Capítulo 150 — Caos sob controle
Dominic Costello
— Atira? — repeti, encarando o policial. — Tem certeza?
Ele não piscou.
— Abaixa a arma no chão e afasta um passo, senhor! — berrou de volta. — Último aviso!
O colete dele estava justo, a arma firme, postura correta. Bom treinamento, péssimo timing.
Levantei um pouco a arma, sempre apontada para baixo, deixando bem claro que não era uma ameaça naquele exato segundo, pelo menos não para ele.
— Me diz uma coisa. — falei, calmo. — Você viu quem começou?
— Não, mas estou vendo um homem armado no meio de três corpos! — retrucou. — Coloca a arma no chão, AGORA!
Respirei fundo.
— Tá. — inclinei a cabeça. — Vamos brincar de lógica, então. Estamos num estacionamento de hospital. — falei, apontando com o queixo para o prédio. — Se eu quisesse matar gente, acha mesmo que eu ia escolher um lugar cheio de câmeras, com emergência ali do lado, um monte de testemunha filmando, e ainda ficar aqui esperando a polícia chegar junto da minha mulher?
Alguns curiosos ainda estavam na beira da cena, segurando o celular com a cara de “meu Deus” e “isso vai para os meus stories”.
— No chão! — insistiu ele. — E vira!
Eu segurei o riso.
— Você é sempre assim, ou está empolgado porque tem plateia? — perguntei. — Olha, eu entendo que seu protocolo diz que qualquer homem com arma é suspeito. Mas o meu diz que eu não vou abaixar uma porra de uma arma a menos que eu tenha certeza que quem está apontando para mim sabe com quem está falando.
— Você tá de palhaçada com a polícia de Nova York? — o rosto dele ficou vermelho. — Abaixa essa arma, cidadão, ou eu juro que…
As sirenes aumentaram. Mais duas viaturas desceram a rampa e pararam perto, os pneus gritando contra o concreto. Portas bateram. Mais dois policiais saíram, colete, arma, postura pronta para confronto.
Um deles, mais velho, correu os olhos pela cena, os corpos, o sangue, minha arma, o colega com a pistola apontada para o meu peito. E então me viu.
— Chefe Costello?! — ele exclamou.
O idiota à minha frente congelou.
Eu quase sorri.
— Bom dia, oficial. — respondi, sem olhar para o que ainda me encarava como se eu fosse o vilão. — Pelo visto vocês andam ouvindo pouco o rádio interno.
O mais velho baixou a arma imediatamente, fazendo sinal para os outros.
— Baixem, baixem! — ordenou. — Ele é FBI. Supervisor do escritório de Nova York.
O policial que me mirava piscou algumas vezes, confuso, o dedo ainda no gatilho.
— FBI? — repetiu.
— Dominic Costello. — completei. — Agente especial supervisor. — Enfiei a mão no bolso, mostrei o distintivo com a mão livre, sem soltar a arma. — Agora você quer repensar esse “atire antes e pergunte depois” ou vai manter a pose até o fim?
Ele engoliu em seco, a arma baixando devagar.
— Eu… não sabia, senhor. — murmurou.
— Eu percebi. — respondi. — Mas tudo bem. Você seguiu o protocolo. Só tenta não atirar em quem mata os caras que estavam prestes a enfiar bala em civil inocente, combinado?
Ele pareceu encolher dois centímetros.
— Sim, senhor. Desculpe, senhor.
— Depois a gente vê isso. — falei, desviando o olhar para a rampa.

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