Capítulo 174 — O fodão sangra
Dominic Costello
Continuamos andando, sendo empurrados para o fundo do estacionamento. Os cretinos não iriam nos matar ali, perto da entrada. Olhei ao redor, calculando cada centímetro de concreto, e vi que o lugar para onde nos levavam era o ponto cego das câmeras de segurança.
Eles nunca tiveram a intenção de subir para o quarto. Sabiam que eu desceria atrás deles. Era uma armadilha clássica, e eu caí nela como um amador.
Por quê? O que esse cretino quer comigo?
“Ah, mas você o conhece, senhor Costello. Assim como ele sabe tudo sobre você.”
Essas foram as palavras do idiota. Então é alguém próximo. Mas quem? O senhor Blake acabou de garantir o primeiro lugar na fila dos suspeitos por tempo indeterminado, mas algo me dizia que o buraco era mais embaixo.
Paramos ao lado de uma van preta, com a lateral amassada e vidros insulfilmados. A porta lateral correu com um rangido metálico e, lá dentro, vi mais dois homens sentados; um deles limpava as unhas com uma faca.
— Cadê o cabeludo? — um dos caras da van perguntou, cuspindo no chão.
Olhei de lado para o Chris. O “cabeludo” só podia ser o Atlas.
— Só vieram esses. — O que estava com a arma pressionada na minha nuca respondeu. Senti o cano frio do metal contra a pele suada.
— Esse aí... — um dos que estavam na van desceu, estalando o pescoço, e fez sinal com o queixo para o Chris. — Não é o tal do Brooklyn?
— Eu mesmo. — Chris respondeu antes do cara terminar. A voz dele estava calma. Ele deu um sorriso, um daqueles que não chegam aos olhos, antes de continuar. — E vocês quatro acabaram de assinar a sentença de morte de vocês.
O bandido riu, achando graça da ameaça de um homem desarmado. Foi o último erro dele.
Chris fez um sinal para mim. Foi coisa de milissegundo, um leve movimento de cabeça que só quem já lutou junto entende.
Foi aí que o inferno desceu na terra.
O primeiro movimento não foi força. Foi puro instinto assassino.
Chris jogou o corpo para trás com uma violência brutal, ao mesmo tempo em que girou o ombro, batendo o cotovelo com precisão cirúrgica no rosto do cara que estava atrás dele.
Crac.
Ouvi o estalo seco de cartilagem quebrando, seguido de um grito abafado.
No mesmo segundo, eu avancei.
Ignorei os pontos, ignorei a recomendação médica, ignorei a lógica. A arma ainda estava colada na minha cabeça quando dei um passo lateral rápido e joguei todo o meu peso contra o sujeito atrás de mim.
O impacto fez meu ombro ferido explodir.
Não foi só dor. Foi como se alguém tivesse derramado ácido direto no osso. Minha visão escureceu por um segundo, o ar fugiu dos meus pulmões, mas a adrenalina era maior. Eu não parei. Girei o corpo, torcendo o braço do homem até ouvir o pulso dele estalar.
A arma caiu, deslizando pelo concreto.
O mundo virou caos. Gritos, som de metal batendo contra carne, passos correndo, pneus rangendo ao longe.
Um dos caras da van veio para cima de mim. Ele era grande, pesado, mas lento. Chris já estava nele antes que eu pudesse me mexer. Ouvi um tiro estourar perto demais, o som reverberando nas paredes de concreto.
Me joguei atrás de um carro estacionado, puxando o sujeito que eu tinha desarmado pelo colarinho e jogando ele contra a lataria. O som do impacto do crânio dele contra a porta do passageiro ecoou pelo estacionamento.
— Filho da puta! — ele rosnou, tentando se levantar, o sangue escorrendo pelo nariz.
Respondi com o joelho direto nas costelas dele. Senti os ossos cederem. Ele caiu engasgando.
Outro veio por trás. Senti a mão suja agarrar minha camiseta, tentando me puxar para longe da cobertura dos carros. Virei o corpo no automático e acertei o punho dele com o cotovelo do braço bom. O cara gritou, soltando minha roupa.
Chris apareceu do nada e finalizou o serviço com um soco direto no queixo que fez o homem apagar antes de cair.
Dois no chão.
— Arma! — Chris gritou.
O terceiro homem, que tinha recuado para a van, levantou a pistola e atirou.
Bang!
O tiro explodiu o vidro traseiro do carro atrás do qual eu estava. Cacos de vidro choveram sobre mim. Me abaixei por reflexo, sentindo um pedaço cortar minha bochecha. Chris caiu do meu lado, deslizando pelo asfalto. Ambos respirando pesado, o suor misturado com sujeira, usando os carros como única cobertura entre a vida e a morte.
— Tá tudo bem aí, grandão? — ele perguntou, checando se eu tinha sido atingido.
— Já estive pior. — rosnei, apertando o ombro que pulsava como se tivesse vida própria. Minha camisa já estava úmida e quente. Sangue. Os pontos tinham estourado.
— Ele está com a porra da minha arma. — Chris me avisou, olhando pelo reflexo do retrovisor do carro ao lado.
— O idiota tirou a minha também. — respondi, praguejando mentalmente.
Foi aí que ouvi passos rápidos. Ritmo de corrida. Com a confusão, quem estava no estacionamento correu para dentro do hospital, gritando por segurança. Mas esses passos não fugiam. Vinham em nossa direção.
Levantei a cabeça por um instante.
Era o Adam. Ele estava armado.

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