Capítulo 224 — O Peso da Insígnia
Dominic Costello
Eu passei a noite em claro. Taylor ainda estava sofrendo pelo nosso bebê. Mesmo ela se fazendo de forte, era só olhar dentro dos olhos dela e eu via a dor crua, sangrando. Antes mesmo do sol nascer, Coletti me ligou, e a ligação não trouxe boas notícias.
“Atlas Wilson será preso ainda hoje.”
Já estávamos rastreando o David. Eu sabia sobre os encontros dele com o cara da homicídios e alertei o Atlas sobre isso. Mas agora era tarde. Meu amigo vai ser preso e não vou conseguir impedir. Mas posso lutar pela sua inocência e não irei descansar até isso acontecer.
E como se nossos problemas fossem poucos, fiz uma rápida lista mental do caos que nos cercava: a porra do tal Drácula. David. George chantageando o pequeno Heitor. O menino querendo “dormir” como se isso fosse refúgio. Atlas sendo caçado. Athena, nossa garotinha, entubada no hospital.
Agora, tenho José na minha frente, me encarando com uma determinação suicida, me pedindo para colocá-lo no presídio com Atlas.
— Você tem noção do que está me pedindo? — questionei, passando a mão pelo rosto, exausto. — José, isso não é um passeio no parque. Uma vez lá dentro, eu não posso garantir sua segurança. Você vai entrar no sistema como um criminoso. Isso mancha sua ficha pra sempre.
— Eu não tenho ficha limpa pra manchar, Dom. — José retrucou, seco. — E não temos tempo pra pensar nisso. A mensagem do Snake foi clara. Se o Atlas entrar sozinho, ele é um homem morto.
— Não! — Atlas interveio, a voz rouca. — Eu não vou deixar você fazer isso. Você me prometeu, José! Você prometeu cuidar da Athena e da Sammy. Prometeu estar aqui para o meu filho. Como pode voltar atrás minutos depois?
— Não estou voltando atrás, cara. E eu estou cumprindo a promessa, porra! — José se virou para o Atlas, alterado. — Cara, você é meu cunhado, te respeito, mas é por elas mesmo que estou fazendo isso, não por você. Se você morrer lá dentro... a Sammy morre aqui fora. A Athena morre aqui fora. Elas não aguentam perder você. Eu protejo você lá dentro para garantir que elas tenham você de volta inteiro.
Atlas abriu a boca para rebater, mas Chris se colocou entre eles.
— O José está certo. — Chris disse, com aquele tom de Boss que não aceita discussão. — Eu estou com ele nessa. Irmão, ou a gente te tira daqui agora e te esconde em algum buraco até o julgamento, ou colocamos o José com você lá dentro. Não tem terceira opção, Atlas. Os caras lá dentro não brincam, e pelo visto o cretino do Drácula também não.
— Isso é loucura... — Atlas murmurou, balançando a cabeça. — Arrastar ele pro inferno comigo... é loucura.
— É suicídio. — concordei, sentindo o peso da minha insígnia no cinto. — Eu sou um agente federal. Vocês estão me pedindo para forjar uma prisão. Isso é crime federal.
O corredor ficou em silêncio. A tensão era palpável.
— Então me coloca como infiltrado, trabalhando com a justiça. — José disse, e eu olhei para ele, surpreso e irritado ao mesmo tempo.
— Como sabe sobre isso?
José riu para minha pergunta, um riso sem humor.
— Ajudei um cara de vocês uma vez enquanto estive por lá. E o Snake é bem entendido dessas coisas de polícia e FBI. Muita coisa sei por ele também.
— Isso pode dar certo. — Chris falou, olhando para mim com expectativa.

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