Capítulo 158 — Menos de um dia
Christopher Lawson
Voltei para o quarto.
Penelope ainda estava na cama, mas agora deitada, abraçada ao travesseiro. Ela virou o rosto quando ouviu a porta.
— Já voltou? — perguntou, a voz mais mansa, rouca de choro.
— É o resultado de bons contatos. — respondi, me aproximando.
Deitei ao lado dela, puxando-a para o meu peito com cuidado. Ela se encaixou como se aquele lugar tivesse sido feito sob medida e, vamos ser honestos, foi.
— Falei com o Dom. — contei, passando a mão devagar pelas costas dela. — Seu problema já não é mais só seu. Agora é assunto de família.
Ela soltou um sopro de riso contra minha camiseta.
— Isso é bom ou ruim? — murmurou.
— Para você, é ótimo. — respondi. — Para o Sebastian, é péssimo.
Ela inclinou o rosto, me olhando de baixo, os olhos ainda úmidos, mas com um brilho novo.
— Você… contou tudo?
— O suficiente. — disse. — Dom já tinha um terço da história, eu só fechei uma coisa ou outra. Falei para ele que um sociopata resolveu te mandar uma conta bilionária e ameaçar a sua paz. E deixei claro que eu não vou aceitar isso quieto. E claro, pedi ajuda.
— E ele…? — ela insistiu.
— Ele perguntou se era dinheiro de verdade ou isca. — respondi, sorrindo. — Quando ouvi isso, lembrei por que somos amigos.
Os lábios dela se curvaram também.
— E você disse…?
— Que você vale mais que qualquer bilhão. — falei, simples. — E que ele não merece nem o dinheiro, nem você.
Penelope fechou os olhos por um segundo, como se guardasse as palavras num lugar onde nada pudesse roubar.
— Eu não sei o que fiz para merecer você. — ela sussurrou.
Passei a mão pelo cabelo dela, ajeitando uma mecha atrás da orelha.
— Me chamou de babaca na primeira vez que me viu. — respondi. — Acho que foi isso.
Ela riu, mais solta. Meu peito afrouxou junto.
— E agora? — perguntou, baixinho. — O que acontece agora?
— Agora… — murmurei, virando de lado para encará-la melhor. — Você respira. Confia em mim. E deixa eu te lembrar, de todas as formas possíveis, que você não pertence a mais ninguém além de você mesma.
Ela mordeu o lábio, aquele vício que já virou gatilho meu.
— Nem a você? — provocou.
— Nem a mim. — concordei. — Eu só tenho o privilégio de você escolher ficar.
Levei a mão ao rosto dela, o polegar acariciando a linha do maxilar, subindo até a boca, contornando o lábio inferior devagar. O clima no quarto mudou. A tensão do medo foi cedendo lugar para outra coisa: algo quente, denso, familiar… mas diferente.
Ela pareceu perceber também.
— Chris… — chamou, a voz mais baixa, mais íntima.
— Hm?

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