Juliet Pierce
Já se passaram três dias desde o atentado da Jenny e da morte de Cyrus.
A cidade parecia em pausa, o tipo de pausa que vem antes de um terremoto. Os jornais omitiram os detalhes, a polícia fez vista grossa, e os nomes por trás do caos foram abafados com a mesma facilidade com que uma brisa apaga uma vela. Mas nós sabíamos. Todos sabíamos.
Os meninos decidiram deixar a Paradise fechada por algumas semanas. Dom ainda se recuperava do tiro, Sammy precisava de atenção e Jen ainda estava no hospital.
A segurança do prédio não foi dobrada, foi quadruplicada. Chris anda agitado, segundo a Penny, mais do que o normal. Oliver, para poder estar mais perto de Athena e da nossa Sammy, recusou viajar para um torneio amador. Declan e Atlas, estes só tinham cabeça para suas mulheres, o que era compreensível, ambas precisam deles mais do que tudo agora.
Taylor agora se sentia mais em casa, mas ela e Dom são a verdadeira definição de cão e gato; esses dois ganharam do Chris e da Penelope.
Já ele… meu namorado.
Estava se desfazendo em silêncio.
Caminhei até o escritório, a porta estava entreaberta. Dominic e Christopher estavam conversando com Noah, que não respondia, só ouvia. Dei duas batidas na porta e a empurrei.
— Já barrei a Cece três vezes com a bandeja de café, acho justo que os três estejam na mesa com todos nós. — falei com a mão na cintura.
— A Penelope já chegou? — Chris me perguntou.
— Sim, está lá na sala esperando enquanto conversa com a Tay. — o avisei.
— Preciso falar com ela. — ele disse, saindo do escritório. Noah ainda estava sentado atrás da mesa, com os olhos perdidos.
Suspirei ao vê-lo. Meu coração estava inquieto. Desde o ataque, Noah quase não dormia. Ele evitava conversas longas, me afastava com um beijo na testa e um sorriso torto. Mas eu via em seus olhos... por dentro, meu amor estava quebrado.
— Amor?! — o chamei, que pareceu só naquele instante me ver. — Vamos? — perguntei.
— Querida, vai indo. Preciso fazer umas ligações importantes.
Respirei fundo. Eu era sua assistente, não havia ligação nenhuma a se fazer, não nesse momento. Sabia bem que aquilo era só mais uma das suas desculpas para ficar sozinho.
Olhei para o Dom, que só me deu um aceno e saiu. Fui até o Noah e me sentei em seu colo.
— Não demora nessa tal “ligação” — falei e consegui arrancar um sorriso fraco dele.
— Não vou, prometo. — respondeu, me dando um beijo rápido.
Levantei do seu colo.
— É bom mesmo, se demorar sua filha vem te buscar.
Agora ele sorriu de verdade, e eu saí do escritório. Dominic estava do lado de fora esperando.
— Está tudo bem, Dom? — perguntei preocupada.
Ele me olhou como se estivesse escolhendo as palavras.
— Preciso da sua ajuda, Ju. Noah não quer tocar no assunto. Mas, Juliet, precisamos investigar o tio dele. Tem movimentações suspeitas nos registros financeiros dele, e algumas conexões... obscuras.
— O que você quer dizer com “precisa da minha ajuda”?
— Fala com ele, explica a situação. Noah é teimoso demais quando quer, e não quero ter que passar por cima dele, nem fazer nada escondido.
— Posso tentar explicar a situação, e convencê-lo à investigação.
— Não. — a voz veio atrás de mim, Noah tinha saído do escritório e nenhum de nós tinha ouvido. — Eu já falei que não quero ninguém mexendo com isso. Ele é minha única família. O que vocês estão fazendo é desrespeitoso. Chega. — falou irritado, o maxilar travado, estava claro que estava se segurando.
Dominic tentou argumentar, mas Noah ergueu a mão.
— Eu não quero ouvir. E você, Juliet... não se envolva nessa história.
— Noah, essa história também é minha história! — retruquei.
— E eu prometi a você que resolveria, e vou fazer do meu jeito.
Dom suspirou em derrota, e eu, por um instante, me calei.

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