Capítulo 209 — Tô chegando amor...
Dominic Costello
O trânsito de Nova York parecia conspirar contra a minha paciência, mas a sirene interna da minha intuição gritava mais alto que as buzinas lá fora. Eu tinha saído da loja do Chris com uma sensação ruim, e ela só piorou quando pisei no acelerador do meu carro em direção ao meu apartamento.
Assim que destranquei a porta, o som do caos me atingiu.
Gritos. Choro descontrolado. O tipo de som que faz qualquer agente sacar a arma por reflexo, mas eu sabia que o inimigo ali era invisível e incurável.
— Saia daqui! Você quer me matar! — A voz da minha mãe, Marina, ecoava pela sala, estridente e aterrorizada.
Corri pelo corredor. Encontrei a sala em desordem. Um vaso quebrado no chão, almofadas espalhadas. Minha mãe estava encolhida contra a estante de livros, os olhos arregalados de pânico, enquanto Mia, a cuidadora, tentava se aproximar com as mãos erguidas, exibindo um arranhão feio no antebraço.
— Dona Marina, por favor, sou eu... — Mia suplicava, chorando.
— Mentira! Cadê meu marido? Thomas! — Ela gritava pelo meu pai, morto há anos.
Respirei fundo, desligando o "Agente Costello" e ligando o "filho".
— Mãe! — Minha voz saiu firme, projetada para cortar o delírio. — Sou eu. Dominic.
Ela parou, ofegante, e virou o rosto para mim. A confusão nos olhos dela era uma faca no meu peito.
— Dominic? — Ela piscou, desorientada. — Onde... onde eles me prenderam? Onde está meu Thomas?
— Ninguém te prendeu. Você está em casa. — Caminhei devagar até ela, ignorando o vidro no chão. — Está segura. Eu estou aqui.
Fiz um sinal tático com a cabeça para Mia. Ela entendeu, pegando a maleta de emergência. Enquanto eu envolvia minha mãe em um abraço contido, sussurrando promessas vazias de que o papai logo chegaria, Mia aplicou a injeção sedativa que o médico prescreveu para esses episódios psicóticos.
Foram vinte minutos de luta contra os fantasmas da mente dela até que o corpo frágil finalmente cedeu ao sono. Acomodamos ela na cama, cobrindo-a com o edredom pesado que ela gostava.
Saí do quarto exausto, passei a mão pelo cabelo frustrado. Minha mãe nunca se lembrava de mim, mas jamais esquecia do meu pai. Encontrei Mia na sala, recolhendo os cacos do vaso.
— Desculpe por isso, Mia — murmurei. — Vou acertar um valor extra pelo transtorno.
— Não precisa, senhor Dominic. — Ela limpou o rosto. — Só... foi assustador hoje. Ela estava muito forte. Lá na clínica ela tinha momentos assim, mas nunca comigo.
Assenti, passando a mão pelo rosto. Olhei ao redor do apartamento. O silêncio voltou, mas faltava algo. Ou melhor, faltava alguém. Minha noiva. Me lembrei que Mia havia comentado que ela tinha saído.
— Onde está a Taylor? — perguntei, franzindo a testa.
Mia hesitou, segurando a pá de lixo.
— Eu não sei, senhor. Ela só avisou que precisava sair, que precisava de ar. Disse que se eu precisasse de algo, era para eu ligar para o senhor.
— Precisava Sair? — Minha postura endureceu. — Ela disse para onde ia?
— Não senhor. Só pegou a bolsa e saiu apressada.
O alerta vermelho disparou na minha mente. Taylor sabia que não podia andar sozinha, não com todos os cretinos que querem nossas cabeças à solta, não com a tempestade que eu via se formando ao nosso redor.
Peguei o celular do bolso. Disquei o número dela. Recusado.
O sangue subiu quente pelo meu pescoço. Liguei de novo. Recusado.
Mandei uma mensagem.
“Onde você está? Atende a porra do telefone.”
Visualizada. E ignorada.
— Merda! — Rugi, assustando a Mia novamente.
Abri o aplicativo de rastreamento no meu celular. Como agente federal, eu tinha acesso a ferramentas que a maioria das pessoas nem sonhava, mas o rastreador mais importante da minha vida estava no dedo da minha mulher. A pedra do anel de noivado.
O ponto pulsava na tela. Localização: A porra do meu apartamento, no quarto Principal.

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