Capítulo 227 — O tabuleiro
Dominic Costello
A delegacia central estava um caos, como sempre, mas o silêncio que caiu quando eu e Chris cruzamos a porta giratória foi imediato. O peso da minha insígnia federal e a presença imponente do Chris ao meu lado abriram caminho entre os oficiais locais.
Avistei Coletti e Gayer no canto do saguão, conversando baixo, longe dos ouvidos curiosos. Coletti, meu braço direito na agência, tinha a postura rígida de quem estava em alerta máximo. Gayer, o chefe de segurança do Noah, parecia uma estátua de pedra, mas seus olhos varriam o perímetro sem parar.
Caminhamos até eles.
— Situação. — exigi, sem rodeios.
— Atlas já foi processado. — Coletti respondeu de imediato, entregando-me uma prancheta com o relatório preliminar. — Tiraram as fotos, colheram as digitais. Ele está na cela de triagem, isolado por enquanto. Mas a movimentação aqui está estranha, Chefe.
— Estranha como? — Chris perguntou, cruzando os braços.
— Vi uns caras rondando a entrada lateral. — Gayer interveio, a voz grave. — Não são imprensa. Têm o perfil de olheiros de gangue. Eles já sabem que o Atlas está aqui. A notícia correu rápido onde não devia.
Trinquei o maxilar. A mensagem do Snake não era blefe. A cabeça do Atlas já estava a prêmio antes mesmo dele vestir o macacão laranja.
— E sobre o David? — perguntei para o Gayer. — Algum rastro daquele rato?
— Encontramos o buraco onde ele está se escondendo. — Gayer respondeu, e vi um brilho de satisfação nos olhos do Chris. — Um motel de beira de estrada na saída para Jersey. Mas tem um problema. O lugar é vigiado. Se chegarmos com tudo, ele foge ou alguém apaga ele antes de falarmos. Precisamos de alguém que entre lá sem levantar suspeitas, alguém que o faça sair da toca.
— Snake. — Chris disse o nome antes mesmo de eu pensar.
— Exato. — Gayer concordou. — Snake tem acesso a esses lugares. Mas ele é arisco. Ele não vai colaborar com a minha equipe e muito menos com os federais se não for do interesse dele.
— Ele respeita você, Chefe. Respeita o Lawson. — Coletti pontuou.
— Respeito é uma coisa, confiança é outra. — Chris balançou a cabeça. — Snake só confia em uma pessoa desse nosso círculo. No "Hermanito".
— José. — falei, suspirando. O garoto estava se tornando a peça central de todo esse tabuleiro.
— Se quisermos pegar o David vivo para provar a inocência do Atlas, precisamos do José para intermediar com o Snake. — Gayer concluiu.
— José está no hospital, cuidando da irmã do Atlas. — informei, tomando uma decisão rápida. — Gayer, vá até lá. Agora. Explique a situação para ele. Diga que precisamos do Snake. O José vai saber o que fazer.
— Entendido. — Gayer assentiu e saiu em direção à saída, movendo-se com a eficiência letal que o Noah pagava caro para ter.
Virei-me para o Coletti.
— Eu preciso ganhar tempo. O juiz já assinou a transferência do Atlas para o presídio estadual, mas eu não posso deixar ele ir sozinho. Preciso colocar o José no mesmo transporte, como infiltrado.
— Já pensou sobre qual caso, Chefe? Não podemos deixar eles concluírem que é pessoal para você.

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