Capítulo 164 — Nós dois nunca mais
Samantha Jones
Grávida.
Dá para acreditar que estou grávida e noiva de um príncipe como Atlas?
Nem vivendo mil vidas eu teria a sorte que estou tendo nessa, em encontrar um homem que me ama, me respeita, que cuida de mim e protege sem se importar com nada, nem ninguém.
Meio exagerado às vezes… mas perfeito até nos exageros.
E nesses exageros está incluso: “Você vai fazer repouso absoluto, Samantha”.
Foi por isso que pedi para que José viesse até mim. Com tudo que tem acontecido, não sei bem como ele está, como está se virando. Ninguém concorda com a forma que lido com ele, mas José é minha única família, o único pedaço que sobrou da minha mãe.
Rosa me encontrou na rua, machucada e abandonada depois de uma surra que meu pai me deu. Me levou para o hospital, cuidou de mim e depois me levou para sua casa. Cuidou de mim como se fosse sua filha de verdade. “Minha menina” era como ela me chamava.
José nunca gostou muito disso, eu sei, não sou idiota. Conforme fomos crescendo, ele deixava isso claro para as pessoas, o ciúme da minha relação com a mamãe era evidente. O pai dele abandonou ele e a Rosa por outra família, e ele achava que eu tinha vindo para fazer o mesmo.
Na cabeça do meu irmão, outra família levou o pai dele, e ele achava que eu levaria a Rosa.
Ele não poderia estar mais enganado… porque eu nunca quis dividir, eu só queria somar.
Um dia, em uma das nossas noites com o “francês”, a Ju me perguntou:
“Você realmente não vê que José só se aproveita de você?”
Só de lembrar daquela noite, um sorriso triste brinca em meus lábios. Mas eu me lembro do que respondi…
Claro que vejo! Mas eu não me importo, porque meu amor não é egoísta, ele é altruísta. Consegue perceber a diferença? Eu não amo ele, ou faço as coisas por ele, pelo que ele pode me oferecer. Eu o amo e me dedico a ele pelo que ele é.
E José é meu irmão.
Mesmo que ele não me veja assim, eu o vejo. E mesmo que ele diga para as pessoas que não liga para mim, que ele não me ama, que não pediu para que eu entrasse na vida dele… eu sei a verdade.
Amor de palavras é muito lindo, mas o de atitudes, esse é o que marca a gente.
Meu irmão pode dizer que não me ama, mas ele me prova o contrário desde que Rosa me levou para casa.
Foi o José quem me protegeu do meu pai quando ele voltou e quis me levar à força na porta da escola; foi ele quem ameaçou as meninas que judiavam de mim na aula de educação física; quando o meu primeiro chefe quis me forçar a fazer “hora extra” e José descobriu, ele deu uma surra no cretino.
Ele me jogou nas mãos do Snake, sim, mas foi ele quem chegou primeiro para me buscar quando fui sequestrada. E quando ele descobriu o passado do Atlas, ele quis me proteger achando que aquilo era o certo.
José pode nunca me dizer com palavras “eu te amo”, mas ele diz com atitudes. Talvez nem ele mesmo saiba que isso é amor.
Mas eu sei que um dia… ele vai descobrir.
Eu acordei e ainda estava sozinha no quarto. Pensei que meu irmão não tinha chegado, e assim que saí do quarto encontrei Georgina, que me disse que Atlas e José estavam no escritório. Foi aí que eu ouvi:
“Não estou insinuando. Estou dizendo. Se minha mãe morreu… foi por culpa da sua mulher.”
Aquilo foi uma facada em meu coração…
Nunca foi só ciúmes de mim com a Rosa. José me culpa pela morte dela. Eu desmaiei, voltei a mim, quis falar com José, mas Atlas não deixou. Me levou para o quarto, me acomodou e depois disse:
— Fica deitada até o Elijah chegar. Eu já volto. — E saiu. Mas eu estava inquieta, eu precisava falar com meu irmão. Mas não era só isso, era como se algo lá fora me chamasse. Levantei com cuidado, caminhei até a porta e, assim que a abri, a cena me acertou em cheio.
José estava deitado, sangrando, mãos no rosto. E Atlas? Ele estava furioso. Batia no meu irmão com toda a força que tinha. Cada chute era como uma punhalada em mim.
— ATLAS, PARA!! — meu grito saiu tão estridente que nem eu mesma me reconheci. Corri até meu irmão e me agachei ao seu lado.
— José… — O chamei, já sentindo as lágrimas se formarem. Ele olhou bem dentro dos meus olhos, se moveu como se quisesse levantar as mãos, mas não conseguiu.
E com a voz num fio, mas carregada de sinceridade, ele disse:
— Me perdoa.
Depois apagou.
— José?! — O chamei. — José, fala comigo.
— Sammy. — Atlas me chamou, tentando me levantar.
— ME DEIXA!! — gritei. — O MEU IRMÃO PRECISA DE MIM.
— Sammy, o Atlas só quer te ajudar. — Athena disse, se agachando ao meu lado. — Vamos levar seu irmão para o hospital, ok? Vou ligar para o Oliver, e nós dois o levamos.
— Obrigada, eu também vou. — falei, puxando meu irmão para mim.
— De jeito nenhum. — Atlas disse em um tom que ele raramente usa. — Nenhuma de vocês vai para o hospital. Eu vou ligar para a segurança vir recolher o lixo e jogarem na rua.
Uma fúria se acendeu dentro de mim. Coloquei a cabeça do meu irmão, que ainda estava desacordado, no chão e me levantei para encará-lo.
— Eu vou levar o meu irmão ao hospital, Atlas, quer você queira, ou não.
— Sinto em decepcioná-la, Samantha, mas você não vai sair desse apartamento.
— Quero ver você me impedir, Atlas. — ficamos nos encarando por alguns segundos até que ouvi José gemer.
— Sammy…
Me agachei novamente.
— Tô aqui, vou te levar para o hospital.
— Não precisa, eu estou bem. — ele disse com a voz baixa.
— José, você está sangrando, onde isso é estar bem?
— Mas estou, não é a primeira surra que levo. — ele levantou os olhos para encontrar os olhos de Atlas, que tinha um sorriso malicioso nos lábios.
— E se continuar assim não será a última. — Atlas disse.
— Vamos levá-lo até um dos quartos. — Athena sugeriu.
— Não. — Atlas falou, autoritário.
— Mas Atlas, ele está… — ele não deixou a irmã terminar.
— Foda-se o que ele está. Ele cobrou um milhão para ficar longe da minha mulher. E eu paguei. — Atlas abaixou para encarar José. — Agora ele vai cumprir.
— José, o que isso significa? — perguntei, sentindo um nó na minha garganta.
— Significa que você é só uma fonte de renda para ele. — Atlas respondeu ríspido.
— Sammy… — meu irmão começou, mas não terminou. Ele alcançou o celular, mexeu por alguns segundos e logo em seguida o do Atlas apitou.
— Estão aí seus quinhentos mil, Atlas Wilson. Tô recusando seu dinheiro.
— Isso não muda nada. — Atlas disse firme. — Ainda quero você fora da minha casa.
José começou a levantar com cuidado, e suas pernas cederam.

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