Capítulo 210 — O Vazio
Taylor
A caixinha de veludo ficou para trás, sobre o criado-mudo.
Foi a coisa mais difícil que fiz: tirar o anel que Dominic colocou no meu dedo há menos de uma semana. Mas eu precisava fazer isso. Se eu levasse o anel, ele saberia. Ele veria o ponto piscando no consultório do Elijah e apareceria lá em cinco minutos, derrubando a porta com uma equipe tática, exigindo saber quem estava me machucando.
E eu não queria dar esperanças. Não ainda.
Minha menstruação estava atrasada. Meus seios doíam. O café da manhã de hoje tinha voltado quase instantaneamente. Eu conhecia meu corpo, ou pelo menos achava que conhecia.
— Você acabou de perder a festa. — Elijah entrou na sala de espera com um sorriso cansado, mas feliz. — Penny, Sammy e Athena saíram daqui agora há pouco.
Meu coração deu um salto.
— Penny? Ela está bem?
— Digamos que o Christopher vai ter que aumentar a frota de carros da família. — Elijah piscou. — Ela está grávida.
Sorri, sentindo uma pontada de inveja misturada com felicidade genuína. Penny merecia. Chris merecia. Mas aquela notícia fez meu estômago revirar de ansiedade. Se Penny estava... será que nós duas estaríamos? Imaginar nossos filhos crescendo juntos fez minhas mãos suarem.
— Vamos lá, Taylor? O que te traz aqui? Não me diga que o Dominic te machucou, porque eu serei obrigado a denunciar aquele gigante.
— Não. — Entrei na sala, sentando na maca. — O Dom é... perfeito. O problema sou eu, Elijah. Acho que estou grávida.
O sorriso do Elijah se alargou.
— Isso é fantástico! Vamos verificar.
Fizemos a coleta de sangue e urina. A espera foi torturante. Quando ele voltou, a expressão era profissional.
— Os testes rápidos deram positivo, Taylor. O HCG está alto. — Ele sorriu. — Parabéns.
Soltei o ar que nem sabia que estava prendendo, levando a mão à barriga. Grávida. Eu carregava um pedaço do Dom. Um mini agente federal.
— Mas... — Elijah continuou, pegando o aparelho de ultrassom. — Pelo tempo do atraso e pelos seus sintomas de tontura, precisamos fazer um ultrassom transvaginal para confirmar a idade gestacional e ver se está tudo no lugar certo.
Franzi o nariz.
— Eu odeio essa coisa. Nada devia entrar aí a não ser o meu noivo.
Elijah riu, calçando as luvas.
— Eu prometo ser rápido e respeitoso. Confia em mim?
— Confio.
O exame começou. O monitor mostrava borrões em preto e branco que eu não entendia. Fiquei olhando para o teto, rezando, imaginando como contaria para o Dom. Talvez comprasse um par de algemas minúsculas. Ele ia amar.
O silêncio na sala se estendeu. Um segundo. Dez segundos. Um minuto.
O som das teclas do aparelho sendo apertadas parecia alto demais. Baixei os olhos do teto e olhei para o Elijah.
O sorriso dele tinha sumido. As sobrancelhas estavam franzidas, concentradas. Ele moveu o transdutor para um lado, depois para o outro. E então parou.
Eu sou boa em ler pessoas. Minha sobrevivência dependeu disso a vida toda. E eu li nos olhos do Elijah algo que fez meu sangue gelar. Piedade.
— O que foi? — perguntei, minha voz saindo áspera.
Elijah suspirou, desligando o monitor e se afastando. Ele tirou as luvas devagar, ganhando tempo.
— Taylor... vista-se, por favor. Vamos conversar.
Fiz o que ele pediu com as mãos trêmulas. Quando me sentei na cadeira à frente dele, Elijah segurou minhas mãos sobre a mesa.
— O exame confirmou a gravidez, os hormônios estão aí, o seu corpo reagiu... — ele começou, a voz suave demais. — Mas a gestação é anembrionária.
Pisquei. As palavras não faziam sentido.
— O que isso significa?
— Significa que o saco gestacional se formou, a "casinha" do bebê está lá... mas o embrião não se desenvolveu. — Ele apertou minha mão. — O saco está vazio, Taylor. Não tem bebê.
O mundo parou. Vazio. A palavra ecoou na minha mente, batendo nas paredes do meu crânio. Vazio.
— Tem certeza? — sussurrei. — Talvez seja muito cedo. Talvez ele esteja escondido. O pai dele é um agente secreto, talvez o bebê esteja... se camuflando.
Eu sabia que soava ridícula, mas o desespero não tem lógica.
— Taylor... com sete semanas, já deveríamos ver o polo embrionário e ouvir o coração. Sinto muito, querida. Não há batimentos.
Puxei minhas mãos das dele e me encolhi na cadeira. Não chorei. Não gritei. Apenas fiquei ali, sentindo um buraco negro se abrir no meu peito e engolir toda a alegria que senti cinco minutos atrás.
— Vou ligar para o Dominic. — Elijah pegou o telefone.
— Não! — Gritei, assustando-o. — Não liga para ele.
— Taylor, você não pode passar por isso sozinha. Vou ligar para a Sammy? Para a Penny? Elas acabaram de sair...
— Não! — Balancei a cabeça freneticamente. Penny estava feliz. Sammy estava feliz. Eu não ia ser a nuvem negra no dia delas. — Não quero nenhuma delas.
— Quem então? — Elijah perguntou, preocupado. — Me diga quem chamar.
Fechei os olhos. Só havia uma pessoa, além do Dom, que entenderia o silêncio. Alguém que também entende a dor, a pessoa que me trouxe para esse mundo de pessoas felizes.
— Chama o estranho — murmurei.
— O quê? — Elijah franziu a testa.

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