Capítulo 133 — Eu me enganei
Declan Reed
A pergunta que ecoa na minha mente nesse momento é…
Como o cretino do Cyrus conseguiu entrar no prédio, e pior, dentro do meu apartamento.
— Vai a algum lugar… Declan Reed.
— Pretendo, depois que eu acabar com você. — respondi.
— Gostaria de lembrar, Reed, que sou eu quem está segurando a arma.
— Ah, eu não me esqueço, Cyrus. Nunca. Do quão covarde e cretino você é. — rosnei irritado.
— Covarde? Diz isso o cara que atacou recentemente um homem embriagado que não conseguia se defender.
— Outro covarde como você, que se aproveitou da fragilidade do meu pai. Se me acha covarde por dar uma surra nele, não quero nem imaginar o que vai dizer quando eu acabar com você.
Se esse cretino está tentando me colocar medo, está falhando miseravelmente.
— Sabe, Reed… eu não tenho nada a perder. Você acabou com a minha empresa, com o meu casamento, com a minha reputação, com a minha vida. Te matar não vai me prejudicar. Pelo contrário… acho que te matar seria a única coisa boa que irei levar dessa merda toda.
— Eu acabei com você, Cyrus? Você é um cretino, maldito, estuprador. E fui eu quem acabei com você? Ah, cara… não me faça rir.
Ele sorriu. Um sorriso torto, doente.
— Estuprador… me acusa de algo que não fiz, mas me arrependo. Porque como teria sido gostoso me enterrar na sua “pequena”.
O ar sumiu dos meus pulmões.
— Ela continua uma delícia, sabe? — ele sussurrou, aproximando a boca nojenta do meu ouvido. — Hoje eu a vi se trocar… bem aqui nesse quarto. E, Deus, que vontade de tomá-la para mim que tive.
Minhas mãos fecharam involuntariamente. Minha visão ficou turva.
— Lamber cada curva dela… beijar… e entrar nela até ela gritar seu nome em desespero.
Esse cara era um doente, mas eu?
Sou um doente e meio.
Avancei sem pensar. A mão dele tremeu com o susto, e a arma disparou.
O estrondo foi ensurdecedor, abafado pelas paredes do quarto, e a bala atingiu a parede atrás de mim, arrancando pedaços de gesso.
— Filho da puta!! — urrei.
Me joguei para frente, chutei a mão dele e a arma voou, deslizando pelo chão até bater na quina do criado-mudo.
Aproveitei a abertura e dei uma rasteira, derrubando Cyrus com força. O impacto dele no carpete fez um estalo seco.
— Seu desgraçado! — rosnei, montando sobre ele com os punhos cerrados.
O primeiro soco abriu o supercílio dele. O segundo arrancou um gemido. O terceiro fez a cabeça dele bater no chão.
Ele ainda tentou me empurrar, mas a adrenalina me transformou em algo que nem eu reconheço. Cyrus encarou meu rosto com ódio, e mesmo ensanguentado... tentou sorrir.
Depois, num golpe rápido, agarrou meu ombro e me virou com uma força surpreendente. Caí de costas no chão e o ar saiu do meu peito com violência. Cyrus montou em mim, as duas mãos no meu pescoço.
— Agora eu acabo com você... — rosnou, cuspindo sangue.
Mas não por muito tempo.
Eu era maior, mais forte… e estava muito mais furioso.
Apoiei os pés no chão, girei o quadril e o lancei para o lado. Subi em cima dele de novo, agarrando o colarinho da camisa e batendo sua cabeça no chão com força.
Ele gemeu. Tossiu sangue. Ainda assim, a porcaria do sorriso continuava ali.
— Isso é tudo que você tem, Reed?
Ia ser mais.
Ia ser muito mais.
Meu punho subiu, pronto para descer com tudo no rosto dele, quebrar dente por dente, mas…

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