Capítulo 157 — Real ou isca?
Christopher Lawson
Liguei para Dominic. Se existia alguém que pudesse me ajudar com esse “problema”, esse alguém era meu amigo fodão do FBI.
— O que precisa? — Dom perguntou sem hesitar. Respirei fundo, sentindo a fúria se alinhar à decisão.
— Preciso de um bilhão de dólares.
Do outro lado da linha, o silêncio durou só um segundo. O suficiente para eu quase ouvir o cérebro do Dominic girando.
— Real, ou isca?
Um sorriso puxou o canto da minha boca. Claro que ele ia entender.
— Isca. — confirmei. — Eu jamais entregaria a porra do meu patrimônio inteiro para aquele cretino. Minha mulher vale muito mais que isso. A questão é que ele não merece. Nem o dinheiro… e muito menos ela.
— Concordo em gênero, número e palavrão. — Dom respondeu, seco. — O que você tem em mente?
Andei até a janela, encostei o ombro no batente e olhei a cidade lá embaixo. Manhattan seguindo a vida, sem ter noção de que um sociopata achava que podia mandar uma conta bilionária para a minha cama.
— Ele deu três dias a ela. — comecei. — Então a gente dá o que ele quer achar que tem: satisfação. Vou mandar e-mail. Dizer que recebi a carta, que um bilhão é um valor alto, mas… possível. E que quero negociar. Que preciso de garantias, que não confio em encontro marcado em lugar desconhecido. Eu jogo como Boss que lavou dinheiro a vida inteira e hoje vive de fachada bonitinha.
— “Hoje tem loja de carro, antes tinha quinhentos quilos de pó passeando pela costa”. — Dominic resmungou. — Ele vai acreditar?
— Vai, porque pessoas como ele acreditam que o mundo inteiro é feito de monstros do nível dele. — respondi. — E porque sabe que eu tenho um passado que banca essa fanfic. O ponto é: ele vem atrás da grana. Sempre vem. Ou manda alguém vir.
Dom ficou em silêncio por um instante, mas eu conhecia aquele silêncio. Era o de quando ele começava a montar o tabuleiro.
— Eu puxo o fio oficial. — disse, enfim. — Peço para a perícia rastrear o envelope: impressora, papel, origem provável. Pego as imagens do entregador, o trajeto dele até o prédio, cruzo com câmeras de rua. Tudo sem seu nome aparecer. Vai ser “ameaça contra uma testemunha potencial num caso em andamento”. E, por acaso, a testemunha é a sua mulher.
— Você vai usar o sistema por mim, Costello? — provoquei. — E eu achando que tinha perdido meus privilégios.
— Cala a boca. — ele cortou, mas eu ouvi o meio sorriso. — Enquanto eu puxo por cima, você puxa por baixo. Manda a resposta, deixa ele achar que está conduzindo. Se marcar encontro, a gente escolhe o terreno. Se quiser transferência, a gente mostra o dinheiro… mas em conta que não existe.
— Conta fria, tela falsa, saldo inventado. — complementei. — Ele só precisa ver números suficientes para ficar com os olhos brilhando.
— E quando ele brilhar… — Dom continuou o raciocínio. — A gente apaga. Legalmente, se ele vacilar o suficiente. Se não… — a voz dele ficou mais grave. — Você sabe trabalhar sem papelada melhor do que eu.
— Infelizmente, sei. — respondi. — A ideia é simples: fazer esse filho da puta entender que o contrato morreu junto com a paciência da Penelope. E que a única coisa que ele vai ganhar insistindo é problema.
— E ele tem histórico de aceitar “não”? — Dominic perguntou.
Lembrei da carta. De cada linha. De cada ameaça embrulhada em carinho falso.
— Não. — respondi. — E é por isso que eu quero que ele venha até nós. Porque se ele resolver jogar sujo à distância, fica mais difícil de rastrear.
— Então vamos encurtar essa distância. — ele concluiu. — Me manda a carta. Escaneie, fotografa, o que der. Eu quero o texto, a assinatura, qualquer detalhe. Vou colocar o sobrenome desse merda na mira oficial. Você cuida da mira extraoficial.

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