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Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 214

Capítulo 214 — O Espelho da Alma

Noah Blake

— Papai...

A palavra saiu sussurrada, frágil, mas foi o suficiente para fazer meu mundo parar de girar. Apertei a mãozinha dele entre as minhas, inclinando meu corpo para frente.

— Estou aqui, filho. — Minha voz embargou. — O Papai Noah está aqui.

Heitor piscou lentamente, os olhos azuis ainda marejados, focados em mim. Ele parecia pequeno demais naquela cama, vulnerável demais.

— Desculpa... — ele murmurou, uma lágrima solitária escorrendo pela lateral do rosto e molhando o travesseiro. — Eu não queria ir embora de verdade... eu só queria me esconder.

— Se esconder? — Engoli o nó na garganta, acariciando o cabelo dele. — Se esconder do quê, campeão? Aqui você está seguro. Ninguém mexe com você na nossa casa.

Ele negou com a cabeça, um movimento frenético e curto. O monitor cardíaco acelerou levemente, denunciando o pânico dele.

— Ele disse que vai me levar, papai Noah. — A voz do Heitor tremeu, carregada de um terror genuíno. — Ele disse que já passou tempo demais e que agora eu tenho que voltar pra casa dele.

Senti meu sangue gelar, transformando-se em gelo nas minhas veias. Não precisei perguntar quem.

— O George — afirmei, não como uma pergunta, mas como uma constatação amarga.

Heitor encolheu os ombros, num gesto de proteção que eu conhecia bem.

— Ele estava lá na escola. — As lágrimas começaram a cair mais rápido agora. — Ele disse que é meu pai de verdade e que você é só o namorado da mamãe. Disse que se ele falar com a polícia, eles mandam eu ir com ele. Que ele vai vir me buscar e levar a mamãe também se eu não obedecer, e ele vai bater nela... ele falou que vai. — Heitor ficou agitado. — Não posso deixar ele bater na mamãe, ela chora muito, dói muito.

— Calma, meu garoto. — Puxei-o para um abraço. — Ele não vai levar nem você, nem sua mãe, porque eu tô aqui. — Beijei o topo da cabeça dele, tentando passar a segurança que ele precisava naquele momento.

Fechei os olhos por um segundo, odiando o cretino ainda mais. George não jogou com a culpa. Ele jogou com o medo. Ele ameaçou arrancar a criança do único lugar onde ela foi feliz. E ainda ameaçou a mãe que o menino sofreu para defender.

Quando senti que ele estava mais calmo, me afastei dele lentamente.

— E por que os remédios, filho? — perguntei, precisando entender a lógica desesperada dele. Passei a mão por seu rosto, secando suas lágrimas. — Conta pro papai. Por que tomou os remédios da vovó Cece?

Heitor soluçou e aquilo me rasgou.

— Porque se eu dormisse... se eu dormisse igual a vovó Cece disse que o remédio faz... ele não ia conseguir me levar. — Ele apertou minha mão com força. — Eu não quero voltar pra lá, Papai Noah. Eu não quero! Lá ele grita, lá a mamãe chora, se machuca. Eu não quero ir!

A dor daquelas palavras me atingiu como um tiro. Heitor preferiu a morte a ter que voltar para o pai biológico. Ele achou que "dormir" era a única forma de escapar da garra daquele maldito.

Olhei para o meu filho e, naquele momento, vi o reflexo da minha própria infância. Eu vi o Noah de sete anos, tremendo debaixo do cobertor, rezando para o amante cretino do meu pai não entrar no quarto. Eu sabia o que era aquele terror. O medo de que o "monstro" tivesse poder absoluto sobre você.

Soltei a mão dele e, com cuidado, sentei na beirada da cama. Puxei Heitor para o meu colo, aninhando a cabeça dele no meu peito, envolvendo-o com meus braços como uma barreira física contra o mundo.

— Escuta o que eu vou te dizer, Heitor. — Falei firme, perto do ouvido dele. — E eu preciso que você acredite em mim, igual acredita que o sol nasce todo dia.

Ele fungou, agarrando minha camisa.

— Ele mentiu. — continuei, minha voz vibrando com uma promessa letal. — Ele disse essas coisas para te assustar, porque ele é um covarde. Mas ele não tem poder nenhum aqui. Nenhuma lei, nenhum papel, nenhum juiz vai tirar você de mim e da sua mãe.

— Mas ele disse que é meu pai… e que a polícia deixa o pai levar.

— Ele não é seu pai, meu amor, porque ser pai não é fazer um filho, Heitor. Ser pai é criar. É cuidar. É amar. — Afastei-o um pouco para olhar nos olhos dele. — Eu sou seu pai. Eu. E sabe o que eu faço com quem ameaça a minha família?

Ele me olhou, os olhos arregalados, esperando uma resposta.

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