Capítulo 167 — Medo de perder
Declan Reed
Saímos e paramos no corredor, bem ao lado da porta. A postura de Elijah gritava problema, e senti meu coração apertar.
— Vamos lá, eu não quis alarmá-la lá dentro — ele começou, cruzando os braços. — Mas a situação mudou drasticamente nas últimas horas.
— Como assim? Ela disse que estava bem; eles disseram que estava, por isso a mandaram para o quarto — argumentei.
— Ela estava, mas o quadro mudou. Os exames revelaram que a Jenny está em sepse, Declan.
Eu nem sabia direito o que isso significava, mas a forma como ele falou fez com que a palavra caísse sobre mim como um peso.
Elijah suspirou e continuou, com a voz grave:
— A bala que eles deixaram lá... não é estéril. Ela arrastou bactérias da roupa e da pele para dentro da cavidade pélvica. O corpo dela tentou isolar o objeto estranho, mas formou-se um abscesso massivo ao redor do projétil.
Cada palavra dele fazia minha mente girar.
— O que isso significa? — perguntei com a voz arranhada.
— Significa que a infecção vazou para a corrente sanguínea. É por isso a febre alta e os tremores. E febre nessa intensidade... — Ele hesitou por um momento. — É catastrófica para o feto. Estamos correndo contra o tempo. Se a infecção atingir o útero, o bebê morre. Se a sepse avançar, a Jenny entra em choque e morre.
O chão se abriu sob mim. Coloquei a mão na parede para me segurar.
— Declan! — Elijah chamou, já me segurando. Olhei para ele e, por um instante, eu não o vi; estava tudo escuro.
Quando me recompus, a raiva e o medo se misturaram.
— Então tirem essa bala. Agora — falei irritado.
— Não é tão simples. — O olhar de Elijah era de pura advertência. — A cirurgia de emergência agora, com o corpo dela inflamado, é arriscada. O estresse cirúrgico pode induzir um aborto espontâneo imediato. As chances do bebê... são baixas.
Ele virou a prancheta para mim, e logo em cima estava escrito “formulário de consentimento”.
— Mas se não operarmos agora, a infecção vai matá-la antes do próximo amanhecer. Precisamos drenar o abscesso e remover a bala. A decisão é sua, Declan. Salvamos a mãe e rezamos pelo bebê, ou esperamos e perdemos os dois.
Olhei para o papel em sua mão, depois para a porta fechada onde Jenny estava me esperando com “a descoberta”, sem imaginar que o que descobri é que a vida dela estava por um fio novamente. O peso do mundo desabou sobre meus ombros. Não havia escolha, mas isso não tornava aquilo menos aterrorizante.
— Faça — ordenei, minha voz falhando. — Prepare a sala.
Elijah colocou a mão no meu ombro.
— O médico que vai fazer o procedimento é um dos melhores cirurgiões dos Estados Unidos, e eu estarei com ele a todo momento. Faremos o melhor para salvar os dois.
Eu assenti. Mas a verdade é que eu queria dizer: “Salva ela. Jenny é a prioridade. Bebê podemos ter outro, minha pequena não”... Só que me senti tão egoísta por isso que varri esse desejo de dentro de mim. Minha mulher jamais me perdoaria por desejar algo assim.
— Por favor, Elijah, só salva eles… — sussurrei, já sentindo as lágrimas escorrerem.
— Darei o meu melhor, eu prometo. Agora preciso que você a prepare para isso, enquanto eu preparo a sala com o pessoal.
Concordei. Ele seguiu para o posto médico e eu entrei no quarto.
Assim que passei pela porta e os olhos dela encontraram os meus, o brilho que estava ali antes se apagou. Jenny me conhece melhor do que ninguém. Eu paralisei.
— É tão grave assim? — ela perguntou com a voz carregada de dor.
Dei comando para meu corpo idiota se mexer.
— Pequena… — comecei, me aproximando. — Vou te explicar da forma mais clara possível. — Sentei-me ao seu lado, mas, ao invés de falar, eu chorei.
— Amor… — ela sussurrou, limpando minhas lágrimas. — Vamos lá, eu aguento.
Prendi meus olhos nos dela, e as palavras que saíram da minha boca não foram “vocês estão correndo risco”. Eu só consegui dizer:
— Jenny… Quer casar comigo?
Ela piscou, confusa.
— Declan… você… eu…
— Eu sei que esse não é o momento, mas antes de te contar eu preciso saber. — Aproximei-me mais dela, segurei seu rosto em minhas mãos. — Você aceita casar comigo? Ser a senhora Reed? Ser minha para sempre? Não que eu fosse deixar você ir. — Ela riu fraco. — Mas preciso disso, preciso saber…
— Sim… Tudo o que eu mais quero é me casar com você. — ela respondeu sem hesitar.
Eu chorei e a beijei, com tudo o que eu tinha, com toda dor, com todo medo, mas também com todo amor e esperança de que ela iria para aquele centro cirúrgico, mas ia voltar para mim.

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