Capítulo 222 — Por elas…
Atlas Wilson
Fui atrás da minha irmã e lavei minha alma com o murro que dei em José. Mas logo em seguida minha alma escureceu novamente, primeiro com a ligação do Dom.
“Houve uma denúncia formal, e com provas contra você. Pelo homicídio do seu pai e da amante.”
O chão se abriu ali mesmo. David. Só podia ser ele.
Mas o universo não ficou satisfeito em abrir o chão, ele quis me puxar para as profundezas de uma vez. José estava com minha irmã no colo, ela gemeu e ali eu entendi.
— Ela precisa de um hospital. AGORA!! — foi tudo que eu disse antes de corrermos, e naquele momento começou o maior pesadelo da minha vida.
O pesadelo de perder a minha irmã como perdi minha mãe.
Eu dirigi como um louco, sofri como um condenado e tive medo como uma criança que é esquecida no parque pelos pais. E quando eu ouvi:
“Crise adrenal aguda, doutor.”
Eu desabei… eu realmente estava perdendo minha irmã. Toda minha proteção, todo o esforço de anos foi por água abaixo. Minha irmã estava indo, assim como a minha mãe, o corpo dela estava cedendo.
Estava me sentindo tão pequeno, tão inútil, mas quando olhei para o lado e vi a forma como José estava sofrendo, o desespero dele palpável como o meu, eu ri internamente com ironia. Eu não sofria sozinho; o cara que eu jurei para mim mesmo odiar por tudo que ele fez à minha mulher, era o único que eu tinha certeza que, nesse exato momento, me entendia.
— José. — eu o chamei com dor, não com raiva. — Eu não vou suportar perder minha irmã.
Ele me olhou, e o olhar dele penetrou a minha alma, tamanha a dor que eu vi ali.
— Nem eu, cara… nem eu.
Voltamos a encarar os médicos trabalharem lá dentro, até que ouvi alguém nos chamar.
— ATLAS, JOSÉ!! — era Samantha, junto do Declan e o Chris.
Minha mulher me abraçou, me beijou e eu desabei nos braços dela.
— Tô aqui amor, vai ficar tudo bem. Ela vai ficar bem. — ela disse, a voz abafada no meu ombro. — Eu te amo, meu amor. Acredita em mim, ela vai ficar bem. — Sammy dizia para me acalmar.
Quando nos separamos, ela olhou para José, que estava tão ruim quanto eu. Mas a aparência dele estava pior. José estava com o rosto machucado pelo soco, de bermuda, sem camisa, descalço e com os olhos vidrados de dor.
— José, o que aconteceu? — minha mulher perguntou, colocando a mão no rosto dele.
— Não foi nada, Sammy, eu tô bem. — ele disse com a voz baixa.
— Vou pedir para alguém trazer uma camiseta e algo para colocar no pé. Está uns dez graus lá fora.
— Não se preocupe comigo. — ele disse, colocando a mão na barriga dela. — Lembra que precisa evitar ficar nervosa.
— E aí, irmão, como estão as coisas? — Declan perguntou, parando ao meu lado.
— Ela colapsou. — falei, sentindo uma dor insuportável no peito. — O corpo dela não aguentou a falta de remédios.
— E por que ela estava sem? — Chris perguntou preocupado.
— Gina me disse que o laboratório atrasou na fabricação dos remédios dela. Três dias… minha garotinha está há três dias sem remédios e simplesmente não me contou.
— Cara, ela está vendo como as coisas andam, talvez ela só não quis te preocupar. — Declan disse, querendo justificar.
— Não quis me preocupar e agora está lá dentro lutando pela vida. — Senti a voz falhar. Eu não vou aguentar… não vou aguentar perder minha irmã.
A porta se abriu e um dos médicos saiu lá de dentro. José e eu corremos até ele ao mesmo tempo.
— Parentes de Athena Wilson? — ele perguntou, tirando a máscara cirúrgica e revelando uma expressão cansada, mas não de derrota.
— Eu sou o irmão. — dei um passo à frente, sentindo a mão da Sammy apertar meu braço. — E ele é o namorado. Como ela está? Ela está viva?
O médico soltou um suspiro longo e assentiu.
— Sim, ela está viva. Conseguimos estabilizá-la.
Senti meus joelhos fraquejarem. José soltou o ar com tanta força que parecia que ele estava prendendo a respiração desde que saímos do apartamento. Sammy começou a chorar de alívio, e foi amparada por o Chris.
— Explique, doutor. — Declan pediu, assumindo a postura prática, já que eu estava emocionalmente comprometido. — O quão grave foi?
— Foi uma tempestade perfeita, infelizmente. — O médico olhou para a prancheta e depois para nós. — A interrupção abrupta dos corticoides causou uma insuficiência adrenal aguda. Basicamente, o corpo dela parou de produzir o hormônio necessário para manter a pressão arterial e o funcionamento cardíaco sob estresse. Somado a isso, o fígado comprometido não conseguiu liberar glicose, levando à hipoglicemia severa e à convulsão.
Ele fez uma pausa, olhando seriamente para mim.
— Se vocês tivessem demorado mais dez minutos para trazê-la, o coração dela não teria aguentado. O choque estava evoluindo muito rápido.
Engoli o gosto amargo da bile. Dez minutos. Minha irmã esteve a dez minutos da morte enquanto eu estava preocupado em brigar com o José.
— O que fizeram? — José perguntou, a voz rouca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar