Capítulo 156 — Entre dívidas e promessas
Christopher Lawson
Penelope esperava pelo fim, eu sabia.
Mas o fim não existia para nós. Eu não estava ali para julgar o passado dela, eu estava ali para garantir o nosso futuro.
— Não. — neguei, passando o polegar pela bochecha molhada. — Você não confiou em você. Em ser amada mesmo com isso. Eu… — engoli, sentindo o peito apertar. — Eu já sabia de um pedaço dessa merda, encrenca.
Os olhos dela se arregalaram.
— Como assim…?
Suspirei.
— O Dom me mostrou um relatório, semanas atrás. — admiti. — Nome do clube, seu “sumiço” de Los Angeles, o sobrenome do Vechi. Ele queria que eu ficasse alerta. Eu falei que ia esperar você me contar. Que a história era sua, não dele, não de papel nenhum.
Ela me encarou como se eu tivesse pendurado a lua na janela.
— Você sabia… e mesmo assim…
— Mesmo assim, continuei acordando com você na minha cama todo dia. — completei. — Continuei te chamando de encrenca, continuei querendo você mais do que é saudável... e vou continuar. Porque eu não estou com a Penelope-limpa-de-passado. Estou com a Penelope inteira.
Ela riu entre lágrimas.
— Você é muito idiota, Christopher.
— E você é muito lerda. — rebati. — Está na cara que eu estou completamente ferrado por você.
Os olhos dela brilharam diferente dessa vez. Não era só dor. Era algo nascendo por baixo dela.
— Repete. — pediu, baixinho.
— Que você é lerda?
— Não. — os dedos dela seguraram o colarinho da minha camiseta. — A outra parte.
Soltei o ar, sentindo a verdade subir sem resistência.
— Eu te amo, Penelope. — falei, simples, sem maquiagem. — Te amo por tudo que você é, pelo que você foi e pelo que ainda vai ser. Te amo quando você ri da minha cara, quando bagunça meu armário, quando tenta mandar em mim, até quando, mesmo sendo uma encrenca — beijei a ponta do seu nariz, ela suspirou. — Mesmo assim, ainda me obedece. Te amo principalmente quando some dentro da própria cabeça com medo de ser demais.
Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.
— Não fala isso se não for verdade… — sussurrou. — Eu não aguento mais promessas vazias.
Segurei o rosto dela com as duas mãos, me aproximando mais.
— Eu nunca me senti assim. Eu pensei ter sentido algo um dia, mas não era amor. — confessei, a voz firme. Não citei o nome da Ju, ela não cabia nessa conversa, mas precisava que minha mulher entendesse que meu sentimento por ela era único. — Mas aí, você apareceu, me desafiando, me chamando de “babaca”, me fazendo perder o controle e querendo ser alguém melhor só para merecer dividir o mesmo teto que você.
Ela deixou escapar um riso choroso.
— Eu… — começou, engolindo em seco. — Eu também te amo, Chris.
O mundo parou um segundo.
— Eu te amo para caralho. — ela continuou, a voz falhando. — Muito mais do que eu achei que fosse capaz depois de tudo. Eu só… tive medo. Medo de você me olhar e ver só o que o Sebastian via. Um investimento. Um brinquedo caro. Ou só a substituta de algo que você achou que sentia. Eu não queria ser ferida.
Eu encostei a boca na dela antes que a insegurança conseguisse formar mais uma frase.

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