Capítulo 148 — Quando o inferno estaciona
Dominic Costello
Adam estava encostado no meu carro como se fosse dono, braços cruzados, cara de poucos amigos.
Meu sangue voltou a ferver.
— Taylor. — repeti, firme. — O que ele está fazendo aqui?
Ela apertou mais a minha mão, como se isso fosse o suficiente para segurar um touro pelo chifre.
— Dom, calma… — pediu, baixo. — Eu chamei ele.
— Você fez o quê? — virei o rosto na direção dela, devagar, para ter certeza de que tinha ouvido direito.
— Eu chamei ele. — insistiu. — Ele tem informações, Dominic. A gente precisa ouvir…
— Não preciso ouvir porra nenhuma desse idiota. — cortei, já largando a mão dela e caminhando na direção do Adam. — Eu falei para você ficar longe da minha mulher e, ainda assim, olha onde você está.
Adam descruzou os braços, mas não se mexeu.
— Também é bom te ver, senhor agente. — disse, com sarcasmo. — E só para constar, eu não vim aqui para você.
— É mesmo? — parei a um passo dele. — Porque, do meu ponto de vista, você está encostado no meu carro.
— Seu? Pensei que fosse da estrelinha. — me respondeu com sarcasmo.
— Não me provoca, garoto. Usa seu tempo com sabedoria, porque ele pode acabar e você nem ver.
— Dominic! — Taylor veio atrás de mim, a mão no meu braço bom. — Pelo amor de Deus, se acalma. Ele só quer ajudar.
— Ajudar quem? — rosnei. — O Snake? O irmãozinho metido em merda?
— Ele tem informações sobre o atirador. — ela insistiu. — Sobre quem está por trás disso tudo. Ele veio porque eu pedi, Dom. Você pode, por cinco minutos, ouvir antes de partir para a porrada?
Olhei para ela. Depois para ele.
Eu não confiava no Adam. Tudo em mim grita quando o assunto é ele e essa merda toda.
— Eu não confio em você nem um pouco. — falei para ele, impassível. — E não quero você perto da minha mulher. Já estou sendo muito educado por não ter enfiado você dentro do porta-malas ainda.
— Educação não é exatamente sua maior qualidade. — ele rebateu, levantando o queixo. — Mas eu também não vim aqui atrás do seu charme.
— Os dois, CHEGA. — Taylor se colocou entre nós, me empurrando um passo para trás. — Adam está arriscando o pescoço vindo até aqui. Dominic, você é o FBI. Acha mesmo que ele ia aparecer do nada, em um hospital, se não fosse sério?
Abri a boca para retrucar.
Foi aí que algo chamou minha atenção.
Um carro preto, vidros escuros, passou devagar por nós. De novo.
Eu tinha visto aquele carro dando uma volta no subsolo quando descemos. Achei que estivesse procurando vaga. Mas agora, passando pela segunda vez, com pelo menos metade do estacionamento vazio? Não. Ninguém procurava tanto assim.
Meus instintos gritaram.
Dois homens no canto à esquerda, perto da parede de concreto, fingindo olhar para o celular e, ao mesmo tempo, para nós. Um terceiro mais adiante, encostado em uma pilastra, mão dentro da jaqueta como se estivesse com frio. Dentro de um estacionamento fechado.
Merda.
— Finjam normalidade. — falei, de repente, baixo, sem tirar os olhos de Adam.
— O quê? — Taylor franziu a testa. — Amor, o que houve?
Eu avancei um passo para o Adam, agarrando a gola da camiseta dele com a mão boa, empurrando-o contra o carro com força.
— Eu te mandei ficar longe da minha mulher! — gritei, e a raiva parecia tão real quanto era conveniente.
Ele entendeu na mesma hora. Não tentou fugir. Não se defendeu. Ficou ali, parado, me olhando.
— DOMINIC! — Taylor gritou, tentando puxar meu braço. — PARA COM ISSO!
Aproximei o rosto do Adam, falando baixo o suficiente para só ele e ela ouvirem.
— Carro preto, três voltas, já passou duas por nós. — sibilei. — Dois homens na esquerda, um na direita, mão dentro do casaco. Isso é mira, não frio.
Senti o corpo do Adam tensionar sob meus dedos. Ele desviou o olhar apenas por um segundo, rápido, na direção que eu tinha indicado.

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