Capítulo 114 — A chave do quarto escuro
Samantha Jones
O silêncio que se instalou depois das palavras dele era tão denso que eu podia ouvir meu próprio coração batendo. Atlas me olhava como se esperasse que eu me levantasse e saísse correndo, mas eu não me movi. Não podia.
— Atlas… — comecei, a voz baixa, quase um sussurro. — Eu sinto muito. Sinto muito por tudo que você e a Athena tiveram que passar.
Ele desviou o olhar, os ombros tensos, como se carregasse o peso do mundo. Eu me aproximei, segurei seu rosto com as duas mãos e o forcei a me encarar.
— Escuta o que eu vou te dizer, porque eu nunca falei nada tão verdadeiro na vida. — Respirei fundo, deixando as lágrimas caírem sem vergonha. — Nada nesse mundo vai me fazer me afastar de você. Nada. Nem o passado, nem o que você fez, nem o que você acha que te torna imperfeito. Pra mim, você continua sendo o homem mais perfeito desse mundo. O amor da minha vida.
Seus olhos castanhos brilharam, e eu vi o momento exato em que a muralha caiu. Ele me puxou para si, e nossos lábios se encontraram com urgência. O beijo começou lento, quase hesitante, mas logo se transformou em algo faminto, desesperado. As mãos dele subiram pelas minhas costas, apertando, marcando, como se quisesse ter certeza de que eu ainda era real.
Eu gemi contra a boca dele, e foi o estopim. Atlas nunca perdeu a linha comigo, sempre foi dominante, mas controlado, carinhoso. Hoje, porém, havia algo diferente. Uma urgência crua, quase animal. Ele mordeu meu lábio inferior, puxou meu cabelo com força suficiente para me fazer arquear o pescoço, e sussurrou contra minha pele:
— Sammy… eu preciso… preciso extravasar. Preciso de você. Agora.
Eu sabia o que ele queria dizer. E eu também queria. Queria tanto que meu corpo já tremia de antecipação.
— Sim — respondi sem hesitar, a voz rouca. — Me usa como quiser, amor, eu sou sua.
Ele me olhou por um segundo, como se quisesse ter certeza, e então segurou minhas mãos com firmeza. Caminhamos até o fundo do quarto, ele afastou a cortina pesada com um movimento rápido, revelando a porta de madeira escura. Girou a maçaneta, e o clique ecoou como um convite.
O quarto era um santuário de sombras e luxo. Luzes vermelhas baixas iluminavam as paredes acolchoadas, o teto com ganchos discretos, a cruz de Santo André encostada na parede oposta. Havia uma cama king com lençóis de cetim preto, algemas de couro penduradas na cabeceira, e uma cômoda com gavetas que eu sabia o que guardavam. O ar cheirava a couro novo e algo mais… algo que fazia meu ventre se contrair de desejo.
Atlas fechou a porta atrás de nós, o som do trinco me fazendo arrepiar.
— Lembra da sua palavra de segurança, amor? — ele me perguntou, seu tom era suave.
— Café… — sussurrei.
— Isso mesmo, se algo te incomodar, te machucar, não hesite em usá-la. Tudo aqui é sobre amor e prazer, se não tivermos os dois, nem mesmo seguimos.
— Eu te amo… — falei olhando pra ele, Atlas se aproximou e me beijou com carinho. Ele encostou a testa na minha.
— Também te amo, querida… pra sempre. — respirei fundo como se fosse possível inalar suas palavras.
Quando nos afastamos, algo tinha mudado em seus olhos. Atlas tem aos poucos me apresentado seu mundo, mas essa era a primeira vez que faríamos uma cena de verdade.
— Tá tudo bem?
— Sim… — respondi firme.
— Então, tira a roupa — ordenou, a voz grave, sem espaço para negociação.
Eu obedeci. Desabotoei a blusa devagar, deixando cair no chão, depois o sutiã. Meus seios expostos ao ar fresco, os mamilos já duros. Ele me observava, os olhos escuros de fome, enquanto tirava a própria camisa, revelando o peito definido, as tatuagens que eu amava tocar.
— De joelhos, Samantha.
Caí de joelhos no tapete macio, o coração disparado.
Ele se aproximou, abriu o zíper da calça e libertou o membro já duro, grosso, pulsando. Segurei a base com uma mão, mas ele segurou meu queixo, forçando-me a olhar para cima.

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