Capítulo 119 — Confia nele?
Atlas Wilson
Acordei apreensivo, hoje seria o dia do retorno de David depois de anos. Samantha dormia ao meu lado. Mais uma vez ela não passou bem, mas continua se recusando a ir ao hospital. Me levantei e fui para o banho. Assim que saí, ela já estava acordada.
— Bom dia. — ela disse ainda sonolenta.
Caminhei até ela, segurei seu rosto entre minhas mãos e a beijei antes de sussurrar:
— Bom dia, amor. — Sammy sorriu para mim.
— Por que não me acordou? Já passa das dez.
— Você quase não dormiu a noite, e eu também acordei agora há pouco. — respondi e segui ao closet para me trocar.
Quando voltei, a ouvi no banheiro, e, como foi na madrugada, lá estava ela vomitando… de novo.
— Amor. — falei, me agachando ao seu lado. — Você pensou na possibilidade de estar… — fiz uma pausa antes de dizer algo que martelou minha mente a noite inteira. — Grávida?
Samantha me olhou como se eu tivesse falado em outra língua.
— Não… — ela disse, tentando passar firmeza nas palavras. — Eu estava com cólica, e…
— E sua menstruação não veio. — concluí.
— Atlas, não tem como. — Ela me disse, e arqueei uma sobrancelha para ela. Tudo que tinha era “como” ela estar.
— Amor, não coloca coisa na minha cabeça. — ela disse em derrota.
Passei a mão em seu rosto, tirando uns fios de cabelo dali.
— Seria tão ruim assim ter um filho meu?
— Claro que não! — ela respondeu sem hesitar.
— Mas… estamos há pouco tempo juntos, nunca nem falamos sobre isso, nem sei se tem vontade de ser pai.
— Querida, se eu não quisesse ter um filho seu, eu me preveniria, e isso entre nós nunca aconteceu.
— Você está falando sério? — ela me perguntou manhosa e sorri do seu jeitinho. Mas antes de eu responder, ela voltou o rosto ao vaso sanitário e vomitou novamente. A ajudei, mesmo ela insistindo para que eu saísse, a deixei no chuveiro e liguei para o consultório do doutor Brown para agendar um horário para Samantha.
— Liguei para o médico, mas ele só tinha dois horários, hoje e segunda. — suspirei em saber que demorariam dias para eu saber o que ela tinha. — Mas bem hoje tenho um compromisso, e não posso te levar. Marquei para segunda de manhã — falei, a ajeitando de volta na cama.
— Não quero te dar trabalho, eu posso ir sozinha.
— Cuidar de você não é trabalho, amor, é prazer. — respondi, a beijando.
Curti minha garota mais uns minutos, depois pedi para que Athena e Georgina ficassem de olho nela até eu voltar. Precisava ir para a cobertura da família, já fazia um tempo que não ia até lá. Dominic e Christopher me acompanharam. Noah e Declan chegariam em breve.
— Qual o problema, Dom? — perguntei, notando sua expressão fechada.
— Taylor e eu discutimos, pois ela insiste em ir para South.
— O que ela quer tanto fazer lá? — Chris perguntou.
— Ela me diz que quer me ajudar com informações, mas eu sinto que tem mais, e esse “mais” tem nome. — ele respondeu irritado.
Ouvimos o elevador e eram Noah e Declan.
— Boa tarde. — falei, indo até o aparador pegar umas bebidas.
— Tarde para quem já almoçou, e Noah e eu nem tivemos tempo para isso. — Declan respondeu, se jogando no sofá.
— Manhã difícil? — Chris perguntou, oferecendo sua bebida a ele, que pegou sem recusas.
— Nem me fala, eu sabia que minha pequena trabalhava pra cacete, mas não desse jeito.
Todos nós rimos. O interfone tocou e era o porteiro. David chegou. Autorizei sua entrada. Em minutos, a porta do elevador se abriu novamente e dessa vez era ele.
— Rapazes, há quanto tempo. — ele disse, entrando no meu apartamento.
David era um cara simpático, sempre foi, e saiu cumprimentando um a um dos caras.
— Esse aqui não conheço. — ele disse ao Dom, que logo respondeu:
— Agente Especial Encarregado Dominic Costello.
— Prazer em conhecê-lo, agente.
— E esse? — falou, estendendo a mão para o Christopher.
— Christopher Lawson, o meu manteremos somente o nome. — David sorriu.
— Vamos nos sentar, David, aceita uma bebida? — perguntei.
— Estou bem, garoto, obrigado. Parei de beber há alguns anos.
— Certo. — Noah chamou nossa atenção. — Já que recusa a bebida, podemos ir direto ao assunto.
— Sempre prático e objetivo, senhor Blake. — David disse.
— Algumas coisas não mudam. — Noah respondeu.
— Mas está certo, retornei ao país por um único motivo e pretendo resolvê-lo o mais rápido possível.
— Então comece, David. — pedi.
— Há cerca de três meses, recebi minha primeira ameaça.
— Três meses? Mas isso não b**e com a data de Paris. — Declan o interrompeu.
— Paris? — David perguntou confuso.
— Sim, nossa viagem para Paris, onde tivemos problemas com Cyrus, que é um dos homens que tem nos ameaçado, e que acreditamos ser a pessoa que esteja te ameaçando também. — Declan explicou.
— Bom, eu não sei nada sobre viagem em Paris, e nem o nome de quem está atrás de mim. Só recebi a primeira ameaça, uma carta endereçada com meu antigo sobrenome, e depois disso elas começaram a aparecer em todo lugar.
— Alguma ameaça física? — Dom perguntou.
— Recentemente, foi por isso que decidi procurar o Atlas.
— E o que aconteceu exatamente? — A pergunta veio do Chris.
— Estava saindo do serviço com uma colega, e fomos abordados. A princípio, pensei ser um assalto. Entreguei minhas coisas, ela as dela. Até ouvir meu sobrenome. Ninguém me chama por ele, eu o mudei quando fui embora. Eles me ameaçaram com uma arma, eu pedi que a deixassem ir e eles deixaram.
— E com você, o que fizeram? — perguntei.

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