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Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 223

Capítulo 223 — O Sacrifício

José Alves

Depois da morte da minha mãe, o dia mais triste da minha vida foi quando vi a Samantha destruída na casa do Atlas por minha causa. Depois disso, nós dois nos entendemos, eu decidi mudar por ela e pensei que nunca mais sofreria daquela maneira.

Mas eu não podia estar mais enganado. Porque hoje, a dor que estou sentindo desde o instante que vi Athena passando mal, até esse momento em que estou segurando a mão dela, é surreal.

Não é só dor. É destruição. Medo. Desespero.

Pensei que Atlas me deixaria de fora da visita. Mesmo sofrendo, eu não bateria de frente com ele; respeitaria o momento da minha princesa. Mas, para minha surpresa, ele me deixou vir. Ele também me agradeceu. Me respeitou. Me tratou até como um igual. Coisa que ele nunca havia feito antes.

Só que não foi só isso. Ele também me obrigou a fazer promessas. Eu cumpriria o que ele estava pedindo, porque envolvia minha família, as mulheres da minha vida e meu sobrinho. Mas a questão é que eu sabia o motivo do pedido. Eu soube antes da Athena passar mal, quando meu celular apitou e recebi uma mensagem do Snake.

“Seu cunhado na mira dos tiras”

Athena passou mal, a confusão se instalou e não falamos sobre isso. Até agora.

— E por você.— eu disse.

— Por mim? — ele perguntou confuso, ecoando minha promessa anterior.

— Sei sobre os tiras. — respondi, ainda com os olhos presos em Athena, acariciando os dedos dela. — Snake me mandou uma mensagem na hora que a Athena foi atrás de você lá no quarto.

— E como o Snake sabe?

Sorri sem humor. Beijei a mão da minha garota e a coloquei com cuidado em cima da cama, depois me virei para ele.

— Do mesmo jeito que o Chris já deve saber. Esses caras têm “gente” na polícia, Atlas. Eles sempre sabem de tudo.

A porta se abriu e uma enfermeira nos avisou que precisávamos sair. Atlas deu um beijo na testa da irmã, demorando mais do que o necessário, como se estivesse se despedindo. Depois me deu espaço.

Abaixei o rosto bem próximo do dela.

— Oi, mi amor… — falei em um sussurro, sentindo o cheiro dela sob o antisséptico do hospital. — Você me deu um puta susto, princesa. Vamos ter que conversar sobre isso depois. — Encostei meu nariz no dela, roçando de leve. — Só acorda logo, amor. Eu vou estar aqui te esperando.

Encostei minha testa na dela por um segundo, absorvendo o calor, até a enfermeira me lembrar mais uma vez que o tempo tinha acabado. Despedi-me dela e fui atrás de Atlas, que me esperava no corredor, os braços cruzados e o olhar perdido.

— José. — ele disse, segurando meu braço quando tentei passar. — Não vamos falar nada para sua irmã por enquanto. Dom disse que iria descobrir sobre o mandado e falar com um advogado amigo nosso. As provas são forjadas, mas sei que serei preso até o julgamento, até minha inocência ser provada. Eu conheço a lei.

— Eu também conheço, Atlas. Já fui para aquele lugar e sei bem como funciona. — Retruquei, sentindo o gosto amargo da lembrança na boca. — Assim como sei que eles não vão respeitar minha irmã grávida, nem sua irmã no hospital. Então é melhor a gente agir logo.

— Como assim? — ele me perguntou, confuso.

— A gente precisa te esconder, até conseguir o que te inocenta. Eu conheço gente, eu posso te ajudar nisso. É só você falar que aceita que te tiro daqui agora.

— Enlouqueceu? — Ele perguntou, furioso, a postura rígida de quem nunca quebrou uma regra voltando. — Eu não sou um criminoso. Então não agirei como um!

— Já esteve em um presídio antes, Atlas? — perguntei irritado, a raiva pela ingenuidade dele subindo. — Porque eu já! Isso aqui… — Apontei para a cicatriz fina e branca embaixo da minha costela. — Foi porque não quis dormir no chão mijado. O cretino tentou me esfaquear com um pedaço de espelho. — Levantei a manga da jaqueta do Chris, apontei para o braço. — Essa… foi porque minha irmã tinha me levado uma blusa nova e o cara a queria porque disse que “ficava melhor nele”.

Atlas me olhava com os olhos arregalados, o brilho da fúria diminuindo.

— Sabe por que fiz essa tatuagem no pescoço? — perguntei, tocando a tinta preta na minha pele, mas não esperei resposta. — Porque o chefe de uma das gangues lá de dentro queria que eu abaixasse para “pegar o sabonete”. Eu me recusei.

Atlas engoliu em seco, entendendo bem o que aquilo significava.

— Ele pegou um arame, enrolou no meu pescoço. — Fechei a mão em punho com a nitidez daquela lembrança. O cheiro de sangue, o cretino me sufocamento. — Ele deu três porras de voltas com um arame no meu pescoço e puxou. — Um sorriso sádico brincou nos meus lábios. — Meu pescoço ficou cheio de cicatrizes. Mas ele? Ficou sem um olho.

Meu cunhado ficou sem palavras por um momento, processando a brutalidade do mundo que o esperava.

— Então pensa bem, Atlas. Eu nunca revidei nenhum soco seu. Mas lá... os caras vão revidar. E eles são muitos. Você realmente está preparado pra passar por tudo isso?

— Eu não posso simplesmente sumir. O Dom disse...

— Dominic é FBI, Atlas! Ele sempre vai ir pela lei! — cortei.

— Não consigo… eu não consigo fugir.

Fechei a distância entre nós e coloquei a mão no ombro dele, apertando.

— Consegue, cara. Se não quiser fazer por você, faz pela sua irmã. Pela minha irmã.

— José, se eu fujo, eu assumo que sou culpado. E eu não sou. Eu vou provar.

Passei a mão no cabelo, frustrado. Como alguém podia ser tão teimoso e burro desse jeito? Atlas encostou na parede e abaixou a cabeça. Pude ver o peso do mundo que ele estava carregando naquele momento.

Caminhei até ele e encostei na parede ao seu lado.

— Sei que a Sammy te contou da minha prisão, mas ela falou o motivo?

— Não.

— Depois que a minha mãe morreu, eu fiquei mais revoltado do que já era. Virei vapor do Snake e me destaquei rápido. Ganhava dinheiro fácil e gastava tudo numa noite, com mulher, droga e bebida. — Atlas me ouvia atentamente. — Um dia, estava em uma boate gastando meu dinheiro, duas mulheres no meu colo. Teve uma batida. Eu não tinha droga comigo, não tinha passagem e estava só gastando meu dinheiro. Eu não fugi. Porque eu não era o culpado.

Balancei a cabeça, incrédulo com a própria estupidez do passado.

— O policial colocou o cano na minha cara e só disse “vamos”. Peguei três anos sem ter culpa, Atlas. Vivi um inferno. Samantha sofreu pra caralho para me manter vivo naquele lugar. Eu fiz coisas que não me orgulho pra manter o resto da minha dignidade.

Desencostei da parede para encará-lo.

— Não é você fugir ou ficar que vai provar sua inocência. São as provas! E nesse momento você não as tem. Então te pergunto de novo, Atlas: e aí? É só me falar que sim e eu te tiro daqui.

Antes que Atlas pudesse responder, passos apressados ecoaram no corredor.

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