Capítulo 212 — Onde erramos?
Noah Blake
O teto parecia ter desabado sobre mim. Meu filho de sete anos estava caído no chão frio, ao lado do vaso sanitário. Um frasco de remédios estava virado, pílulas brancas espalhadas pelo azulejo como dentes quebrados. Ele estava imóvel. Pálido. Um fio de espuma saindo pelo canto da boca.
— NÃO!
O grito rasgou minhas entranhas antes mesmo de eu conseguir me mexer. Meu menino. Meu garoto. Caí de joelhos ao lado dele, e naquele momento, o poderoso Noah Blake não existia mais. Só existia o pai, assistindo ao seu pior pesadelo se tornar real.
— Noah! O que... — A voz da Juliet morreu na porta do banheiro.
Segundos depois, um grito agudo, animalesco, explodiu atrás de mim.
— HEITOR! NÃO! MEU FILHO!
Eu não olhei para trás. Minhas mãos tremiam enquanto eu tocava o pescoço do meu filho. A pele estava fria, úmida. O pulso... fraco. Lento demais.
— Ele tomou meus remédios... — Cece apareceu na porta, o rosto banhado em lágrimas, as mãos na boca. — Santo Deus, são betabloqueadores fortes... ele é só uma criança...
— Pega o telefone! — gritei para a Juliet, que tinha caído de joelhos ao meu lado, as mãos trêmulas tentando tocar o rosto pálido do Heitor. — Liga pro Elijah! Agora!
Juliet estava em choque, hiperventilando. Cece a amparou, chorando, mas pegando o celular do meu bolso.
Arranquei o aparelho da mão dela e disquei, colocando no viva-voz e jogando no chão ao lado da cabeça do Heitor.
— Fala, irmão. — A voz do Elijah atendeu no primeiro toque, tranquila.
— Heitor tomou os remédios de pressão da Cece! — despejei, o pânico fazendo minha voz falhar. — Ele está desmaiado no banheiro. Espumando. Elijah, o coração dele está parando!
— Merda. — O tom profissional do Elijah assumiu o comando instantaneamente. — Há quanto tempo ele tomou?
— Minutos! Cinco, dez minutos no máximo!
— Ok, ainda não absorveu tudo. Noah, escuta: você precisa fazer ele vomitar. Agora.
— Ele está desmaiado! — gritei, sentindo as lágrimas queimarem meus olhos. — Eu não posso fazer isso com ele inconsciente, ele vai engasgar!
— Se ele não vomitar essas pílulas agora, o coração dele vai parar antes da ambulância chegar! — Elijah gritou do outro lado, a autoridade médica trincando no viva-voz. — Vira ele de lado. Enfia o dedo na garganta dele. Estimula o reflexo de vômito. Agora, Noah! Salva o seu filho!
Não hesitei mais. O medo de machucá-lo foi substituído pelo terror de perdê-lo. Virei o corpo pequeno e mole do Heitor de lado. Segurei o maxilar dele com firmeza, abrindo a boca, e enfiei meus dedos fundo na garganta dele.
Juliet soluçava alto, agarrada à camisa do menino.
— Vamos, filho... põe pra fora... — implorei, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto e pingando na bochecha dele. — Por favor, Heitor...
Nada. Tentei de novo, mais fundo.
De repente, o corpo dele convulsionou. Ele engasgou, tossiu, e um jato de vômito saiu, trazendo líquido e pedaços brancos dissolvidos.
— Isso! — gritei. — Continua, filho! J**a pra fora, campeão.
Heitor abriu os olhos, vidrados, vermelhos, e começou a chorar baixinho, vomitando mais uma vez.
Puxei-o para os meus braços imediatamente, limpando a boca dele com a minha própria camiseta, ignorando a sujeira, ignorando tudo. Ele estava vivo. Ele estava respirando.
— Papai Noah... — ele choramingou, grogue.
— Eu tô aqui. Eu tô aqui. — Balancei-o, beijando a testa suada dele.
Juliet se jogou sobre nós, abraçando as pernas do Heitor, beijando os pés dele, chorando de alívio e pavor.
— Ele vomitou? — A voz do Elijah voltou no telefone.
— Sim. — respondi, ofegante.
— Leva pro hospital. Agora. Não espera ambulância. Vou avisar a Doutora Nadya Khalil, ela é a melhor toxicologista pediátrica e está de plantão no Memorial. Corram.
A viagem até o hospital foi um borrão de luzes e sirenes imaginárias na minha cabeça. Eu dirigia com uma mão, a outra apertando a mão da Juliet no banco de trás, onde ela mantinha Heitor acordado, conversando com ele sem parar.
Entramos na emergência carregando-o.

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