Capítulo 169 — Chega de hospitais
Dominic Costello
Saí do Atlas e fui direto para meu apartamento, porque minha mulher ameaçou vir me buscar se eu não chegasse em casa em cinco minutos.
Assim que entrei, ela estava no meio da sala, me esperando, braços cruzados e a cara como a de um cachorro raivoso preso na coleira, que a hora que se soltasse faria um estrago.
Caminhei com cuidado até ela.
Passei o braço bom por sua cintura, a puxei para mim e desci meus lábios até seu pescoço.
E o que ganhei? Um rosnado. Meu pinscher rosnou para mim.
— Qual o problema, amor? — perguntei, beijando seu pescoço de novo.
— Tô começando a achar que você está com saudades da Bianca. Porque só isso justificaria você sair de novo com pontos recentes no ombro.
— Jamais… — respondi, a provocando. — Quem tem você em casa não precisa de mais nada. — Levei os lábios até seu ouvido. — Querida, você é maravilhosa.
Ela cedeu. Relutou por um segundo, só um, depois cedeu. Envolveu os braços em minha cintura, manteve a cara fechada, mas o corpo dela já tinha entregado os pontos.
— Não pense que só porque me “elogiou” — ela enfatizou. — Vou facilitar para você.
Desci meus lábios até os dela.
— Eu gosto do que é difícil, por isso que te amo. — falei com a boca ainda na dela, e ela riu.
— Agora chega, grandão. Você precisa tomar o remédio para isso aí não infeccionar. Depois é cama.
— Vou ter sua companhia? — mordi o lóbulo da orelha dela, e ela gemeu.
— Não, tenho coisas para fazer.
Me afastei dela só o suficiente para encará-la.
— Desde quando?
— Desde hoje. Agora vai. O remédio está na cabeceira, e já tem água lá.
A puxei para um beijo, depois segui para o quarto, mas ainda fiquei curioso com as “coisas” que ela tinha para fazer. Vindo da Taylor, eu espero tudo. Entrei no nosso quarto, tomei o remédio, peguei meu celular e fiz algumas ligações. Declan, Noah, Chris, Coletti. Atlas mandou mensagem confirmando sobre Sebastian, e eu mandei uma para o meu agente de campo pedindo detalhes.
Meus olhos ficaram pesados, e senti que era a merda do remédio me derrubando. Deixei o celular de lado. Deitei na cama do jeito que estava, joguei o braço bom sobre os olhos, e apaguei.
Acordei assustado, havia perdido até a noção do tempo. Não sei se dormi minutos ou horas, só que minha mulher não estava ao meu lado. Levantei e a procurei, e claro que a encontrei em seu playground preferido. Pois é, não sou eu. É a cozinha.
Quando cheguei, a luz suave do pendente sobre o balcão iluminava exatamente o que eu precisava ver depois de acordar grogue: Taylor sentada ali, pernas cruzadas, colher na mão, lambendo o creme de avelã como se fosse a coisa mais pecaminosa do mundo. A camiseta, que aliás é minha, subia um pouco nas coxas toda vez que ela se inclinava para pegar mais.
Parei na entrada da cozinha, encostado no batente, só observando. O ombro latejava um pouco, mas o remédio ainda segurava a dor. O que eu sentia agora era outra coisa completamente diferente.
Ela ergueu os olhos, me pegou no flagra e arqueou a sobrancelha.
— Acordou, grandão? — perguntou, com a voz meio rouca de quem também tinha tirado um cochilo. — Achei que ia dormir até amanhã.
— Perdi você do meu lado na cama — respondi, dando um passo devagar na direção dela. — Precisei vir atrás.
Taylor lambeu a colher devagar, de propósito, os olhos fixos nos meus.
— Eu disse que tinha coisas para fazer.
— Comer Nutella no pote às... — olhei o relógio na parede — as onze da noite conta como coisa importante?
Ela deu de ombros, um sorriso malicioso surgindo.
— Conta como autocuidado.
Cheguei perto o suficiente para apoiar as mãos dos dois lados do balcão, prendendo ela ali. O braço ferido reclamou um pouco com o peso, mas ignorei. Não era nada comparado ao que eu queria agora.
— Você está linda assim — murmurei, descendo o olhar pelas pernas dela até voltar para o rosto. — Mas fica mais linda ainda quando geme meu nome.
Ela riu baixo, mas eu vi o rubor subir pelo pescoço.
— Você está machucado, Dominic. Não vou deixar você forçar esse ombro de novo. — ela disse com deboche. — Pelo amor de Deus, amor, chega de hospitais.
— Não vou forçar — garanti, me inclinando até minha boca ficar a centímetros da dela. — Vou só usar o braço bom. E a boca. E o resto.
Ela mordeu o lábio, hesitando por um segundo, mas já estava se inclinando na minha direção. Coloquei a mão boa na nuca dela, puxando-a para um beijo. Foi lento no começo, só o roçar dos lábios, mas logo virou fome. Ela abriu a boca para mim, a língua encontrando a minha, e o gosto de avelã invadiu tudo.

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