Capítulo 228 — O Pior Pesadelo
Dominic Costello
— Bom te ver também, Dominic Costello.
Mantive meus olhos presos nos dele. Natanael Blake. O tio do Noah. O homem que deveria estar sendo vigiado 24 horas por dia. Quando esse desgraçado voltou de Londres?
Minha mente trabalhou rápido, ignorando o sorriso cínico dele. Como diabos o Gayer não viu que ele estava aqui? Nós colocamos um rastreador no celular dele. A equipe de segurança monitorava cada passo desse verme. Ele não deveria conseguir dar um espirro sem que nós soubéssemos.
— O que você está fazendo aqui, Natanael? — perguntei, fechando a porta atrás de mim e bloqueando a saída.
Natanael se levantou devagar, abotoando o paletó italiano impecável.
— Ora, Agente Costello... não sabia que precisava reportar meus passos ao FBI. — Ele olhou para o Smith, que parecia querer fundir-se com a cadeira. — Eu e o Chefe Smith somos velhos conhecidos. Vim apenas resolver um mal-entendido.
— Que tipo de mal-entendido traz um bilionário recluso para uma delegacia no meio de uma crise policial? — pressionei, dando um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dele.
Natanael não recuou, mas vi seus olhos vacilarem por um milésimo de segundo.
— Meu assistente, Henry. O rapaz tem o sangue quente. Se envolveu em uma briga de trânsito estúpida a duas quadras daqui e foi detido. — Ele suspirou, fingindo enfado. — Vim apenas garantir que ele tenha uma representação adequada e pagar a fiança. Coisas de patrão.
Era uma mentira. Ou uma meia-verdade muito conveniente. Henry preso justo aqui, justo agora?
— Coincidência interessante. — rosnei.
— O mundo é cheio delas. — Natanael sorriu e fez menção de passar por mim. — Agora, se me dá licença, tenho negócios a tratar.
Eu queria prendê-lo ali mesmo. Queria arrastar a cara dele no asfalto só de lembrar da forma como tratou minha mulher naquele maldito jantar. Queria levá-lo a uma sala e interrogá-lo do jeito que gosto sobre todas as “coincidências da vida.” Mas eu não tinha nada. Nenhuma prova concreta que o ligasse à prisão do Atlas ou ao David. Ainda.
Dei um passo para o lado, liberando a passagem, mas mantendo meus olhos fixos nos dele.
Natanael parou com a mão na maçaneta. Ele olhou para mim por cima do ombro, com aquele ar de superioridade que me dava náuseas.
— A propósito... sua namorada, como ela chama mesmo? Aquela moça... desastrada.
Senti meu corpo tencionar.
— Noiva. — corrigi, a voz saindo como um aviso letal. — O nome dela é Taylor.
Natanael soltou uma risadinha de escárnio.
— Claro, noiva. Enfim... diga a ela que me deve um aparelho celular novo.
Franzi a testa.
Natanael enfiou a mão no bolso interno do paletó e tirou um smartphone de última geração, mas novinho em folha.
— Aquele que ela derrubou a bebida... — Ele fez uma pausa teatral. — Apresentou alguns... defeitos irreparáveis logo depois. Tive que trocá-lo imediatamente e descartar o antigo. Uma pena. Perdi muitos dados.

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