Entrar Via

Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 168

Capítulo 168 — Nada mais abala

Noah Blake

Hoje, ao acordar, eu me senti outro homem. Era como se eu tivesse passado anos no deserto sem nem ao menos sentir o cheiro da água (que nem cheiro tem), e de repente surgisse um rio na minha frente, com a água mais fresca e cristalina que existe no mundo.

E para mim, esse rio tem nome:

Juliet Pierce.

Não posso esquecer das nascentes, claro: Heitor e Laurinha.

Laurinha, minha princesinha, minha mini-Juliet que já tinha me conquistado com seu jeitinho, mas foi quando disse: “Você quer ser nosso novo papai?”, que ela me ganhou para sempre.

A conexão com essa pequena é tão grande e surreal que ela sempre sabe quando não estou bem. É como se uma força maior a levasse até mim, para me dar o carinho e o amor que preciso para me levantar.

Prometi aos meus filhos uma tarde em família. Eu sabia que as coisas na empresa precisavam de atenção, Jenny e Declan fazem uma falta do caralho, mas minha mulher é excelente no que faz e iria garantir que tudo se resolvesse o mais rápido possível para que a promessa feita aos nossos filhos não fosse quebrada.

Só que imprevistos acontecem e esse tinha um nome específico.

Natanael Blake.

Meu tio.

Natanael, desde que meu pai morreu, se perdeu. Eles eram ligados, assim como Norton e eu, mas depois do que aconteceu comigo, isso se quebrou. Ele não me fala, mas às vezes acho que ele se sente mal em ter me ajudado e dado as costas ao irmão.

Não que ele se arrependa, não é isso.

Mas meu pai ter morrido sem eles terem se acertado… isso o marcou para sempre.

Deixei a Ju contrariada na empresa e corri até a cobertura. Fui recebido por ninguém menos que Marcela. E ela nunca perde a oportunidade de me provocar. Na cabeça doente dela, suas provocações me excitam; mal sabe ela que isso me irrita… e ao extremo.

Passei por Marcela, e lá estava ele, jogado no chão, papéis espalhados por todo o escritório. Henry, seu assistente, em pé olhando aquela situação calado.

— O que foi dessa vez? — perguntei ao Henry.

— Mais um negócio mal feito. Eu avisei, o conselho avisou, mas ele não ouviu.

— Quanto? — fui direto.

— Três Bi. — ele respondeu seco.

— Noah… você precisa me ajudar. Dessa vez eu resolvo isso, não podemos perder a Blake. É o legado do seu avô, e tudo pelo que seu pai trabalhou por anos. — Meu tio me disse.

Passei a mão no rosto tentando me acalmar. Dinheiro não era problema, nunca foi. Sempre que ele precisa eu vou lá e resolvo.

Mas chegamos a um momento que não dá mais.

— Tio… — eu disse, me agachando para ficar à sua altura. — Esquece isso, já perdemos muito tempo, dinheiro e até sanidade em um negócio falido.

Ele levantou os olhos para me encarar e, por um momento, eu vi meu pai ali. Recuei por um instante. Odiava essa semelhança, odiava esse olhar.

— Você quer que eu abandone o que minha família lutou anos para construir?

— E que o senhor está levando meses para destruir. — rebati.

— Está me culpando? Seu moleque! — perguntou irritado, tentando levantar. Henry veio para ajudá-lo, fiz o mesmo e agora ficamos frente a frente.

— Estou culpando o sistema que tem usado, a forma como tem trabalhado. Não tenho nada a ver com a Blake há seis malditos anos, quando a vendi a você a troco de pão. — Falei irritado. — E ao mesmo tempo tenho estado dentro dela pelos mesmos seis anos, com suas dívidas, seus problemas. — Levantei os olhos para encará-lo. — Tio, eu tenho minha vida, minha empresa, minha família para cuidar. Eu não posso ficar sempre entregando bi… — mas ele me interrompeu.

— Família? Eu sou sua família! — Ele falou exaltado. Respirei fundo. Odeio contrariá-lo, odeio ter que bater de frente com ele.

— O senhor continua sendo, mas agora eu tenho mulher e filhos. — respondi em um tom calmo.

Ele riu com sarcasmo.

— Hum, filhos que até onde sei não são seus. — fechei minha mão em punhos tentando me controlar.

— Não sei o que Marcela te contou, mas quero deixar bem claro. — fechei a distância entre nós. — Aquelas crianças são meus filhos, e qualquer um que diga ao contrário disso… — e mais uma vez ele não me deixou terminar.

— Vamos ver o que o pai deles de verdade pensa disso.

Aquilo me atingiu. A forma como ele falou sobre George não foi aleatória. Não foi um simples comentário por saber que me envolvi com uma mulher que já tem filhos e é óbvio que existe um pai. Foi conhecimento de causa: ele conhece George.

— E como você poderia saber o que o pai pensa? Quem te garante que não foi o pai quem abriu mão dos filhos?

Ele me olhou como se percebesse que o comentário dele tinha ido longe demais.

— Eu não sei de nada, Noah, só estou dizendo o óbvio. Nenhum pai aceita que seus filhos chamem outro homem de “pai”.

Natanael tentou passar segurança em suas palavras, mas ele falhou. A semente da dúvida já havia sido plantada dentro de mim.

— Meus filhos não estão em pauta por aqui. E sim, que essa é a última vez que te ajudo com isso. Se não quer dívidas, venda a empresa.

Meu tio me encarou, os olhos dele escureceram. O verde, antes vivo, pareceu se apagar. Ele segurou meu queixo e sussurrou para que somente eu ouvisse.

— Não se esqueça nunca, Noah Blake, que fui eu quem te tirou daquele inferno. — E com essas palavras ele me atingiu… sempre atingia. — Ninguém acreditou em você, mas eu sim. É sua vez de acreditar em mim. — ele soltou meu queixo antes de concluir. — Minha empresa está bem, foi só mais um deslize e preciso do dinheiro ainda hoje.

Henry olhava para mim como quem diz “não acredite nisso”, e eu não acreditava.

— Vou ligar para o Declan.

— Ótimo.

Ele respondeu com um sorriso, como se nada antes tivesse acontecido. Jogou os braços por meu ombro, me puxando para mais perto.

— Vamos almoçar. Pedi para o Henry encomendar comida daquele restaurante que você adora. — ele deu dois tapinhas no meu peito. — E Marcela sente sua falta.

— Agradeço, mas preciso falar com o Declan para resolver seu problema até o final do dia.

— Ah, perfeito, esse é meu garoto. — O tom dele havia mudado, os olhos voltaram a brilhar. Era sempre assim: ele conseguia o que queria, e tudo se resolvia.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar