Capítulo 109 — Cabe entre nós
Taylor Laurent
A última coisa que me lembro foi de tentar levantar as mãos para tocar Dominic, e depois, tudo se apagou. E a primeira coisa que vejo ao acordar, também é ele.
— Parece que não sou mais a Julia Roberts, me tornei a Bela Adormecida.
Eu disse e Dominic sorriu, depois me deu mais um selinho.
— Querida, você precisa decidir, ou sou um ator, super-herói ou um príncipe encantado.
— Porque me contentar com um, se posso ter os três. — falei e tentei piscar, mas o rosto doeu e acabei gemendo.
— Não se esforce. — ele falou com a voz baixa, passando a mão em meu rosto.
— Eu só ia piscar, mas parece que vou precisar ficar uns dias sem te seduzir.
Dominic fechou a distância entre nós, e parou o rosto próximo ao meu. Passou a mão em minha testa tirando meu cabelo dali.
— Sua presença já me atrai. — ele disse, depois passou o nariz pelo meu rosto. Deus, eu estou me viciando nessa coisa de ser amada.
— Tenho que confessar que a sua também. — falei e Dominic encostou os lábios nos meus, eu abri levemente minha boca, doeu, mas não deixei ele perceber. Eu o beijei, e foi carregado de saudade, carinho, mas principalmente de gratidão… sim, gratidão por ele ter ido me buscar.
Quando nos separamos, ele encostou com cuidado a testa na minha, e ficamos uns segundos ali em silêncio somente curtindo a presença um do outro.
— Obrigado… — sussurrei. — Por ter ido atrás de mim.
Dominic separou só o suficiente para me encarar.
— Passou pela sua cabeça que eu não iria?
— Não… — mordi os lábios de leve. — Mas pensei que iriam pela Samantha, não por mim.
— Taylor, achei que tivesse deixado claro que estamos juntos. Não pensei que houvesse dúvidas sobre nós. — Vi algo brilhar em seus olhos, acabei o chateando sem querer.
— Desculpa, não queria te ofender. É que nos conhecemos há menos de vinte e quatro horas, e… — Não terminei minha frase, ele me interrompeu.
— E, já passamos por tanta coisa. Já tratei de seus ferimentos, te levei para morar comigo, fizemos compras juntos, te pedi em namoro.
— Eu sei, Dominic, não fica bravo, no meu lugar você também pensaria assim.
Ele se afastou mais, passou as mãos no rosto.
— Tudo bem, mas quero que fique claro que estamos juntos. E estar junto pra mim significa muita coisa, traz muitas responsabilidades e vai muito além de alguns amassos no meu sofá.
— Me desculpa… — sussurrei e tentei levantar o braço para alcançar sua mão mas a fisgada veio forte. — AIII… — não consegui controlar o grito.
— Taylor, disse para não se esforçar. — ele disse irritado.
— Caramba, Dominic, eu só queria te tocar. — retruquei e virei o rosto para não encará-lo mais.
— Olha pra mim. — falou em um tom autoritário. Mas eu não obedeci. — Taylor…
— Pode falar, Dominic, não são meus olhos que te ouvem, e sim meus ouvidos e esses estão funcionando muito bem.
— Porque é tão respondona assim?
— Minha mãe costumava dizer que era pelo meu gênio ruim. — respondi com deboche.
O silêncio no quarto começou a ficar insuportável. Senti as mãos dele no colchão, depois seu corpo, sem me perguntar se podia ele passou os braços por baixo do meu pescoço e me puxou para ele. Mas minha mãe estava certa, eu tenho um gênio ruim e não cedi, permanece com o rosto virado e fingindo que ele nem estava ali.
— Vai continuar me ignorando?
— Não estou, só não tenho nada para falar. — respondi seca.
Ele colocou a mão no meu queixo e me fez, não, ele me obrigou a olhá-lo.
— Desculpa se fui grosso com você, só estava preocupado. E às vezes sou intenso demais, e pensar, que talvez você não esteja nesse relacionamento da mesma maneira que eu… mexeu um pouco comigo.
— Mas eu estou, só que não pode me culpar por pensamentos intrusivos assim.
— Eu sei… — ele deu um beijo em meus lábios. — De verdade, me desculpa.
E com o pedido veio sua carícia, esse cretino lindo já sabia como me desarmar.
— Vamos esquecer isso, agora me diz, e a Sammy?
— Ela está bem, o irmão dela ligou para o Atlas e nos disse onde ela estava. Eu cheguei junto com a minha equipe, a resgatamos, ela disse onde você estava e entrei para te buscar.
— O que aconteceu com o Brian?
— Quem é esse?
— O que… — fiz uma pausa. — Me bateu.
Os olhos do Dominic escurecem e pude ver a ira refletida neles, era como se o azul oceano deles tivesse entrado em uma tempestade.
— Provavelmente já está morto, pelo menos, foi para isso que atirei.
Suspirei em alívio. Não que eu seja uma pessoa ruim que deseja a morte alheia, mas aquele cara, era um perigo para a sociedade.
— E o Adam? — Não sei o que foi que Dominic viu em meus olhos, ou talvez no tom da minha voz, mas a pergunta o pegou de surpresa e o irritou. Ele tirou os braços debaixo de mim, mas se manteve ao meu lado.
— Imagino que Adam seja o que estava rendido quando entrei. — eu só assenti com um aceno. — Ele tinha alguns machucados, mas minha prioridade era tirar você de lá, então não posso te dizer como ele está.
— Tudo bem, Adam é resistente, não nos quebramos por qualquer surra. — tentei soar o mais natural possível.
— Qual a relação de vocês? Você me disse que nunca namorou, mas quando ele soube que você era minha mulher a reação dele não foi das melhores.

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