Capítulo 225 — Eu volto, amor
Atlas Wilson
Eles estavam chegando. Os policiais estavam a poucos metros da gente. Eu ia ser preso. Fui traído por quem eu estendi a mão um dia. Dominic foi tirando a algema do cinto; ele iria levar José assim como eu seria levado.
— Não! — falei, colocando minha mão sobre a dele com firmeza. — Agora não, Dom. Athena vai acordar em breve, e… já vai ser um baque para Samantha me ver sendo levado. Ver o irmão indo junto vai ser sofrido demais.
Dominic concordou, parando o movimento, mas José negou com a cabeça, tenso.
— Você não pode entrar lá sozinho, Atlas.
— E não vou! — rebati, encarando-o. — Eu sou advogado, conheço meus direitos. Mesmo que já esteja certa a minha transferência, eles precisam primeiro me levar à delegacia, formalizar minha prisão e depois me encaminhar para o presídio. — Respirei fundo, tentando colocar ordem no caos. — Você vai ter tempo para se despedir delas por mim e por você. Mas agora, a Sammy precisa do irmão aqui fora.
Antes que José pudesse protestar, os passos pesados pararam na nossa frente. Eram três oficiais. O da frente, um sargento com cara de poucos amigos, ia abrir a boca, mas seus olhos caíram sobre o distintivo no cinto do Dominic e depois subiram para o rosto dele.
Ele travou.
— Chefe? — O homem perguntou, a postura mudando de ataque para respeito imediato.
— Oficial. — Dominic respondeu seco, com aquela autoridade fria que ele só usava em campo.
— Senhor, temos um mandado de prisão preventiva para Atlas Wilson. — O oficial explicou, mas agora hesitante. — A ordem veio de cima. Homicídio duplo.
— Eu sei do mandado. — Dom deu um passo à frente, bloqueando a visão deles sobre mim. — O meu irmão... — Ele enfatizou a palavra, e eu vi o oficial engolir em seco. — ...vai se entregar sem resistência. Ele é inocente, e isso será provado. Mas a situação aqui é delicada.
— Senhor, o procedimento... — o oficial tentou argumentar.
— O procedimento pode esperar cinco minutos. — Dominic cortou. — Ele acabou de ver a irmã ser entubada na UTI após uma parada quase fatal. A noiva dele está grávida de risco ali na lanchonete. Vocês vão aguardar na viatura lá fora. Eu mesmo encaminho o Atlas até vocês assim que ele se despedir da irmã e da mulher.
— Chefe, eu não posso... o Smith disse que era imediato.
Dominic não discutiu. Ele pegou o celular, discou um número e colocou no ouvido, mantendo o contato visual com o oficial. Falou três frases curtas, ríspidas, e desligou.
Segundos depois, o rádio do oficial chiou. Ele atendeu, ouviu, e a cor sumiu do rosto dele.
— Certo, senhor. Entendido.
Ele olhou para o Dominic, assentiu respeitosamente e fez um sinal para os outros dois.
— Vamos esperar na saída de emergência. Cinco minutos.
Assim que eles viraram as costas, soltei o ar que nem sabia que estava prendendo.
— Obrigado, Dom. — murmurei.
— Não me agradeça. — Ele guardou o celular, os olhos cheios de dor. — Vai. Se despede dela.
Fui até o balcão da UTI. A enfermeira chefe me barrou.
— Senhor, o horário de visitas acabou.
— É a minha irmã. — falei, a voz embargada. — Eu só preciso de um minuto. Eu não vou poder voltar amanhã.
— Sinto muito, senhor, mas são regras.
Dominic colocou o distintivo no balcão de vidro com um baque suave.
— É uma despedida, enfermeira. Deixe ele entrar. Por favor.
A mulher olhou para o distintivo, para o meu rosto devastado, e assentiu devagar, abrindo a porta.
Entrei no box de vidro sozinho. O som do monitor cardíaco era a única música ambiente. Athena parecia dormir, serena, apesar dos tubos.
Aproximei-me da cama e segurei a mão dela, beijando os dedos finos.
— Oi, garotinha... — sussurrei, sentindo as lágrimas queimarem meu rosto. — Me perdoa, minha irmãzinha. Me perdoa por tudo. Por não ter visto que você estava sem seus remédios... por ter brigado com você por causa do José.
Passei a mão no cabelo dela, ajeitando os fios castanhos.
— Eu entendo agora. — continuei, a voz falhando. — Entendo por que você e a Sammy gostam tanto dele. O José... ele é um bom homem. Ele te ama de verdade. E me dói, garotinha... me dói saber que eu vou arrastar ele para o inferno comigo. Mas eu prometo que vou trazê-lo de volta. Eu vou cuidar dele lá dentro, assim como ele vai cuidar de mim.
Apertei a mão dela uma última vez.
— Fica forte. Quando você acordar, eu não vou estar aqui. Mas eu te amo. Nunca esqueça disso. Você é um pedaço de mim, e é a minha melhor parte. Sempre foi. — Dei um último beijo em sua testa. — Te amo…
Saí da UTI sentindo que deixava um pedaço do meu coração ali. Encontrei os rapazes no corredor e fomos em silêncio até a lanchonete.
Quando entramos, a primeira coisa que vi foi o sorriso da Samantha. Ela estava sentada com a Jenny e a Penelope, acariciando a barriga. Mas o sorriso dela morreu assim que viu meu rosto e olhou para o restante dos caras.
Ela sabia. Ela sempre sabia.
— Atlas? — Ela se levantou com dificuldade, a mão na barriga por instinto.
Caminhei até ela rápido e a puxei para os meus braços, escondendo meu rosto no pescoço dela, inalando o cheiro de casa, de amor, de vida.
— Oi, meu amor. — sussurrei, apertando-a contra mim como se quisesse fundir nossos corpos.
— O que foi? — A voz dela tremeu. — A Athena piorou?
— Não. — Afastei-me o suficiente para segurar o rosto dela com as duas mãos. — A Athena está estável. Ela vai ficar bem.
— Então por que você está me olhando como se... — Ela parou, os olhos enchendo de lágrimas. — Atlas, o que houve?
— Eu preciso ir, Sammy. — A frase saiu rasgando minha garganta. — Aconteceu uma coisa… uma denúncia e… eu preciso ir.
— Que denúncia? Você disse que estava tudo bem.
— Eu pensei que estava, amor, mas me enganei.
— Não! — Ela agarrou minha jaqueta. — Não, Atlas! Por que vão te levar agora? Diz pra eles que vamos depois, e você explica tudo que tiver que explicar.
Sorri, mas sem humor algum.
— Meu amor, eu não estou indo depor. Estão me levando preso.
— NÃO!! Atlas, não!
Tentei sorrir, mas deve ter saído uma careta de dor.
— É temporário, amor. É só até provarmos a minha inocência.
— Eles não podem te levar! Eu estou grávida! A sua irmã está na UTI! — Ela começou a chorar alto, um choro de desespero que atraiu olhares na lanchonete. — Pelo amor de Deus, Atlas, não vai!
— Eu te amo. — Beijei a boca dela com urgência, com sal e lágrimas. — Cuida do nosso filho. Cuida da Athena. Eu te amo mais que minha vida.
Não podia prolongar isso; precisava ir logo, ia ser o melhor. Afastei-me dela, sentindo como se estivesse arrancando minha própria pele. Ela tentou vir atrás, mas José a segurou pelos ombros, abraçando-a por trás.
— José, cuida dela. — pedi, com um olhar que dizia muito mais. Era um claro: “Cuida dela até você vir me encontrar.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar