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Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 204

Capítulo 204 — A Verdade na Ponta da Língua

José Alves

O grito da Samantha ainda ecoava no apartamento pequeno quando ela correu na minha direção. Em segundos, as mãos dela estavam no meu rosto, no meu peito, me apalpando como se procurasse fraturas expostas.

— O que aconteceu com você?! — ela disparou, os olhos cheios de lágrimas e pânico. — Você prometeu, José! Você jurou pra mim que tinha parado com as brigas, que tinha saído dessa vida! Olha pra você! Sangrando, rasgado...

Tentei segurar os pulsos dela com delicadeza, ignorando a dor aguda que senti nas costelas quando ela me tocou.

— Sammy, calma... Não é o que parece.

— Não é o que parece? — ela gritou, histérica. — Você tem um corte aberto na sobrancelha e parece que brigou com um tigre! Você voltou a andar com o Snake? Voltou a arrumar dívida e confusão? É isso? O Atlas tinha razão?

— Não! Escuta... Sammy, por favor. — olhei para a barriga dela, o pânico real me atingindo. Ela não podia ficar nervosa desse jeito. — Respira. Pensa no bebê. Você não pode se alterar assim, vai fazer mal pra ele.

— Não usa meu filho pra mudar de assunto! — ela rebateu, mas vi que ela colocou a mão no ventre instintivamente e respirou fundo.

— Chega. — A voz da Athena cortou a nossa discussão. Ela não estava gritando, mas o tom era de comando, firme, o tom de quem não admitia réplica.

Athena se aproximou, afastando a Sammy com cuidado.

— Samantha, senta no sofá. Agora. Você está tremendo. — ela ordenou, e Sammy, por incrível que pareça, obedeceu, sentando-se e cobrindo o rosto com as mãos.

Athena se virou para mim. O rosto dela estava pálido, mas os olhos... os olhos estavam focados.

— Onde está o kit?

— Em cima da geladeira. — respondi automaticamente, hipnotizado pela postura dela.

Ela foi até a cozinha, ficou na ponta dos pés (o que fez seu vestido subir um pouco, e eu, mesmo todo ferrado, não pude deixar de notar) e pegou a caixa branca. Voltou e puxou a banqueta do balcão para o centro da sala.

— Senta. — ela apontou para o banco.

— Princesa, eu posso fazer isso... — tentei argumentar, pegando a caixa da mão dela. — Você não deveria estar aqui vendo isso, não precisa sujar suas mãos com...

— Senta. Agora. José. — ela me interrompeu, cruzando os braços. A postura dela me lembrou minha mãe por um segundo, a postura de quem manda.

Suspirei, derrotado, e me sentei.

Nesse momento, o celular da Sammy tocou em suas mãos. Ela olhou o visor, franziu a testa e se levantou.

— É o Atlas. — ela disse, a voz trêmula. — Preciso atender, se não ele derruba Nova York antes de chegar aqui.

— Vai. — falei. — Atende lá no seu quarto, ainda está do jeito que você deixou. Eu tô ficando no outro.

Sammy me lançou um último olhar preocupado e correu para o quarto, fechando a porta.

Athena e eu ficamos sozinhos. O silêncio caiu sobre a sala, pesado.

Ela abriu o kit, tirou o antisséptico, algodão e gaze. Ela se posicionou entre as minhas pernas abertas. O cheiro dela, flores caras e algo doce, invadiu minhas narinas, mascarando o cheiro de sangue e suor.

— Isso vai arder. — ela avisou, molhando o algodão.

— Eu aguento.

Ela pressionou o algodão no corte do meu abdômen. Trinquei o maxilar e fechei as mãos em punho, mas não emiti nenhum som. A mão dela era firme, mas delicada. Ela limpou o sangue seco com uma paciência que eu não merecia.

— O que aconteceu? — ela perguntou baixo, sem tirar os olhos do ferimento.

— Uma desavença. Coisa antiga.

— Eu quero a verdade, José. — ela levantou o olhar, cravando aquelas íris castanhas nas minhas. — A verdade.

Respirei fundo. Não adiantava mentir para ela.

— Foi o Vinnie. E os amigos dele. — confessei. — Eu fui atrás dele.

— Por quê? — ela parou a mão no ar. — Ele já tinha ido embora.

— Porque ele ameaçou você. Porque ele olhou pra você como se você fosse... — engoli em seco, a raiva voltando. — Eu não podia deixar barato, Athena. E também tive que cobrar uma dívida antiga dele com o Snake para garantir que ele nunca mais chegue perto de você.

Ela ficou em silêncio, processando. Voltou a limpar o ferimento, agora com mais suavidade.

— Você é um idiota. — ela sussurrou. — Podia ter morrido por causa de orgulho?

— Não foi orgulho. Foi proteção. — rebati. — Você é importante demais pra aquele lixo chegar perto.

— Eu tenho o Bob. Eu tenho o Atlas. Eu não precisava que você se arrebentasse num beco por mim!

— Mas eu fui! — Me exaltei um pouco, depois baixei o tom. — Desculpa. Eu só... eu precisava fazer isso.

— Tudo bem. — ela suspirou. — Desculpa te chamar de idiota. Obrigada... por me defender.

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