Capítulo 188 — Território marcado
Taylor Laurent
Saí do apartamento do Noah me sentindo a própria James Bond de saias. Ou melhor, de jaqueta de couro.
Sério, aquele velho babão do Natanael Blake não perde por esperar. Ele achou que estava humilhando a gente, mas mal sabe que agora carrega um rastreador colado na bunda, ou melhor, no celular de mil dólares que eu "sequei" com tanto carinho.
O elevador parou no meu andar. Assim que as portas se abriram, dei de cara com uma montanha de músculos parada no meu hall privativo.
— Lawson. — cumprimentei, saindo do elevador e girando a chave no dedo. — Tá fazendo bico de porteiro agora ou a Penny te expulsou da cama?
Chris desencostou da parede, cruzando os braços. Aquele olhar de "ex-boss" dele varreu o corredor como se procurasse ninjas escondidos nos vasos de planta.
— Só garantindo que a "agente 007" chegou inteira. — ele respondeu, com um meio sorriso, apontando para a minha porta. — Coletti está lá dentro quase abrindo um buraco no chão de tanto andar. Ele disse que o sinal piscou.
— Piscou não, Lawson. — sorri, presunçosa. — O sinal acendeu como uma árvore de natal.
Destranquei a porta e entramos.
Passamos pela sala e fomos direto ao encontro do agente Coletti, que estava sentado na ilha da cozinha cercado de monitores e equipamentos que ele trouxe mais cedo. Assim que nos viu, levantou num pulo.
— Taylor! — ele exclamou, virando o notebook na minha direção. — Você conseguiu. O sinal está ativo, forte e cristalino.
Caminhei até ele e olhei para a tela. Um ponto vermelho se movia rapidamente por um mapa digital de Manhattan.
— Eu disse que conseguia. — respondi, jogando meu celular no balcão. — O velho nem percebeu. Ele estava muito ocupado me chamando de incompetente enquanto eu encaixava o chip no celular dele.
Coletti riu, balançando a cabeça em aprovação.
— Ele te maltratou? — Chris perguntou, irritado.
— Ele achou que me humilhou, mas na verdade ele me divertiu. Tá tranquilo, Chris.
— Taylor não mede as palavras, quero saber o que ele te fez. — ele insistiu.
— Nada que valha a pena lembrar. E relaxa, cara, eu sei me defender. — falei para acalmá-lo.
— Dominic tem razão em dizer que você é perigosa. Já estou espelhando o sinal para o Gayer e para a equipe tática. Sabemos exatamente onde o Natanael está indo. — Coletti disse, chamando nossa atenção.
— E para onde ele está indo? — Chris perguntou, aproximando-se da tela.
— Para o Upper East Side. Provavelmente para a cobertura dele. — Coletti analisou. — Mas agora que temos o "olho" nele, qualquer desvio da rotina vai acionar um alerta no meu sistema e no do Gayer.
— Perfeito. — Chris assentiu, satisfeito. Ele tirou os olhos da tela e olhou para o Coletti. — Precisamos confirmar o rastreio do carro também, mas agora é melhor levar esse equipamento para a central de segurança no térreo. Vamos monitorar de lá para deixar a Taylor descansar. A casa já está cheia com a Dona Marina e a cuidadora.
— Pode deixar, Lawson. — Coletti começou a desconectar os cabos. — Taylor, bom trabalho. O Chefe vai ficar orgulhoso.
— O "Chefe" vai ficar uma fera se souber que eu me arrisquei, então vamos manter os detalhes só entre a gente, beleza? — pisquei para ele.
Coletti riu e fez um sinal de "boca fechada".
— Bom, vou descer com o Coletti para alinhar a segurança com o Gayer. — Chris avisou, parando na porta. — A segurança no térreo foi dobrada e tem um homem na escada de emergência desse andar. Qualquer barulho estranho, não banca a heroína. Grita.
— Pode deixar, papai. — debochei. — Boa noite, meninos.
— Cala a boca, Taylor. Dominic me esfola se ouvir você me chamando assim.
— Ah, qual é! Vocês me tratam como criança e não querem ser chamados de papai? — arqueei a sobrancelha para ele.
— Vai dormir, Taylor. — Chris rebateu.
— Boa noite, Taylor. Mais uma vez, parabéns. — Coletti disse e fomos os três caminhando em direção à sala.
Os dois usaram o elevador privativo e foram embora, levando a parafernália tecnológica e me deixando sozinha no silêncio do apartamento.
Quer dizer... silêncio não. Porque minha mente estava barulhenta demais.
Tranquei a porta, girando as travas duas vezes. Voltei para a cozinha, peguei uma garrafa d'água e puxei meu celular. O "Chefe" podia até ficar orgulhoso, mas agora eu tinha que lidar com o "Namorado" rabugento. Mas antes de falar com Dominic mandei uma mensagem rápida para Ju.
“Velho cretino sendo rastreado.”
Não esperei ela responder, fui até o nome do meu grandão e disquei o FaceTime.
Ele atendeu no segundo toque. A imagem dele apareceu na tela: deitado naquela cama de hospital sem graça, com a cara fechada de quem chupou limão.
— Conseguiu? — foi o "oi" dele, direto ao ponto.
— Está duvidando da minha capacidade, Costello? — ri, apoiando o celular no balcão da cozinha e debruçando sobre ele. — O rastreador está plantado e ativo. Coletti já deve ter te avisado.
— Avisou. Bom trabalho, amor. — ele soltou um suspiro, passando a mão pelo rosto cansado, e a expressão dele mudou de "chefe" para "namorado preocupado". — Mas e o jantar? O tio do Noah te desrespeitou? Porque se aquele velho falou alguma merda pra você, eu arranco esses acessos agora e...
— Ei, ei, baixa a bola, Thor. — interrompi, revirando os olhos, mas sorrindo por dentro. — O velho tentou, mas digamos que eu e o Noah colocamos ele pra correr. Literalmente. O Noah expulsou ele de casa.
Dom arqueou as sobrancelhas, surpreso.
— O Noah fez isso?
— Fez. Foi lindo de ver. — sorri, chegando a tela mais perto do rosto. — Mas chega de falar deles. Como você tá? Sente dor?
Antes que ele respondesse, a porta do quarto dele no hospital se abriu e uma enfermeira entrou no campo de visão da câmera. E não era uma senhora simpática tipo a Dona Edna que vinha cuidando dele nesses últimos dias. Era uma loira, nova, com o jaleco meio justo demais pro meu gosto.
— Com licença, senhor Costello. — a voz dela era doce. Doce até demais. — Vim verificar sua temperatura e ajeitar seu travesseiro.
Vi a mão dela ir até a testa do Dominic.
Meus olhos estreitaram na hora.
— Eu tô bem. — Dom respondeu seco, mas a mulher continuou ali, ajeitando o lençol, sorrindo.
— Dominic! — gritei.
Ele olhou para a tela, assustado.
— Que foi?
— Quem é a Barbie de jaleco aí? — perguntei, alto o suficiente para ela ouvir.

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