Noah Blake
Passei o domingo revisando documentos. O clube ainda passava por uma vistoria, e mesmo que isso não acontecesse, eu não conseguiria ir até lá. Reed tinha razão, preciso de um assistente com urgência, ainda mais com a viagem para a França se aproximando. Mas entre uma folha e outra, ela sempre vinha em minha mente.
Juliet…
O beijo dela ainda queimava em minha boca, como se ele simplesmente tivesse acabado de acontecer. Mas outra coisa me queimava, a forma como me afastou. Por mais que eu quisesse aquela mulher para mim, seria difícil fazê-la se render ao meu gosto meio peculiar. Depois do que aconteceu no vestiário e, claro, a informação que Samantha me trouxe, sobre o motivo do seu medo:
“De quando ele a machucava e ela se escondia no porão”
Juliet é cheia de marcas, e elas ainda não cicatrizaram o suficiente. E uma mulher cheia de gatilhos não vai suportar o tipo de coisa que eu faço no quarto. O pior de tudo isso é que, mesmo sabendo disso e vendo como ela reagiu, eu não penso em mais nada a não ser nela e nesse desejo que só cresce de tê-la em meus braços, ou melhor, de tê-la só pra mim.
Cheguei no escritório mais cedo do que de costume. Reed, junto com o pessoal do RH, agendou algumas entrevistas para ver se eu finalmente encontro um assistente pra mim. Só que, para minha sorte, todos os caras cancelaram, mas havia uma mulher de “currículo impressionante”, disse Jenny a Reed. E mesmo sendo contra mulheres no meu andar, acabei aceitando entrevistá-la.
E foi no exato momento em que abri a porta, que vi que realmente tive sorte. Ela estava bem ali, a mulher que tem tomado conta dos meus pensamentos sem muito esforço. Quando a olhei, tive dúvidas, mas aí ela disse: “bom dia, senhor Noah”. Ela se entregou e notou. Mas Juliet manteve a postura e tentou, de todo jeito, mostrar que ela não era ela.
Levei a entrevista como levaria com qualquer pessoa, perguntas certas, tom profissional. E mesmo nervosa, ela se manteve ali, sem vacilar. O currículo dela era realmente impressionante, o que me intrigava mais ainda. Porque uma pessoa com uma capacidade dessas estava trabalhando como garçonete?
Ouvi batidas na porta e Jenny entrou.
— Com licença, senhor Blake, o senhor Reed me pediu para entregar a ficha da Juliet.
Olhei para ela e notei o desespero em seu rosto. Juliet realmente acreditava que eu não a tinha reconhecido, mas agora, ouvindo seu nome, não haveria mais dúvidas.
— Agradeço, Jenny. — peguei os papéis de sua mão. — Peça a Reed que cuide do meu próximo compromisso, irei terminar minha conversa com a senhorita Pierce. — Olhei para ela, que ainda mantinha os olhos vidrados em mim. — Depois, irei eu mesmo com ela até o RH para acertarmos sua contratação.
Enquanto Jenny me dava um sorriso enorme, Juliet piscava sem parar, e com uma expressão de quem não acreditava no que estava ouvindo.
— Pode deixar, senhor Blake. — Jenny me respondeu e, antes de sair, olhou para Juliet e sussurrou um “parabéns”. E ouviu em resposta um “obrigado”.
Assim que Jenny fechou a porta, ela se virou para mim. Notei que queria me perguntar alguma coisa.
— Tem algo a me dizer, senhorita Pierce?
— O senhor realmente está disposto a me contratar? Nós nem mesmo terminamos a entrevista.
— Preciso de um assistente com urgência, tenho documentos que precisam de atenção, e prazos para cumprir. E até agora a senhorita me pareceu muito apta para a função.
Mantive meu tom sério, já que ela quis fingir que não nos conhecemos, decidi deixar as coisas assim, em um tom bem profissional.
— Vamos continuar antes de irmos ao RH. — eu disse, sem muita emoção, e ela só concordou com um aceno.
Olhei a ficha dela, e tudo que havia me dito antes se confirmava. Ainda avaliando, vi algo, e perguntei.
— Fala Espanhol e Francês?
— Sim, senhor. Fluentemente ambas as línguas.

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