Capítulo 126 — Estrelinha
Taylor Laurent
Não pensei, só agi. Essa sou eu!
Nunca me importei com nada, porque qualquer que fosse a consequência, ela sempre foi para mim. Eu era sozinha, então… pagava o preço e tudo certo.
Mas hoje foi diferente, a intenção foi boa, mas a consequência não respingou em mim, foi nele, e isso acabou comigo. Ver o Dominic ferido ativou sentimentos, medos, que nem imaginei poder sentir de novo. Mesmo ele sendo forte, e agindo como se aquilo fosse normal, nada tiraria essa coisa de dentro de mim.
E tudo piorou quando olhei para ele, e o vi pálido e confuso.
— Dominic?! — Eu o chamei.
— Cara, está tudo bem? — Declan perguntou.
— Taylor… — Ele me chamou com a voz rouca e baixa.
— O que foi? — eu perguntei, mas ele pareceu não me ouvir, e sem que nenhum de nós esperasse, meu Thor veio ao chão.
— DOM!!! — eu gritei. Por sorte Declan estava ali e conseguiu impedir a queda dele. Jen começou a gritar e uma enfermeira veio com uma maca.
— O que aconteceu?
— Ele é agente de supervisão do FBI e foi baleado. — Declan avisou a mulher.
O restante da equipe apareceu e correram com ele para dentro, e eu os segui.
— Desculpe, senhorita, mas terá que aguardar aqui. — uma das moças me disse.
— Eu sou mulher dele! — falei irritada.
— E traremos notícias assim que tivermos. — ela me respondeu em um tom suave, achando que aquilo me faria recuar.
— Você não entendeu, eu sou mulher dele e vou entrar.
— Tay. — Jen me chamou, segurando meu braço. — É procedimento, querida.
Olhei para ela, e Declan estava parado bem na minha frente.
— Ei, garota, o Dom vai ficar bem.
— Ele levou um tiro, e acabou de desmaiar. — falei seca.
— Eu sei, mas ele é forte. Vamos deixar o pessoal trabalhar, ok?
Mesmo contrariada, acabei concordando e os deixando trabalhar e não causando mais problemas. A enfermeira nos levou até a sala de espera. Os segundos viraram minutos, os minutos, horas. O pessoal foi aparecendo aos poucos, primeiro Noah e a Ju, depois Chris e Penny e por último Atlas e Sammy.
— Quer conversar? — Sammy perguntou enquanto segurava minhas mãos.
— Não gosto disso, de hospitais, de não ter notícias e de saber que ele foi baleado por culpa minha.
— Quem disse que a culpa foi sua? — ela me perguntou confusa.
— Ninguém, eu sei. Fui eu quem correu atrás dos babacas.
— Tay, você foi corajosa para caralho. — Penny disse. — Chris nos contou que os celulares que você pegou estão cheios de pistas para eles acabarem com tudo isso o mais rápido possível.
— A minha coragem fez meu namorado ser baleado e desmaiar na minha frente por perder tanto sangue. Grande merda essa coragem!
— Meninas, o que acham de irem atrás de um copo de água para ela? — Sammy pediu, elas se entreolharam e concordaram.
— Ok. — Samantha começou. — Agora que estamos só nós duas, você vai respirar um pouco e tentar esquecer que foi você quem correu, e focar no que vai dizer ao Dom quando a enfermeira te levar até ele.
— Desculpa. Vai ser a primeira coisa. — respondi.
— Eu não acho que a culpa seja sua, e sei que o Dom também pensa assim. Mas se acha que se desculpar com ele vai fazer você se sentir melhor.
— Não vai, o que me faria melhor era não o ter colocado nessa situação.
— Bom, talvez você não tivesse como evitar. — a olhei confusa.
— Como assim, claro que tinha.
— Tay, esses caras não estão para brincadeira, e muito menos para perder. Talvez se eles não tivessem pegado o Dom hoje, o teriam pegado em outra situação. — uma de suas mãos ainda segurava a minha mão, e a outra ela levou ao meu rosto para tirar uns fios de cabelo dali. — Parou para pensar que eles não atiraram em você, e o Chris nos disse que os dois caras eram do cafetão, o que atirou não.
— O que isso significa?
— Que talvez, essa é uma hipótese que o Chris levantou. De que o atirador estava atrás do Dominic.
Meu peito apertou, ele é um agente, isso faria sentido. Mas as coisas mudariam totalmente, meu namorado estaria correndo um risco triplo, pelo trabalho, por ajudar os amigos e agora… porque alguém o quer morto.
A porta da sala de espera se abriu e uma médica passou por ela.
— Senhorita Taylor Laurent?
— Sou eu. — respondi, levantando rápido demais, fazendo a cadeira arrastar para trás.
A médica era uma mulher na casa dos cinquenta, de olhos gentis, jaleco impecável e um colar com um pingente de cruz. Seu olhar encontrou o meu com um misto de calma e seriedade.

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