Entrar Via

Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 142

Capítulo 142 — “Você não é quebrado”

Juliet Pierce

O silêncio ainda pairava no ar como uma névoa pesada, espessa demais para ser respirada com facilidade. Eu sentia cada segundo ecoar dentro de mim como um grito mudo, desses que rasgam a garganta sem som, mas que deixam um gosto amargo de fel na boca.

Noah estava encolhido no chão frio do banheiro, o corpo ainda tremendo em espasmos involuntários, como se estivesse revivendo cada toque, cada medo, cada noite daquele passado sombrio. Seus olhos, mesmo abertos, pareciam presos em um lugar distante, em um tempo onde eu não podia alcançá-lo. Eu não podia entrar naquele quarto da infância dele, não podia lutar contra aquele monstro por ele no passado, mas eu podia estar ali. Podia ser presença. Podia ser a âncora no presente.

Me aproximei com calma, movendo-me devagar para não assustá-lo. Me ajoelhei ao lado dele, ignorando o desconforto do piso duro. E, antes mesmo de dizer qualquer coisa, deixei que meus dedos encontrassem os dele. Não apertei, não forcei. Só ofereci minha mão aberta, palma contra palma, calor contra frio.

Ele olhou para o nosso toque. Depois, subiu o olhar até o meu rosto. E respirou. Um som trêmulo, quebrado. E chorou, não com lágrimas torrenciais, mas com o corpo. Com a alma. Era o choro de quem segurou a represa por tempo demais e agora via as rachaduras cederem.

— Você ouviu tudo? — ele perguntou baixo, a voz rouca, como se a resposta pudesse doer mais do que a verdade que ele acabara de cuspir.

— Ouvi — sussurrei, sentindo meus próprios olhos arderem. — Mas mais do que ouvir… eu senti. E eu estou aqui.

A dor que habitava em Noah não era simples. Não era uma ferida superficial que o tempo cura sozinho. Era cravada. Funda. Uma dor que se moldou ao corpo dele por anos, como se fizesse parte da pele, como se tivesse se entrelaçado ao seu DNA. Agora eu entendia a armadura. Entendia a necessidade de controle, a proteção excessiva, o medo de perder. Tudo fazia sentido, e isso só fazia meu peito doer mais.

Ele respirou fundo, tentando buscar algum controle que já não existia mais. Os olhos marejados e cansados varreram meu rosto, procurando julgamento, talvez nojo, ou pena. Mas ele só encontraria amor. E então, com a voz rouca, ele finalmente disse a frase que parecia ser sua sentença:

— Agora você sabe… por que eu sou quebrado.

Aquelas palavras… partiram algo dentro de mim. Não apenas por ele, mas por todas as crianças que um dia foram quebradas por mãos cruéis, por silêncios injustos de pais negligentes, por ausências imperdoáveis. O homem forte, o CEO temido, o Dominador… ali na minha frente, era apenas o menino que protegeu o irmão.

Aproximei meu rosto do dele, invadindo seu espaço pessoal, mostrando que não tinha medo da escuridão dele. Segurei o queixo forte, firme, obrigando-o a erguer a cabeça para que ele me olhasse nos olhos e visse a verdade nos meus.

— Você não é quebrado, Noah Blake. — Minha voz saiu baixa, mas firme como uma oração, carregada de uma certeza inabalável. — Você foi ferido. Brutalmente ferido. Por pessoas que deveriam te proteger, que deveriam ser seu abrigo e se tornaram seu pesadelo. Mas você… você sobreviveu.

Passei o polegar por sua bochecha, secando uma lágrima solitária.

— E mais do que isso, você amou. Você protegeu o Norton. Você ama seus amigos. Você ama nossos filhos. Você me ama. Alguém quebrado não consegue amar, Noah. E eu te vejo. Eu vejo o homem incrível que você se tornou, apesar de tudo.

Ele fechou os olhos, e pela primeira vez desde que tudo começou, eu o vi respirar. Respirar de verdade. O peito dele inflou e desinflou soltando o peso de décadas. Como se aquela fosse a primeira lufada de ar puro em vinte e seis anos.

— Eu tentei apagar… tudo isso — ele confessou, a voz falhando, revelando a exaustão daquela luta solitária. — Tentei fingir que era só coisa da infância. Mas volta. Volta toda noite. Eu nunca deixei ninguém dormir comigo por isso… É como se ele ainda estivesse ali, sabe? No escuro. Atrás da porta, esperando eu fechar os olhos.

Apertei sua mão, dessa vez com força, entrelaçando nossos dedos até que doesse, para que ele sentisse que eu era real.

— Ele não está mais aqui. Ele está morto, Noah. Você não é mais aquele menino de sete anos indefeso. E eu… — engoli em seco, sentindo o nó na garganta — eu nunca vou te deixar sozinho com esses fantasmas. Nós vamos acender a luz, todas as noites se for preciso.

Ele me puxou para perto, e dessa vez foi o Noah quem buscou o abraço. Um abraço desesperado, quase quebrado, mas verdadeiro. Ele enterrou o rosto no meu pescoço, e eu o envolvi, com todo o amor que tinha, abraçando suas costas largas, como se meus braços pudessem colar cada pedaço dele de volta, como se meu corpo pudesse ser o escudo que ele nunca teve.

Ficamos assim por longos minutos. O tempo lá fora não importava. Só existia o som da nossa respiração misturada no banheiro pequeno. O coração dele batia acelerado contra o meu peito, descompassado, mas aos poucos foi se acalmando, encontrando o ritmo junto ao meu.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar