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Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 143

Capítulo 143 — Gratidão seja bênção e não maldição

Juliet Pierce

Noah e Laurinha ainda dormiam, enquanto eu os olhava. Minha menina estava agarrada ao pai que, mesmo dormindo, ainda tinha uma expressão de dor.

As confissões de Noah ainda ecoavam na minha mente. As palavras dele, que saíam como uma lembrança, como se ele ainda estivesse vivendo aquilo, me doíam na alma.

Por ele, por seu sofrimento, pela falta de amor dos pais, mas também me doía por ser mãe e não ser capaz de imaginar o que senti uma criança que passa por isso. Se algo assim acontecesse com um dos meus bebês… não consigo nem formular um pensamento desses. Como a mãe dele pode ser tão omissa assim? Como o pai pode fechar os olhos e ainda culpá-lo por isso?

Agora entendo por que ele defende o tio tão cegamente. Porque ele foi o único que o viu, que o ouviu, que o defendeu… E gratidão tem dois lados: às vezes é uma bênção sentir… às vezes uma maldição.

Olhei novamente para o Noah.

Só espero que, no caso do meu amor… essa gratidão pelo tio seja bênção.

Ouvi batidas na porta, pedi para entrar e era o Heitor.

— Mamãe, a vovó Cece disse que o café está pronto. — Estendi a mão, meu garoto entendeu o recado e caminhou até mim. O puxei para meu colo e o deitei na cama comigo.

— Nós já vamos, querido. — avisei, dando um beijo no topo de sua cabeça.

— Se demorar, vamos nos atrasar para a escola. — ele me disse.

— Hoje estamos de folga. — falei. — Eu vou para a empresa com o papai e voltamos no almoço para passar uma tarde em família. Podemos assistir a um filme ou jogar um dos seus jogos novos.

— Jura? — meu menino me perguntou, olhando com seus grandes olhos verdes.

Sorri para ele.

— Juro.

De um jeito nada cuidadoso, ele acordou a irmã.

— Laurinha, acorda… — ele a sacudiu. — Estamos de folga hoje, e vamos poder brincar com a mamãe e o papai.

— Papai… — Laurinha o chamou, sonolenta. — O Heitor tá fazendo barulho.

— Ele só está feliz, querida. — Noah resmungou, a puxando para ele.

Heitor saiu do meu lado e foi para o lado do pai.

— Papai, hoje podemos comprar mais gibis iguais aos do tio Norton?

Noah passou o braço puxando Heitor para ele, que riu de surpresa.

— Claro, campeão, compramos quantos quiser. — ele respondeu, dando um beijo na cabeça do nosso menino.

Novas batidas na porta chamaram nossa atenção. Cece entrou com cuidado.

— Pretendem tomar café hoje? — ela nos perguntou de forma carinhosa.

— Cece, pode levar as crianças para mim, por favor? Noah e eu vamos daqui a pouco.

— Claro, querida, venham, meus amores. — Cece os chamou.

Heitor desceu correndo, já Laurinha ficou relutante em sair do lado de Noah.

— Papai, você vem?

— Vou tomar um banho e te encontro lá, minha princesa. — ele respondeu.

Nossa menina deu um beijo nele e desceu correndo em direção à porta. Cece me lançou um sorriso.

— Levem o tempo que precisar, esperamos por vocês.

— Obrigado, Cece.

Assim que a porta se fechou, deitei de frente para o Noah.

— Aceita companhia nesse banho? — perguntei com a voz baixa, suave.

Não queria forçá-lo a nada, tudo aconteceria no tempo dele… só queria mostrar que estamos bem e que nossa vida continua, apesar de toda dor.

Noah me olhou por longos segundos. Os olhos ainda estavam vermelhos, mas já sem aquele vazio de horas atrás. Havia algo novo ali: alívio misturado com medo, misturado com o desejo de acreditar que merecia ser feliz.

Ele esticou a mão, pegou a minha, levou até os lábios e beijou os nós dos meus dedos, um de cada vez, como quem agradece por eu estar ali.

— Aceito — respondeu, rouco. — Mas só se você prometer que não vai ter pena de mim.

Eu sorri de leve, aproximei meu rosto até nossas testas se tocarem.

— Nunca pena, Noah Blake. Só amor. Só orgulho. Só vontade de te mostrar que você está seguro em se entregar para mim.

Ele respirou fundo, como se aquelas palavras fossem oxigênio depois de anos debaixo d’água, e me puxou para um beijo lento, quase reverente. Não era o beijo do Dominador que está sempre pronto para mandar. Era o beijo do homem que finalmente se permite ser amado, dessa vez por completo, sem segredos, traumas e medos.

Entramos no box juntos. A água quente caiu sobre nós como uma bênção. Eu o lavei com calma, passei o sabonete pelas costas largas, pelos ombros tensos, pelas cicatrizes que ninguém vê. Ele deixou. Deixou que eu cuidasse dele sem dizer uma palavra, só respirando pesado, os olhos fechados, a testa encostada na minha enquanto a água levava embora o resto da noite.

Quando virei para pegar o shampoo, ele segurou meu pulso, suave, mas firme. Me virou de volta. E aí o meu Dom voltou, não raivoso, não controlador, mas presente. Inteiro.

— Minha vez — sussurrou contra minha boca.

E me lavou como quem reza. Como quem marca território com carinho. Dedos longos no meu cabelo, mãos grandes nas minhas costas, beijos molhados no ombro, no pescoço, clavícula. Cada toque era uma promessa: eu te vejo. Eu te quero. Você é minha casa.

A água ficou mais quente que o normal. Ou talvez fôssemos nós.

Ele me encostou na parede fria do box, segurou meu rosto entre as mãos e me beijou com fome, mas sem pressa. Uma fome antiga, de quem esperou a vida inteira para ser desejado sem medo.

— Juliet… — meu nome saiu quase como súplica.

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