Capítulo 191 — O olho que tudo vê
Dominic Costello
Encostei no batente da porta, cruzando os braços enquanto observava o espetáculo à minha frente. Taylor terminava de fechar o zíper da bota de couro, usando uma saia curta que definitivamente testaria a sanidade de qualquer homem, e a minha paciência.
— Você vai sair assim? — perguntei, erguendo uma sobrancelha.
Ela levantou o olhar, aquele brilho desafiador nos olhos.
— Algum problema, Agente Costello? A saia está atrapalhando sua visão periférica?
— Está atrapalhando meu raciocínio lógico. — admiti, desencostando da porta e caminhando até ela. Segurei sua cintura, puxando-a contra mim. — Se não tivéssemos hora marcada, você não passaria daquela porta.
— Morde e assopra, grandão. — ela riu, passando os braços pelo meu pescoço e me dando um beijo lento, provocativo. — Guarde essa energia para mais tarde. Agora, foco na missão.
— Minha missão é você. — murmurei contra a boca dela, roubando mais um beijo antes de nos separarmos a contragosto.
Saímos do quarto. Na sala, o clima mudou drasticamente.
Mia estava sentada no sofá, lendo uma revista para minha mãe. Ela parecia calma, olhando para o vazio com um sorriso vago. E, em uma poltrona no canto, Athena estava encolhida, abraçando os joelhos, com o olhar perdido na janela. A tristeza emanava dela em ondas.
Abri a boca para perguntar como ela estava, ou talvez soltar alguma piada para tentar animá-la, mas Taylor apertou meu braço. Olhei para ela, e ela negou com a cabeça sutilmente. Não fala nada. Deixa ela.
Entendi o recado. Oliver estar indo embora deixou um buraco ali, e não seria eu quem ia cutucar a ferida agora.
Caminhei até minha mãe. Me agachei na frente dela.
— Oi, mãe. — Chamei suavemente.
Ela virou o rosto devagar. Os olhos azuis, idênticos aos meus, me analisaram com curiosidade, mas sem reconhecimento.
— Olá. — ela sorriu, educada. — Você é amigo da Tay? Um rapaz muito bonito.
Senti o aperto familiar no peito. Aquele soco no estômago que eu levava toda vez que ela me tratava como um estranho. Ela lembrava da Taylor, alguém que ela acabou de conhecer, mas não de mim.
— Sou sim. — forcei um sorriso, engolindo o gosto amargo. — Vou sair agora, mas volto logo. Fique bem.
— Vá com Deus, querido.
Levantei, sentindo a mão da Taylor nas minhas costas, um apoio silencioso. Saímos do apartamento em silêncio.
No elevador, o clima pesou.
— Ela parecia bem hoje. — Taylor tentou me consolar.
— É. Pelo menos ela está segura. — respirei fundo, mudando a chavinha na minha cabeça. Do filho triste para o Agente focado. — Vou descer no andar do Chris. Você vai para a Ju?
— Sim. Noite das meninas. Queremos saber como foi a consulta dela e dar uma desconectada dessa merda toda, se é que isso é possível. E eu estava a fim de ir na Lafayette com a Penny buscar um croissant. Não tô grávida, mas também vivo tendo desejos. — falou rindo, mas eu não vi graça nenhuma.
— Assim? — perguntei, apontando para sua saia.
— E por acaso tô pelada, Dominic? — ela rebateu, irritada.
— Esquece. De jeito nenhum você sai na rua com essa roupa.
— Que porra é essa, Dominic? O que tem minha roupa?
— Taylor, você não sai e pronto. — O elevador parou no andar do Chris. — Além do mais, é perigo duplo: primeiro essa roupa, depois os cretinos que vivem nos cercando.
Ela cruzou os braços e me encarou com aqueles olhos castanhos.
— Virei o quê agora? Daqui a pouco vai querer que eu use burca.
— Não é má ideia! — rebati.
Eu estava na porta do elevador, segurando-a aberta. Taylor me empurrou para fora.
— Dominic, vai se ferrar!
— Taylor… — disse seu nome em advertência. A porta começou a fechar.
— Até mais, agente Costello. — ela piscou e a porta se fechou.
Peguei meu celular e mandei mensagem para a segurança proibindo a Taylor de sair do prédio. Respirei fundo para me acalmar.
— Essa maloqueira vai acabar com a minha sanidade. — murmurei para mim mesmo.
Toquei a campainha e Chris abriu quase imediatamente.
— Por que não veio de privativo?
— Porque desci com a minha mulher. — respondi seco e entrei.
A sala estava cheia. Atlas estava servindo uísque no bar, Gayer e Coletti estavam montando um pequeno centro de comando na mesa de centro com notebooks abertos. Noah estava sentado na poltrona, girando o copo de bebida na mão, com o olhar fixo no gelo.
— Qual o problema? — Atlas perguntou, me servindo uma bebida.
— Taylor. Sempre que vir minha cara assim, saiba que ela tem nome, e é Taylor Laurent. — respondi, me jogando no sofá com o copo na mão.
— Deixa eu ver se adivinho: ela também quer um croissant? — Chris disse com um sorriso debochado.
— Eu já avisei aos seguranças que ela não sai desse prédio.
— Boa sorte com isso. Minha encrenca me ameaçou se eu não a deixasse ir. — Chris me alertou.
Olhei novamente ao redor, e então perguntei:
— Onde está o Reed?
— Atrasado. — Atlas respondeu, entregando um copo para o Chris. — Disse que estava tomando banho. Conhecendo o histórico, deve estar "matando a saudade" da Jenny.
Rimos, mas Noah permaneceu calado, distante.
Chris franziu a testa, olhando para nosso amigo.
— Ei, Blake. — chamou. — Tudo certo? Você tá quieto demais. Aconteceu alguma coisa com a Juliet? A consulta deu ruim?
Noah piscou, saindo do transe. Ele olhou para nós, e um sorriso lento, quase incrédulo, surgiu no rosto dele.
— Não... a consulta foi... — ele balançou a cabeça, rindo soprado. — Caralho. Eu vou ser pai de gêmeos.

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