Capítulo 181 — Minha responsabilidade
Taylor Laurent
— MARINAAAAA!!!
O meu grito rasgou a garganta, mas minhas pernas não eram rápidas o suficiente. O carro vinha rápido demais. O motorista buzinou, freou, os pneus cantaram no asfalto, mas não ia dar tempo.
Fechei os olhos por um milésimo de segundo, esperando o barulho do impacto.
E ele veio.
Mas não foi o som de metal batendo em corpo. Foi o som de corpos batendo no chão.
Abri os olhos e meu coração falhou uma batida. Marina não estava mais no meio da rua. Alguém tinha se jogado contra ela, empurrando-a para a calçada e rolando com ela para longe do perigo.
Corri até eles.
O carro parou metros à frente. O motorista desceu pálido, gritando que ela tinha surgido do nada. Eu o ignorei.
— Marina! — me ajoelhei ao lado deles.
O homem que a salvou estava por baixo, protegendo a cabeça dela com o braço. Ele gemeu de dor, tentando se soltar, mas Marina estava em pânico. Ela se debatia, gritava coisas desconexas, arranhava o rosto do salvador.
— Me solta! Eles querem me pegar! Me solta! — ela gritava, o terror estampado nos olhos.
— Calma, senhora, eu não vou te machucar. — o rapaz disse, e foi aí que reconheci a voz.
— José? — perguntei, chocada.
Ele levantou os olhos para mim, o rosto ralado do asfalto.
— Taylor? Ajuda aqui, ela tá muito assustada.
Olhei para o outro lado da rua. Os dois homens que estavam perseguindo a Marina pararam quando viram a confusão e o resgate. Eles trocaram um olhar rápido e começaram a recuar.
— PEGUEM ELES! — gritei para os seguranças que estavam comigo, apontando para os dois cretinos. — AGORA!
Os seguranças não hesitaram e correram atrás dos homens.
Voltei minha atenção para a Marina, que continuava gritando.
— Marina, ei, se acalme, por favor. Eu sou a Taylor. A namorada do Dominic. — tentei tocar nela, mas ela bateu na minha mão.
— Taylor! — ouvi a voz da Sammy.
Olhei para trás e vi a cavalaria chegando. Atlas, Samantha e Athena vinham correndo em nossa direção.
Assim que chegaram, a cena parou todo mundo. José no chão, segurando a mãe do Dom, eu ajoelhada, e o caos instalado.
— Ei, irmã! — José chamou quando viu a Samantha, mas os olhos dele foram direto para o Atlas, que travou o maxilar.
— O que você está fazendo aqui? — Atlas perguntou, a voz fria. Mas ele não teve tempo de responder; Athena foi mais rápida.
Ela se jogou no chão ao lado da Marina.
— Marina? Ei, querida, sou eu. A Athena. — A voz dela saiu doce, calma, contrastando com a gritaria de segundos atrás. — Lembra de mim? Eu trouxe os livros… lembra das histórias?
Marina parou de se debater na hora. Ela olhou para a Athena, os olhos perdidos focando devagar.
— A menina das histórias?
— Sou eu. — Athena sorriu e segurou a mão dela com carinho. — Está tudo bem agora. Ninguém vai te machucar. Esse moço… — ela olhou para o José, e vi algo passar pelo olhar dela. Gratidão? Curiosidade? — Esse moço é nosso herói. Ele te salvou.
José, que ainda estava no chão, respirava pesado, segurando o braço que parecia machucado. Sammy correu até ele, ajudando-o a se sentar.
— Você está bem? Se machucou? — ela perguntou, checando o irmão.
— Tô bem, Sammy. Só uns arranhões. — ele respondeu, mas fez uma careta de dor.
Atlas olhava a cena, alternando entre a preocupação com a Marina e a raiva de ver o José ali.
— Alguém pode me explicar que porra é essa? — Atlas exigiu.
— Eu o chamei. — Sammy levantou, encarando o noivo. — Eu disse que estaria aqui. Ele queria me ver, Atlas. E pelo visto, se não fosse por ele… a mãe do Dominic estaria morta agora.
Atlas olhou para o carro parado, para a marca de pneu no asfalto e depois para o José. Ele respirou fundo, engolindo o orgulho.

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