus... como esse homem sabia o que estava fazendo.
A mão dele encontrou minha cintura e, com uma força que não me causava medo, apenas calor, me ergueu do chão como se eu não pesasse nada.
Instantes depois, eu já estava grudada em seu corpo, sendo levada até o sofá da sala e ele se sentou comigo em seu colo. Minhas mãos escorregaram até a nuca dele, e instintivamente agarrei seus cabelos ali, puxando com força quando sua língua invadiu minha boca como se tivesse direito de estar ali.
Era possessivo. Intenso.
Chris me beijava como se estivesse marcando território, como se dissesse com cada movimento que eu era dele e de mais ninguém.
E eu... por um momento, me perdi nisso.
Me deixei levar por aquela onda quente que começou em meu ventre e se espalhou por cada parte do meu corpo.
Senti quando seus dedos se apertaram em minha cintura com mais força, nos aproximando ainda mais, e sua respiração contra minha pele parecia dizer que ele estava ali... inteiro, entregue.
— Ju... — ele murmurou contra minha boca, a voz rouca, trêmula. — Você não faz ideia do que provoca em mim...
Mas então...
Noah.
Seu nome surgiu na minha mente como um sussurro, um alerta.
Era por ele que meu coração acelerava. Era por ele que eu ficava sem ar com uma simples troca de olhares. Mas ao mesmo tempo o beijo com o Chris era quente, era desejado, era errado e certo ao mesmo tempo.
Minha mente ia até Noah, mas logo voltava ao momento com Chris.
— Chris... — tentei falar, mas nesse exato momento, algo mudou.
Ele me deitou no sofá, com o corpo sobre o meu, e seus olhos arderam com algo diferente. Seu lado racional desapareceu, e por um instante, vi outro homem. Havia um brilho neles, como se ele quisesse me provar, ou talvez me mostrar que naquele momento eu estava refém dele.
Meus braços foram erguidos acima da cabeça com firmeza. As mãos dele se fecharam em meus pulsos, os seguraram ali, prendendo-me com força, e seus olhos brilharam com um fogo que não combinava com carinho, mas com controle.
E então... ele apertou demais.
Forte o suficiente para disparar um alarme dentro de mim.
Meu corpo inteiro enrijeceu, e a palavra escapou de meus lábios antes que eu pudesse pensar:

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