Capítulo 219 — O Preço do Silêncio
Atlas Wilson
A reinauguração da Paradise foi movimentada. Tivemos duas cerimônias, novas adesões e o Ambrose apareceu para nos prestigiar. Minha mulher queria trabalhar, mas ela e Penelope já tinham me ajudado muito para fazer essa noite acontecer, então tudo que eu queria era que ela ficasse sentadinha, descansando e esperando a noite acabar.
Assim que a noite acabou, como havíamos combinado, demos uma passada no hospital para ver o Heitor e dar uma força pra Ju e Noah. Nossas mulheres ficaram com a Ju no quarto e nós quatro seguimos até a lanchonete.
Noah estava furioso, querendo acabar com George, mas Dominic o tinha segurado com a promessa de que colocaria o cretino atrás das grades. Já o Chris dizia que tudo isso era besteira e que já tinha colocado gente na cola do George, que o maldito não iria mexer com nosso pequeno e achar que sairia impune.
Aquela conversa de macho alfa se estendeu por mais alguns minutos até que meu celular vibrou em meu bolso. Era o Bob.
“Senhor Wilson, a senhorita Athena vai passar a noite no apartamento do José. Estou no apartamento da senhora Cece, também ficarei por aqui.”
Meu sangue ferveu tanto que cheguei a ver vermelho.
— Tudo bem, cara? — Declan perguntou.
Antes que eu respondesse, Samantha apareceu na lanchonete. E quando meus olhos encontraram os dela, eu entendi. Ela sabia.
— Você sabia? Sobre eles? — perguntei ríspido, e ela só assentiu. — Vamos embora. — eu disse a ela com a voz firme.
— Vou me despedir das meninas. — Samantha disse, voltando para o corredor.
Noah, me conhecendo bem, colocou a mão no meu ombro.
— Lembra, cara, ela é sua mulher, mãe do seu filho, e não pode controlar o irmão.
— Você também sabia? — perguntei irritado para ele.
— Sammy contou para a Ju que desconfiava deles. O momento agora foi pura dedução, e pelo visto não estou errado.
— Minha irmã está no apartamento daquele maldito. Vai dormir lá!
— Cara, Athena não é mais criança. — Declan disse.
— Mas vive sob o meu teto.
— Viver no seu teto não te torna dono dela. — Chris rebateu. — Irmão, te disse antes e digo agora: não sou fã número um do cara, mas ele está tentando, e é seu cunhado.
— Duas vezes. — Declan disse com um sorriso, e eu o fulminei com os olhos. — Desculpa, cara, não quis perder o timing.
— O Chris está certo, Atlas. — Noah disse sério. — Athena é sua irmã, não sua propriedade para que você decida o que ela pode ou não fazer.
— Eu só a estou protegendo. — rebati.
— Não, você está impondo. — Declan disse. — Escuta, irmão, a gente tá aqui para você sempre, mas temos um combinado, lembra? Se um faz algo exagerado, os outros alertam. Isso é um alerta. Você está exagerando. Athena tem o direito de fazer e viver suas próprias escolhas.
— Deixa ver se entendi: meus amigos, meus irmãos de uma vida, acham que devo ver minha irmã se envolver com um marginal, interesseiro e aproveitador... e ficar calado?
— Calado não, mas respeitar a escolha dela. — Chris disse.
— Respeitar? — perguntei com ironia.
— Sim. — ele retrucou. — Se a escolha for boa ou ruim, cabe a ela descobrir. E não a você decidir por ela.
— Atlas… — a voz do Noah chamou minha atenção. — Dá uma chance para a Athena. Ela não é mais uma criança. E se você não mudar seu jeito com ela hoje, vai afastá-la. É isso que você quer?
As palavras do Noah me atingiram. Eu odiava o José, mas eu odiaria mais ainda ver minha irmã se afastar.
— Estou pronta. — A voz da Samantha chamou minha atenção.
Me despedi dos caras e fomos embora. A viagem até nosso apartamento foi silenciosa. Samantha suspirava a cada cinco segundos e aquilo começou a me irritar, mas não disse nada. Chegamos em casa e fomos direto para o quarto; ela tirou a roupa e foi para o chuveiro, eu fiz o mesmo.
Dividimos o box ainda em silêncio. Notei que os ombros dela estavam tensos e acabei não resistindo. Peguei um dos óleos de banho dela e comecei a massageá-la.
— Relaxe, amor. — sussurrei perto do ouvido dela, sentindo o cheiro de baunilha e vapor. — O dia acabou. Ninguém precisa de nós agora.
Minhas mãos grandes trabalhavam nos nós dos ombros dela, descendo pelas costas, contornando a cintura que agora abrigava nosso filho. Samantha soltou um gemido baixo, inclinando a cabeça para trás, apoiando-se no meu peito.
— Atlas... — ela suspirou, e eu senti a mudança na respiração dela.
Não precisávamos de palavras. Virei-a de frente para mim, a água morna caindo sobre nós. Minha mão foi para o pescoço dela, não apertando, apenas segurando, reivindicando. Beijei-a com fome, com a necessidade de apagar o caos do dia e focar na única coisa que me mantinha são.
Minha mão desceu pelo ventre dela, depois escorregou para o meio das pernas. Toquei-a ali, e ela já estava pronta para mim.
— Tão molhada para o seu homem... — murmurei contra a boca dela, deslizando os dedos, ouvindo-a arfar.
Ela levou a mão ao meu membro, acariciando, me provocando, mas quando eu ameacei entrar nela ali mesmo, contra os azulejos, ela parou. Sammy se ajoelhou na minha frente, ignorando a água, e me levou à boca. A visão dela ali, submissa, me venerando, quase me fez perder a cabeça. Segurei os cabelos dela, ditando o ritmo, mas quando eu estava prestes a explodir, puxei-a para cima.
— Não aqui. — rosnei, desligando o chuveiro. — Hoje eu preciso de mais.
Enrolei-a na toalha e a levei para o quarto, mas não paramos na cama. Caminhei até o fundo do quarto, abri a cortina e a porta que ficava ali.
O Red Room. Nosso santuário.
O cheiro de couro e cera preencheu o ambiente. A iluminação vermelha baixa dava o tom. Samantha entrou na minha frente, deixando a toalha cair. Ela conhecia as regras.
— Palavra de segurança? — perguntei, trancando a porta atrás de nós.
— Café. — ela respondeu, os olhos brilhando de expectativa.
— De joelhos. — ordenei suavemente.
Ela obedeceu. Caminhei até ela, acariciando seu rosto.
— Hoje você vai ser minha, Samantha. Completamente minha.

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