Capítulo 195 — Penetra indesejada
Declan Reed
Puxei o colarinho da camisa pela milésima vez. Parecia que o tecido estava encolhendo a cada segundo, tentando me estrangular antes mesmo de eu chegar ao altar.
— Se você mexer nessa gravata mais uma vez, eu vou amarrar suas mãos nas costas. — A voz do Noah soou atrás de mim, carregada de diversão.
Virei e encontrei meus quatro amigos que se tornaram meus irmãos. Noah, Atlas, Chris e Dominic. Todos de smoking preto, copos de uísque nas mãos e aquele ar de quem estava se divertindo muito às custas do meu nervosismo.
— Vai se ferrar, Blake. — rosnei, aceitando o copo que Atlas me estendeu. — Quero ver quando for a sua vez.
— Eu já estou suando frio só de pensar nos gêmeos. — Noah riu, brindando comigo. — Casamento é a parte fácil. Mas hoje o dia é seu, Sunshine. Aproveita.
— Vai se ferrar, fica falando essa merda pra dar ousadia para o idiota do Elijah. — respondi irritado.
— Brilha raio de sol… — Ele falou rindo, bufei e me virei para o Chris.
— Está tudo seguro? Tem certeza que não vamos ter problemas? — perguntei, ignorando as provocações do Noah.
Chris assumiu aquela postura de Boss que, mesmo de terno, impunha respeito.
— Gayer fechou tudo, Declan. Ninguém entra sem convite e identificação. Dominic mandou colocar homens no telhado, na cozinha, no estacionamento. — ele garantiu. — O único risco hoje é você tropeçar no altar.
Respirei fundo, bebendo um gole generoso do uísque. O álcool desceu queimando, ajudando a assentar a ansiedade. Eu ia me casar. Eu, o cara que achou que morreria sozinho e amargurado, estava prestes a formar uma família com a mulher mais incrível do mundo.
A porta da sala do noivo se abriu abruptamente. Gayer entrou, e a expressão no rosto dele fez o clima de festa morrer na hora.
Todos nós ficamos tensos. Dominic já levou a mão sutilmente para a cintura (mesmo de smoking, ele estava armado, claro).
— O que foi? — perguntei, sentindo meu sangue gelar. — A Jenny...
— A Jenny está bem, terminando a maquiagem com as meninas. — Gayer foi rápido em avisar. — O problema é na entrada de serviço.
— Quem? — Atlas perguntou, a voz dura.
— Uma mulher. Diz que é a madrasta da noiva. — Gayer fez uma careta. — Está fazendo um escândalo, gritando que é a mãe dela e que tem o direito de entrar. Os seguranças barraram, mas ela ameaçou chamar a imprensa se não falasse com a Jenny.
Senti uma onda de raiva tão forte que o copo na minha mão quase estourou. Aquela mulher... aquela sanguessuga que destruiu a autoestima da Jenny por anos, que a abandonou quando o pai morreu... ela teve a audácia de aparecer hoje?
— Eu vou matar essa velha. — rosnei, caminhando até a porta. — Ela não vai chegar nem a dez metros da minha mulher.
— Nós vamos com você. — Dominic disse, e eu nem precisei pedir.
Saí da sala pisando duro, com meus quatro irmãos logo atrás. Parecíamos um esquadrão da morte em trajes de gala. Atravessei o saguão do hotel e fui para a área de carga e descarga, onde Gayer disse que ela estava.
Assim que empurrei as portas duplas, eu a vi.
Eleanor.
Eu vi essa mulher uma única vez quando Jenny começou a trabalhar para mim. Ela estava mais velha, com roupas que tentavam parecer chiques, mas que gritavam decadência. O cabelo estava mal pintado e ela discutia com dois dos meus seguranças.
— Vocês não sabem com quem estão falando! Eu criei aquela menina!
— Você não criou ninguém. — minha voz ecoou pelo concreto frio da garagem.
Eleanor se virou. Quando me viu, e viu o muro de homens atrás de mim, ela empalideceu. Mas, como a oportunista que eu via bem que era, logo abriu um sorriso falso.
— Senhor Reed... querido! — ela tentou se aproximar. — Olha só para você, tão elegante. Soube que vai casar com a minha Jenny, eu vim dar minha bênção!
— Guarde sua bênção e suma daqui. — dei um passo à frente, fazendo-a recuar. — Você teve anos para ser mãe. Anos para ligar. Você escolheu aparecer hoje, quando descobriu que ela vai casar com um bilionário? Acha que eu sou idiota?
— Eu estou passando necessidades! — ela mudou a tática, forçando um choro ridículo. — Meu marido me deixou, tenho dívidas... A Jenny tem bom coração, ela vai me ajudar. Eu sou a única família que ela tem!
— A Jenny não vai te dar um centavo. — avisei, a voz baixa e perigosa. — E se você não sair daqui em três segundos, eu vou te jogar na rua pessoalmente.
— Eu quero falar com a minha filha! — ela gritou, histérica. — JENNY!
— Cala a boca! — gritei de volta.
— Deixa, Declan.
A voz veio de trás de nós. Suave, mas firme como aço.
Virei-me rápido. Jenny estava parada na porta de serviço. Ela ainda não estava com o vestido. Usava um roupão de seda branco escrito "Noiva" nas costas, o cabelo preso e a maquiagem impecável. Atrás dela, Juliet, Taylor, Samantha e Penny formavam uma barreira de proteção.
— Jenny, volta pra lá. — pedi, tentando protegê-la. — Você não precisa passar por isso hoje.
Ela tocou meu braço, me pedindo passagem com o olhar.
— Está tudo bem, amor. — ela disse, calma. — Eu preciso fazer isso.
Dei um passo para o lado, mas fiquei colado nela, pronto para pular no pescoço da Eleanor se ela fizesse menção de tocar na minha mulher.
Jenny encarou a mulher que a criou e depois a jogou fora como lixo. Não havia choro. Não havia medo. A Jenny que estava ali não era mais a menina assustada. Era uma mulher feita, uma mãe, uma Reed.
— Jenny, minha querida... — Eleanor tentou avançar, com os braços abertos. — Graças a Deus! Eles não queriam me deixar entrar.
Jenny levantou a mão, parando-a.

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