Capítulo 193 — Se for para ser
Athena Wilson
A nossa cobertura parecia o QG de uma operação de guerra, mas em vez de armas e mapas, em cima da nossa mesa de jantar havia amostras de tecido, catálogos de flores e uma Jenny à beira de um ataque de nervos, o que era compreensível, considerando que ela ia se casar em poucos dias.
Fazia sete dias que a "bomba" (no bom sentido, claro) dos gêmeos da Juliet e do casamento do Declan explodiu, e desde então, o grupo entrou em modo turbo.
— Athena, o que você acha desse tom de verde para as madrinhas? — Samantha perguntou, segurando um pedaço de seda na minha frente.
Forcei um sorriso, tentando focar.
— É lindo, Sammy. Combina com os olhos da Jenny.
— Viu? Eu disse! — ela virou para a noiva.
Aproveitei a distração e fui em direção à porta. Eu precisava sair dali. O ar estava pesado demais para mim. Hoje era a festa de despedida do Oliver. Amanhã, bem cedo, ele embarcaria para a Espanha. E eu... eu sentia que meu coração estava sendo arrancado do peito, pedaço por pedaço, a cada minuto que passava.
— Onde você vai, maninha? — A voz do Atlas soou atrás de mim, no tom protetor de sempre.
Ele estava encostado no batente da porta, me observando com aqueles olhos de águia.
— Dar uma volta. — respondi, tentando parecer casual.
— Chris e o pessoal vão se reunir no apartamento daqui a pouco. Você devia ir. — ele sugeriu, cruzando os braços. — É a despedida do Oliver, Athena. Vocês terminaram numa boa, não precisa fugir.
“Numa boa”. Se aquilo era uma boa para meu irmão, não quero nem imaginar o que seria “numa ruim”.
— Eu não estou fugindo, Atlas. — Eu menti. Claro que menti, porque eu estava fugindo desesperadamente. — Eu já tinha marcado com uma amiga da faculdade que está na cidade. A gente não se vê há séculos.
Atlas estreitou os olhos, desconfiado.
— Que amiga?
— A... Jessica. — Soltei o primeiro nome que veio à mente. — Por favor, Atlas. Eu só preciso de um tempo fora dessa loucura de casamento. Sério, adoro as meninas, mas isso está acabando comigo.
Ele suspirou, vencido, e beijou minha testa.
— Tudo bem. Mas não vá sozinha. Vou avisar o Gayer para colocar alguém na sua cola.
— Não precisa...
— Precisa. Ou vai com segurança, ou não vai. — ele decretou com aquele tom de "Pai" que não aceitava não como resposta.
— Tá bom. — revirei os olhos. — Manda o Bob. Ele é discreto e não fica puxando saco.
Peguei minha bolsa e fui para o elevador privativo, apertando o botão do subsolo.
Assim que as portas de metal se abriram na garagem silenciosa, meu coração falhou uma batida.
Oliver estava lá.
Ele estava encostado no capô do carro dele, mexendo no celular. Usava uma jaqueta jeans e aquela camiseta branca básica que deixava ele irritantemente lindo. Ele levantou a cabeça quando me viu, e a expressão dele mudou de tédio para surpresa.
Travei por um segundo, mas forcei minhas pernas a continuarem andando até o meu carro, que estava a duas vagas do dele.
— Fugindo da minha festa? — a voz dele ecoou na garagem vazia.
Parei, segurando a chave do carro com força. Respirei fundo e me virei.
— Tenho um compromisso. — menti, mas minha voz saiu fraca. — Uma amiga...
— Entendi. — ele sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos cor de mel que eu tanto amava. — Imaginei que você não quisesse ir.
O silêncio caiu sobre nós. Pesado. Denso. Carregado de tudo o que a gente não disse e de tudo o que a gente sentia.
Nós dois tentamos falar ao mesmo tempo para quebrar o clima.
— Você... — Eu só...
Paramos e rimos, um riso nervoso e triste.
— As damas primeiro. — ele indicou.
Dei um passo na direção dele, a saudade vencendo o orgulho.
— Eu só queria dizer que... eu sinto muito, Olie. — confessei, baixando a guarda. — Por não ir. Mas dói ver você ir embora. E no fundo... eu entendo seus motivos.
Ele me olhou com atenção.
— Entende? — perguntou e eu assenti.
— Conversei com a Juliet esses dias. — continuei, lembrando das palavras sábias dela. — Ela me disse algumas coisas que doeram, mas fizeram sentido. Não seria justo você abrir mão de um sonho tão grande por mim. Você me odiaria no futuro. E não seria justo comigo virar uma sombra sua, ir atrás de você e ser esquecida lá, mesmo estando do seu lado.
Oliver suspirou, passando a mão pelo cabelo. Ele deu dois passos, diminuindo a distância entre nós.
— Eu também sinto muito, gatinha. — ele disse, a voz rouca. — Por ter escondido de você. Eu me senti um egoísta de merda depois. Mas... a Ju também conversou comigo.
— O que ela disse?
Ele parou na minha frente, perto o suficiente para eu sentir o cheiro dele. Aquele perfume amadeirado que eu nunca ia esquecer.
— Ela disse algo que eu acredito fielmente agora. — ele segurou meu rosto com as duas mãos, os polegares acariciando minhas bochechas. — Que se for para a gente ficar junto... vai acontecer. O universo, Deus, ou seja lá quem cuida dessa bagunça toda... vai colocar a gente no mesmo caminho de novo. Na hora certa.
Senti meus olhos marejarem.
— Você acredita nisso? — sussurrei.
— Eu preciso acreditar. — ele respondeu.
Nós nos abraçamos. Foi um abraço apertado, desesperado, onde tentei gravar a textura dele, o calor dele. Quando nos separamos, ele manteve as mãos na minha cintura e me encarou com intensidade. O ar ficou rarefeito.
— Acha que eu mereço um beijo de despedida? — ele perguntou, num fio de voz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar