Capítulo 215 — E ai de quem
Athena Wilson
Chegamos do shopping radiantes com a notícia da gravidez da Penny e carregadas de presentes para todos os meus cinco sobrinhos. Mas a nossa felicidade durou pouco quando Jen nos contou sobre Tay e o bebê.
Sammy ficou desolada; ela e Taylor criaram um vínculo forte. Penny se sentiu mal em comemorar a própria felicidade. Eu enviei uma mensagem, com uma frase que ouvi de um professor uma vez: “A geada dói, mas é ela que prepara a terra. Sua flor ainda virá, Tay… fica bem.”
Taylor visualizou, mas a resposta não veio. A verdade é que eu nem esperei por ela; minha amiga precisa de tempo e da certeza de que não está sozinha. E eu dei as duas coisas a ela.
Hoje era a reabertura da Paradise e meu irmão e Sammy não podiam faltar. José e eu nos encontraríamos no bar como todas as sextas. Não nos vemos desde segunda e, embora falemos todos os dias pelo telefone, não é a mesma coisa.
Eu estava com saudade do toque dele, do cheiro dele, do beijo dele… Deus, eu estava louca pra vê-lo. Assim que saí do meu quarto, encontrei Sammy chorando e Atlas com uma expressão séria ao telefone.
— O que houve? — corri até minha cunhada. — Aconteceu alguma coisa com o José? — perguntei, sentindo meu peito apertar, pegando meu celular na bolsa para ver se havia alguma mensagem dele.
— Não… — Sammy respondeu com a voz embargada. — Meu irmão está bem.
Soltei o ar aliviada.
— Então o que houve?
— O Heitor. Meu garotinho tomou os comprimidos da Cece e está no hospital.
O alívio durou pouco. Desde que a Ju veio morar com o Noah, essas crianças se tornaram meus sobrinhos. Estamos sempre juntos, eu os adoro. Eles até me chamam de "Tia Gatinha" por causa do Oliver.
— E como ele está? A Ju precisa de alguma coisa? — perguntei preocupada.
Antes que ela me respondesse, meu irmão encerrou a ligação e se virou para nós.
— Falei com o Chris. — Atlas começou. — O menino está bem, vai passar essa noite no hospital em observação. Noah falou com Declan, depois com o Dom, e agora parece que não está atendendo ninguém.
— Eu quero ir até lá. — Sammy disse, chorosa.
— Amor, Declan ofereceu de ir até lá, mas o Noah disse que não precisava. — Ele se aproximou da minha cunhada, puxando-a pela cintura. — Vamos dar esse tempo a eles, as coisas acabaram de acontecer. Declan e Jen irão para lá depois do clube, podemos fazer o mesmo se quiser.
— Mas a Ju… e o Heitor… — ela não concluiu. Meu irmão a abraçou e deu um beijo no topo da cabeça dela.
— Eles estão bem, dentro do possível.
— Isso tudo parece um pesadelo. — ela murmurou, ainda agarrada a ele.
— Esse pesadelo vai passar, querida. Eu prometo. — Atlas garantiu.
Meu celular vibrou na minha mão. Olhei para a tela; era uma mensagem do José.
“Já estou na frente do bar com o pessoal, vamos entrar para segurar uma mesa. Quando chegar me avisa, te busco no carro.”
Me afastei um pouco deles para responder.
“Te encontro lá dentro.”
A resposta veio rápida.
“De jeito nenhum, me espera dentro do carro.”
Revirei os olhos.
“José, Bob vai estar comigo. Não tem necessidade de você ir me buscar.”
Comecei a guardar o celular quando outra mensagem chegou.
“Tem necessidade sim! Primeiro porque a surra no Vinnie é recente, e segundo que não vou deixar minha garota entrar num bar sozinha. Ela vai entrar comigo, pra todo mundo saber que ela é minha.”
Fiquei encarando a mensagem por alguns segundos, digerindo suas palavras, até que respondi:
“Possessivo.”
Foi a única coisa que mandei.
“Com você? Sempre!”
Não resisti e sorri.
— Tudo bem, Athena? — Meu irmão me perguntou.
— Ãh… Sim. Era só a Kelly, dizendo que já estão todos no bar.
— Todos incluem o José?
— Atlas… — Sammy chamou a atenção dele.
Estufei o peito e encarei meu irmão.
— Sim. — respondi sem vacilar. — Todos incluem o seu cunhado José.
— Athena… — meu nome veio em tom de advertência.
O som do elevador privativo chamou nossa atenção. Em segundos, saíram de lá Chris e Penny.
— Estão prontos? — Chris perguntou assim que entrou.
— Estamos. — Meu irmão respondeu. — Conseguiu falar com o Noah?
— Sim, ele acabou de responder a minha mensagem. Heitor acordou e disse que foi abordado pelo George. Eu tô a milímetros de não ir atrás desse cretino.
— Amor…
— Eu sei, encrenca. — ele rebateu, não a deixando falar. — Prometi que hoje não, mas eu fui claro. Hoje!
Deixei minha família com o drama deles e saí de fininho. Bob me esperava encostado no meu carro.
— No mesmo lugar, Senhorita Wilson?
— Athena, Bob. Já te disse para parar com esse “Senhorita Wilson”. — Ele sorriu.
— Tudo bem, Athena.
— E sim, no mesmo lugar. Meu… — parei a frase no meio do caminho. Ainda não sabia bem o que José e eu éramos, e há um mês atrás eu namorava o Oliver. — O José me pediu para esperá-lo no carro que ele vem me encontrar.
— Perfeito, estacionamos naquela esquina de sempre. — ele me avisou, e seguimos cada um no seu carro.
Assim que estacionei, avisei José onde estava. Bob estava parado logo atrás de mim. O lugar estava lotado e minha vontade de descer era grande, mas resisti. Minutos depois, vi o latino mais lindo do mundo se destacar na multidão.
Eu fui sair do carro, mas ele abriu a porta do passageiro e entrou como um furacão.
— Hey, não íamos... — comecei, mas ele não me deixou terminar.
Ele fechou a porta, isolando-nos do barulho da rua, e em um movimento fluido e possessivo, suas mãos grandes agarraram minha cintura. Ele me puxou por cima do console central como se eu não pesasse nada, e eu fui, sem resistência, caindo direto no colo dele.
Antes que eu pudesse respirar, a boca dele capturou a minha.
Não foi um beijo doce. Foi um ataque. Foi voraz, faminto, desesperado. As mãos dele mergulharam no meu cabelo, segurando minha nuca com firmeza, enquanto a língua dele invadia minha boca, reivindicando cada canto, cada suspiro.

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