Capítulo 120 — Confiança se conquista
Dominic Costello
Confiança não é presente, é conquista.
Noah confia demais no tio e Atlas em David, mas eu farejo problemas. Depois de ver os documentos sobre o senhor Blake, e a expressão de David, algo se acendeu em mim, e no Lawson também.
“Não confio nesse cara”
Foi a mensagem que ele me mandou enquanto seguíamos de volta para o prédio do Noah. Os caras não são ingênuos, eu sei disso. Mas não têm a vivência que Lawson e eu temos com gente desse tipo. Chegamos no meu apartamento e estava rolando uma reunião entre nossas garotas. A minha estava distante, deslocada, sabia que ela estava curtindo a amizade com as meninas, mas algo ainda a incomodava, o que me incomodava também em vê-la desse jeito.
Ela chamou Sammy para o quarto. De todas as garotas, essa foi a que ela mais se identificou. Ela gostava das outras, principalmente da Jen. Mas Samantha tinha algo a mais, eu via isso. Aproveitei que elas saíram, deixando Atlas e eu sozinhos, e o questionei.
— Mas você confia mesmo nele?
— Dom, você mesmo acabou de dizer que ele tem a perder. — Atlas me lembrou.
— Sei o que disse, e mantenho. Mas ainda assim, isso não o impede de se juntar com essas pessoas. Já parou para pensar, Atlas, que ele tem menos a perder do que você, caso isso venha à tona?
— Dominic, você realmente acredita nisso? Que ele possa me trair depois de tudo que eu fiz por ele?
— Sim. — respondi sem hesitar. — Sinto muito, irmão, se não era isso que você queria ouvir. Mas realmente acredito, no final, você foi o mais beneficiado com a morte dos dois.
— Como assim? Eu já era o herdeiro, meu pai vivendo ou não. — ele me rebateu.
— Eu sei disso, mas as pessoas não. David era um marido ferido que agiu “por impulso” após uma traição, já você, o filho que ficou com tudo. Em um cenário assim, Atlas, quem você acredita que vai passar como o errado e o cérebro de tudo?
— Mas foi ele quem me procurou, a ideia foi dele, no final… fui eu quem agi por impulso.
— Cara, não estou te julgando. Eu sei da verdadeira história, mas conheço esse tipo de gente. E você, como o bom advogado que é, também devia conhecer.
— Merda! — ele xingou. — E o que acha que devo fazer?
— No momento, mantemos o combinado. Até que seja “provado” o contrário, David é amigo e não inimigo, mas vamos investigá-lo. Lawson já está fazendo isso.
— Ele também não acredita em David? — ele me perguntou.
— Não.
— Droga. — Atlas disse, passando as mãos pelo rosto. — Devo evitá-lo?
— Como eu disse antes, vamos manter as coisas como estão. Só que, entre nós, agiremos com cautela. Nosso objetivo principal agora é segurança, e descobrir quem realmente está por trás disso tudo. Temos os peões, mas quem é a rainha?
— Noah aposta em Marcela. — ele me respondeu.
— E eu no senhor Blake. E Lawson está comigo nessa.
— Vocês dois estão bem próximos agora, parecem até amigos. — ele brincou. — Acho que já vi esse filme, se não me engano se chama “Velozes e Furiosos”.
— Nesse caso, o Dominic aqui é o cara da lei.
Nós dois rimos, e as meninas voltaram para a sala.
— Vamos? — Sammy perguntou a Atlas, que assentiu. Os dois se despediram e logo saíram.
Me aproximei da Taylor, e a puxei pela cintura, dando um beijo em seu rosto.
— Tudo bem? — perguntei, sabendo que não estava, mas algo me dizia que ela não me contaria.
— Sim, estava ajudando Sammy com uma coisinha.
— Posso saber?
— Não, é assunto “feminino”. — ela respondeu, envolvendo os braços em meu pescoço. — Você vai para o escritório? — me perguntou.

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