Capítulo 137 — Volta para mim
Declan Reed
A porta se fechou na minha cara como se tivesse me arrancado o último fôlego.
Eu ainda gritava o nome dela, mesmo depois de estar do lado de fora. Os sons dos alarmes, os passos correndo lá dentro, os gritos dos médicos, tudo parecia vir debaixo d’água. Uma bolha me envolvia. Meu corpo estava ali, ajoelhado, colado ao vidro. Mas minha alma… minha alma estava do outro lado. Com ela.
— Jenny… você me prometeu — sussurrei contra o vidro, com a testa pressionada ali, sentindo minha respiração ofegante embaçar o visor.
Um bipe longo, contínuo, ecoou lá dentro.
Meu sangue gelou.
Linha reta.
Eles a estavam perdendo. Estavam perdendo a minha mulher. Estavam perdendo o nosso bebê.
— NÃO! — bati no vidro. — PELO AMOR DE DEUS!
Vi um médico colocar o desfibrilador sobre o peito dela. Outro corria com uma seringa.
“Choque agora!”
O corpo da Jenny se arqueou com violência quando o choque foi aplicado. A cena pareceu uma tortura. Um filme de terror.
— Jenny… luta, pequena… LUTA POR MIM!
Mais um choque.
— Carga dois! De novo!
Eles estavam lutando. E ela… eu não sei. Eu queria acreditar que sim. Que ela também estava brigando para não me deixar. Que ela não tinha me deixado ainda.
— Linhas irregulares! Temos pulso!
Uma das enfermeiras assentiu. Os bipes voltaram. Fracos, espaçados. Mas voltaram.
Eu caí sentado no chão, com o corpo mole, suado, como se tivesse corrido quilômetros.
Ela voltou.
— Ela voltou… — murmurei, em choque. — Ela voltou…
Um médico saiu rapidamente da UTI. Me levantei cambaleando.
— Doutor, por favor…
Ele me olhou com olhos cansados, mas com um leve aceno me deu esperança.
— Conseguimos estabilizá-la por enquanto. Foi por pouco. A pressão ainda está muito baixa, mas… ela está reagindo.
Levei a mão ao rosto. Meus joelhos tremiam.
— Posso… posso vê-la?
O médico hesitou.
— Só por alguns minutos. Não pode tocá-la. Sem interferir nos aparelhos. Está claro?
Assenti como um condenado que recebeu indulto.
— Sim. Eu só… eu só preciso falar com ela. Por favor.
A enfermeira que me expulsou antes fez uma careta, mas o médico assentiu.
— Cinco minutos. Eu assumo a responsabilidade. — ele disse para a mulher que me encarava.
A porta se abriu novamente.
Dessa vez, fui mais devagar. Cada passo era uma prece. O corpo da Jenny parecia ainda menor depois da parada. Ela continuava intubada, frágil, mas viva. Ainda conectada a mim por algo invisível. Nosso elo.
— Ei… pequena… — aproximei, a voz embargada. — Você voltou.
Toquei seu braço, sei que não era permitido, mas não resisti. Beijei devagar a pele dela, com cuidado para não deslocar nada.
— Obrigado… obrigado por lutar. Obrigado por ainda estar aqui. Eu estava morrendo sem você.
Engoli o choro, mas ele veio do mesmo jeito.
— Eu sou um idiota por não ter te pedido em casamento quando devia. Por não ter te protegido o suficiente. Por ter te exposto à dor. Mas você voltou… você escolheu voltar.

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