Capítulo 134 — Volta para mim
Declan Reed
Eu não me importei mais com o Cyrus. Não olhei para ele, não pensei, não hesitei. Só corri até ela.
Enquanto Christopher Lawson foi até o maldito, o desarmou e, com dois tiros secos e precisos, o mandou direto para o inferno, eu caí de joelhos no chão do meu quarto, puxando o corpo da minha mulher, ensanguentado, para os meus braços.
— Jenny… pequena… — eu a chamava com desespero, as mãos pressionando o ferimento na tentativa inútil de estancar o sangue que se espalhava sem piedade pela blusa rosa clara.
— Precisamos de uma ambulância!!! — Noah gritou, a voz cortando o ar tenso e saturado de pavor. Um dos seguranças já havia se antecipado e estava no telefone.
— Fala comigo, amor. Por favor, fala comigo... — as lágrimas escorriam pelo meu rosto sem que eu sequer percebesse. O chão sob mim era sangue. O ar, dor. O tempo, um grito sem fim dentro do meu peito.
Ela arfava. Pequenos suspiros fracos que rasgavam meus ouvidos.
Meu mundo não estava apenas desabando. Ele estava se rompendo em pedaços irrecuperáveis. Porque Jenny era o meu mundo. E se ela caísse… eu ia junto.
— Vamos colocá-la na cama, Declan. Até os paramédicos chegarem. — Penelope disse, tentando me guiar, tentando manter a calma. Juliet chorava descontroladamente nos braços de Noah, que a segurava firme. A polícia já invadia meu apartamento.
— Sargento Donavan. — A voz de Dominic ecoou vinda do corredor, fria e autoritária. Mesmo se recuperando, meu amigo estava ali.
— Chefe. — o policial respondeu, se curvando levemente. — Já temos a equipe médica a caminho e isolamos o prédio.
— Preciso dos detalhes, saber como esse maldito entrou no prédio. Mas, neste momento… — Dom apontou para minha mulher. — Quero que priorize o atendimento. — Dominic virou-se para um dos seguranças, o mesmo que havia chamado a ambulância. — Ligue direto para o diretor do hospital. Diga que é o Agente Supervisor Dominic Costello quem está falando e exija prioridade máxima.
— Sim, senhor! — o homem respondeu, já discando.
Meu corpo tremia.
— Amor… — falei, a pegando com todo o cuidado que consegui reunir. Quando a levantei, um som fraco escapou dos seus lábios.
— Declan… — ela sussurrou com os olhos semicerrados.
— Sim, minha pequena. Estou aqui. A ambulância já está chegando. Você vai ficar bem. — caminhei com ela no colo, ignorando o sangue que escorria pelos meus braços, ignorando Penelope me chamando, ignorando tudo… menos ela.
— DECLAN!! — Penelope gritou atrás de mim, mas não parei. Eu não ia colocá-la na cama. Eu não queria deixá-la em um lugar onde ela pudesse... parar.
— SANTO DEUS! — Diva soltou assim que me viu entrando com Jenny nos braços. Ela levou a mão à boca, os olhos se enchendo de lágrimas instantaneamente.
— Senhor Reed, a ambulância chegou! Estão subindo agora! — um dos seguranças informou.
Menos de três minutos depois, o elevador abriu. Três homens uniformizados entraram. Dois paramédicos e um médico. Um deles era jovem, mas seus olhos demonstravam experiência. O outro era mais velho e sério. O médico, de jaleco branco por cima do uniforme de emergência, parecia já preparado para uma guerra.
Ao vê-los, eu comemorei: “Graças a Deus, a ajuda chegou”, e respirei aliviado.
No momento em que vi a Jenny baleada, pensei que meu mundo havia ruído, mas eu não podia estar mais enganado. Como a Taylor diz: “Comemorar antes da hora é para os fracos, pois não existe nada ruim… que não possa piorar”.
E piorou...
— Ela está consciente? — o mais novo perguntou enquanto eu a colocava no sofá.
— Estava… agora… — olhei para ela. Jenny estava com os olhos semiabertos, mas a pele pálida. Muito pálida. E fria. — Jenny?! Ei, amor… fala comigo.

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